Da Holy Family Primary School deslocavam-se, todos os dias, para Sidney de comboio, a partir da estação que ficava a cerca de 20 minutos do seu local de acolhimento. Analisando a organização, garantem que “a Austrália estava mesmo muito bem preparada para receber os peregrinos”. “Não houve nenhum local onde tivéssemos de ficar retidos em multidões. Estava tudo muito bem estruturado para o encaminhamento do maior número de pessoas”, salientam nos testemunhos publicados no sítio do Sector Diocesano da Pastoral Juvenil (www.juventude.diocese-algarve.pt), destacando a realização dos Festivais da Juventude, todas as noites, e “sempre em sítios diversos”. “Havia voluntários por todo o lado, sempre com sorrisos e disponibilidade para nos ajudar”, reconhecem, lamentando apenas não haver mais ecrãs gigantes no Hipódromo de Randwick para a celebração da vigília de sábado (dia 19 de Julho) e Eucaristia de domingo (dia 20 de Julho). Sublinham ainda o apoio à comitiva portuguesa dos sacerdotes que a integravam, especialmente dos padres Vasco Pedrinho, director nacional do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Pablo Lima, da diocese de Viana do Castelo e João Paulo Vaz, da diocese de Coimbra. “A nível nacional, fomos um grupo unido e bem-disposto, sempre convictos do objectivo da nossa participação e com uma vontade imensa de trazer para Portugal a nossa força e juventude”, testemunham, mostrando-se também tocados pelos exemplos de vida dos santos ou beatos que lhes foram apresentados durante aqueles dias, como o da australiana Mary MacKillop, beatificada pelo Papa João Paulo II. A amizade, a boa disposição e o sentido de inter-ajuda entre 13 elementos do Algarve são ainda realçados pelo grupo, que afirma ter partilhado todos os momentos em conjunto, desde as desde as catequeses (algumas das quais orientadas pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. Antonino Dias, que acompanhou o grupo português), às Eucaristias, passando pelas caminhadas, passeios e a vigília. “Estivemos em comunhão com o nosso País e nossa diocese em todos os momentos. O Espírito Santo esteve sempre de mãos dadas connosco e mostrou-nos o verdadeiro caminho, aquele que nos trouxe sãos e salvos para casa, para podermos actuar na nossa diocese, com a garra e esperança da nossa juventude e com uma Fé que nos faz chegar até aos confins da humanidade”, destaca Elsa Santiago, responsável pelo grupo algarvio, garantindo que “foi lindo ver jovens de todo mundo a celebrar a mesma fé em Jesus Cristo”. A alegria entre os participantes de todo o mundo são diversas vezes referenciados como um dos aspectos que ajudou a aquecer o coração e a alma dos algarvios para fazer face ao Inverno australiano. Os participantes do Algarve destacam igualmente a emoção dos jovens australianos, filhos de emigrantes portugueses, quando procuravam estabelecer contacto com eles. Vigília com o Papa e missa de encerramento marcaram JMJ 2008 O imenso programa da XXIII Jornada Mundial da Juventude, em Sidney (Austrália) ficou marcado por dois acontecimentos: a vigília nocturna com o Papa Bento XVI e pela Eucaristia de Encerramento do evento, ocorridos respectivamente nos dias 19 e 20 de Julho. No primeiro momento, mais de 235 mil jovens estiveram em festa no Hipódromo de Randwick, celebrando com Bento XVI. O Papa convidou os presentes a manterem-se unidos, na Igreja, perante um mundo cada vez mais fragmentado. Numa celebração que se iniciou aos sons do rock, hip-hop e do reggae, uma breve encenação marcou a chegada da Cruz das JMJ e do ícone mariano que a acompanha, em todo o mundo. O entusiasmo tomou conta da multidão quando se anunciou a chegada do Papa, num mar de luz – em especial a das velas -, de música e de entusiasmo. Na sua saudação, o Papa assegurou que “Deus não desiludirá a vossa esperança” e confessou a sua satisfação por estar entre jovens de todo o mundo. Vários foram os jovens que falaram diante de Bento XVI, da Tailândia ao Chile, dando testemunho dos “dons do Espírito Santo”: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade, temor de Deus. A cerimónia focou também as vidas dos 10 patronos da JMJ 2008, incluindo a Beata australiana Mary MacKillop, o jovem Beato Pier Giorgio Frassati e Santa Maria Goretti. Numa intervenção centrada sobre o Espírito Santo, o Papa lembrou que “a unidade da criação de Deus está enfraquecida por feridas que se tornam profundas quando se quebram as relações sociais ou o espírito humano acaba quase totalmente esmagado pela exploração e o abuso das pessoas”. Segundo Bento XVI, a sociedade contemporânea “está a sofrer um processo de fragmentação por causa dum modo de pensar que é, por sua natureza, de visão curta, porque descura o horizonte inteiro da verdade – da verdade referente a Deus e relativa a nós. Por sua natureza, o relativismo não consegue ver o quadro inteiro”. O Papa alertou os jovens para a tentação de “separar o Espírito Santo de Cristo presente na estrutura institucional da Igreja”, apelando a “resistir a toda a tentação de nos irmos embora”. “Deus está connosco, não na fantasia, mas na realidade da vida. O