Nascido a 11 de Abril de 1942, o novo bispo do Funchal é natural de Loulé e foi ordenado presbítero na Sé de Faro, a 28 de Julho de 1965. Depois de alguns a trabalhar na diocese que o viu nascer, D. António Carrilho foi nomeado director do Secretariado Nacional da Educação Cristã e, posteriormente, director do Secretariado Geral do Episcopado. Nomeado pelo Papa João Paulo II Bispo Titular de Tamalluma e Auxiliar do Porto, em 21 de Fevereiro de 1999, D. António Carrilho desempenhava também, nessa data, as funções de director da Lumen – revista de reflexão e documentação pastoral – e membro da Comissão Paritária Igreja/Estado para estudo e resolução dos problemas do património cultural de interesse comum. A ordenação episcopal de D. António Carrilho realizou-se na Igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, dia 29 de Maio de 1999 – Liturgia da Solenidade da Santíssima Trindade, sendo ordenante principal D. Manuel Madureira Dias, então Bispo do Algarve e co-ordenantes D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto, e D. Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo-Bispo Émerito do Porto e antigo Bispo do Algarve. Iniciou as suas funções na diocese do Porto, no dia 3 de Junho de 1999, na igreja da Trindade, na celebração da Missa da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a que presidiu o Bispo Diocesano, D. Armindo Lopes Coelho, que o nomeou Vigário Geral e lhe confiou a missão de acompanhar os sectores do Apostolado dos Leigos e da Educação Cristã e o Conselho Pastoral Diocesano. Depois de 8 anos na diocese portuense, o Papa aceitou o pedido de renúncia de D. Teodoro de Faria, por limite de idade, (Cân. 401 §1 do Código de Direito Canónico) e nomeou-o novo Bispo do Funchal. "Partilhar a vida e a fé na diocese do Funchal de hoje implica saber acolher os valores e as tradições das gerações passadas, mas também olhar em frente, discernindo os “sinais” deste tempo e promovendo o indispensável esclarecimento e aprofundamento da fé no diálogo fé-cultura-vida, como suporte da nova evangelização e de adequados dinamismos pastorais" – escreveu na mensagem de saudação. Na nota episcopal de D. Teodoro de Faria, o pastor madeirense realça que o "povo cristão desta Diocese recebê-lo-á como dom de Deus, para a edificação e crescimento desta diocese". A tomada de posse de D. António Carrilho na diocese do Funchal será no próximo dia 19 de Maio, às 16 horas, na Solenidade da Ascensão do Senhor. ENTREVISTA À AGÊNCIA ECCLESIA Pastoral do Turismo merecerá atenção especial No dia da nomeação para Bispo do Funchal, D. António Carrilho fala sobre as apostas pastorais. Agência ECCLESIA – Que expectativas e projectos pastorais leva para a diocese do Funchal? D. António Carrilho – Eu sei que a Diocese do Funchal é uma Diocese organizada, dotada de estruturas e serviços pastorais que procuram responder aos problemas e necessidades dos diversos âmbitos da actividade eclesial. Sei que não faltam pessoas preparadas e comprometidas na acção pastoral – sacerdotes, membros dos institutos de vida consagrada e leigos. Não faltam, por isso, razões de esperança, motivos para acalentar expectativas de motivação e mobilização para novas iniciativas e dinamismos pastorais. Há sempre muito para fazer, novas respostas a dar. Conforme escrevi na minha Mensagem de Saudação à Diocese, como sucessor de D. Teodoro Faria, procurarei conhecer e dar continuidade à acção pastoral por ele desenvolvida e conhecer, abrindo os olhos e o coração, as novas realidades e necessidades da Diocese. Para já o meu projecto consiste em procurar “ver” e “julgar” à luz do Evangelho as realidades humanas, sociais e religiosas, tendo em vista um programa de (nova) evangelização. Contando sempre com o envolvimento e a colaboração das comunidades cristãs, com os seus responsáveis pastorais, grupos apostólicos e movimentos especializados. Agência ECCLESIA – A realidade social e política da Madeira é diferente daquela que vivemos no Continente. Perante esta situação são necessárias novas metodologias e estratégias pastorais? D. António Carrilho – A acção pastoral, para ser eficaz, terá de responder às realidades e situações concretas, com objectivos, estratégias e métodos adequados. Todas as Dioceses são diferentes e requerem um conhecimento e uma atenção particular. Não é uma simples questão de se tratar do Continente ou da Madeira e estou certo de que não faltarão pessoas, sacerdotes e leigos, capazes de analisar as situações, no seu contexto sócio-político e religioso e de propor os caminhos de resposta pastoral mais indicados. Tornamos, assim, ao “ver” e “julgar” para “agir” em conformidade. Nisto é importante, e mesmo indispensável, que os leigos assumam as suas responsabilidades em “corresponsabilidade”, participando activamente na vida eclesial e na vida social e política, de acordo com a Doutrina Social da Igreja. Agência ECCLESIA – A pastoral do Turismo será uma das apostas fortes no seu múnus episcopal? D. António Carrilho – A Madeira é hoje um grande centro turístico, pelo que a pastoral do turismo não pode deixar de ser uma preocupação e um investimento da Igreja local. Já está a sê-lo e terá de continuar a merecer uma especial atenção na pastoral geral da Diocese. O Turismo favorece um profundo intercâmbio cultural e religioso, com inevitáveis e normais repercussões nas mentalidades e nos comportamentos. Daí que, para além da informação aos turistas sobre os actos religiosos, seja necessário proporcionar aos católicos residentes o esclarecimento e aprofundamento da sua fé no diálogo fé-cultura-vida, para que se assumam na fé que professam, com convicção e consciência pessoal. A pastoral do Turismo é complexa e envolve muitos outros aspectos que só localmente se podem conhecer e analisar em todas as suas implicações. Agência ECCLESIA – Pensa fazer visitas pastorais às comunidades madeirenses no exterior? D. António Carrilho – São em grande número os madeirenses espalhados pelo mundo, principalmente na Venezuela, África do Sul, Austrália, Estados Unidos, Brasil, Inglaterra, etc. Têm grande amor à terra de origem e não esquecem as suas tradições. É claro que a Igreja não pode deixar de os acolher e de ir ao encontro deles, garantindo-lhes apoio e a assistência religiosa conveniente e possível. Sei que o Senhor D. Teodoro de Faria, meu antecessor, visitava com regularidade aquelas comunidades. Procurarei ter em conta a experiência dele e dar-lhe continuidade. ~ Agência ECCLESIA – Esteve 8 anos como bispo auxiliar do Porto. Que avaliação faz do trabalho na diocese portuense? D. António Carrilho – Não me compete avaliar o meu próprio trabalho na Diocese, mas posso dizer que me empenhei de alma e coração nas tarefas que me foram confiadas e sempre senti o acolhimento, a amizade e o apreço, por parte daqueles com quem trabalhei mais de perto. Por isso, tal como já tive oportunidade de escrever, dou graças a Deus pela inesquecível experiência pastoral realizada na Diocese do Porto “em especial o acompanhamento, dinamização e apoio aos Movimentos e Obras Laicais, as celebrações do sacramento do Crisma e, sobretudo, as intensas mas gratificantes Visitas Pastorais às Paróquias; numa palavra, a presença simples e próxima do Bispo-Pastor junto daqueles a quem era enviado”.