que temos de procurar é enfrentar a realidade, não fugir dela. Por isso, o Espírito Santo atrai-nos delicada mas resolutamente para aquilo que é real, duradouro, verdadeiro”, assegurou. O Papa sublinhou que “o que constitui a nossa fé não é primariamente aquilo que fazemos, mas o que recebemos. Aliás, muitas pessoas generosas que não são cristãs podem realizar muito mais do que fazemos nós”. “Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso”, apontou. No dia seguinte, 20 de Julho, cerca de 400 mil pessoas juntaram-se a Bento XVI para o ponto alto da JMJ 2008. No mesmo Hipódromo de Randwick, o Papa presidiu à Missa dominical, o seu último encontro com os peregrinos de todo o mundo. A celebração iniciou-se ao som do Gregoriano, após a chegada do papamóvel, por entre a multidão. Na sua homilia, o Papa pediu uma “nova geração” de Apóstolos, prontos a levar “Cristo ao mundo” e a dar vida a uma "nova era". "Não tenham medo de dizer sim a Jesus", apelou, numa passagem que foi sublinhada com uma salva de palmas. Bento XVI pediu “uma nova geração de cristãos”, “revigorada pelo Espírito e inspirando-se a uma rica visão de fé, chamada a contribuir para a edificação dum mundo onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente, e não rejeitada nem temida como uma ameaça e, consequentemente, destruída”. O Papa falou de “uma nova era em que o amor não seja ambicioso nem egoísta, mas puro, fiel e sinceramente livre, aberto aos outros, respeitador da sua dignidade, um amor que promova o bem de todos e irradie alegria e beleza”. “Uma nova era na qual a esperança nos liberte da superficialidade, apatia e egoísmo que mortificam as nossas almas e envenenam as relações humanas”, prosseguiu. Por isso, Bento XVI assegurou aos jovens que Deus lhe pedia que sejam “profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade”. Bento XVI destacou “dias emocionantes” da JMJ Bento XVI concluiu a nona visita ao estrangeiro, a mais longa viagem do seu pontificado, iniciado em Abril de 2005. Na partida, no aeroporto de Sidney, o Papa fez questão de sublinhar que “foram os jovens a fazer desta jornada um evento eclesial de carácter global, uma grande celebração da juventude, uma grande celebração do que deve ser a Igreja”. Após ter agradecido a presença de peregrinos de todo o mundo – nalguns casos, depois de “grandes sacrifícios -, às autoridades civis e militares, aos organizadores, populações e famílias australianas e neozelandesas que acolheram os participantes na JMJ, Bento XVI passou em revistas alguns momentos mais marcantes “destes dias emocionantes”. A visita ao túmulo da Beata australiana, Mary MacKillop, a Via Sacra nas ruas de Sidney, o encontro com os jovens em Darlinghurst e com responsáveis ecuménicos e de outras religiões foram enunciados antes dos “pontos culminantes”, vividos na vigília de sábado e na Missa de domingo, com mais de 400 mil peregrinos. “A Jornada Mundial da Juventude mostrou-nos que a Igreja pode alegrar-se com os jovens de hoje e encher-se de esperança pelo mundo de amanhã”, apontou. Durante o voo, o Papa enviou uma mensagem telegráfica aos chefes de Estado da Indonésia, Singapura, Malásia, Índia, Omã, Emiratos Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Jordânia, Síria, Líbano, Chipre e Grécia. Como é habitual, Bento XVI endereçou uma mensagem do género ao presidente italiano, na qual refere que em Sidney teve “a alegria de encontrar jovens de todo o mundo, prontos a deixarem-se guiar pela força do Espírito Santo para contribuir generosamente na construção da civilização do amor”. Desde o dia 17 de Julho, nos vários encontros com os jovens peregrinos, autoridades políticas e responsáveis religiosos na Austrália, Bento XVI sublinhou, sobretudo, duas questões principais: o papel da fé na vida pessoal e no espaço público, num mundo cada vez mais marcado pelo relativismo e a secularização; a preocupação com o futuro da humanidade, seja pela exploração dos recursos do planeta, seja pelo desnorte em termos de princípios e valores. A estas temáticas, juntaram-se outros temas de particular relevo, como o diálogo entre cristãos e entre religiões ou os direitos dos aborígenes – com mais visibilidades nas várias cerimónias da JMJ, onde houve sempre lugar para manifestações das culturas nativas da Oceânia. A viagem à Austrália foi ainda oportunidade para o Papa pedir desculpa pelos casos de abusos sexuais de menores, por parte do clero, situações classificadas como uma “vergonha”, que devem implicar a Igreja no apoio às vítimas e na condenação dos seus responsáveis, inclusive diante da justiça. Próxima JMJ em Espanha deixa antever numerosa participação portuguesa No final da recitação do Angelus, no Hipódromo de Randwick, o Papa Bento XVI anunciou que será a cidade de Madrid, em Espanha, a acolher a próxima Jornada Mundial da Juventude, no ano de 2011. O anuncio, marcado pela manifestação de alegria dos espanhóis presentes, foi saudado com uma enorme salva de palmas e deixa antever um participação numerosa dos vizinhos portugueses na próxima JMJ. Fotos da participação algarvia na JMJ na Galeria de Imagens