Da diocese algarvia, para além do Bispo diocesano, participaram mais 20 pessoas, em representação da equipa do Sector Diocesano da Animação Missionária e também alguns jovens das paróquias de Odeáxere e de Santa Catarina da Fonte do Bispo. As conclusões do encontro fazem referência ao documento de trabalho para o Sínodo dos Bispos (n.ºs 88-89), o­nde é sublinhado, que «a Eucaristia é o coração pulsante da missão; é a sua fonte autêntica e o seu único fim. Daí que os cristãos devam afirmar a dimensão missionária da Eucaristia». Analisando os inquéritos sobre a frequência dominical, de 1977, 1991 e 2001, nota-se uma diminuição progressiva de praticantes. «Esta realidade desafia-nos a dedicar mais atenção ao que significa ser cristão hoje, às implicações morais e sociais da Eucaristia e aos modos de transmissão da fé», concluiram os participantes das Jornada Missionárias 2005. A referência à Eucaristia, intimamente relacionada com o tema desta edição das Jornadas Missionárias Nacionais, também está contida nas conclusões apresentadas. «A história ensina-nos que a celebração da Eucaristia, ao longo dos tempos, tem sido uma fonte de dinamismo missionário. O que mais contribuiu para a vitalidade do cristianismo foi a sua humanidade. Num mundo em que a obsessão da economia é dominante, a Eucaristia é um desafio à partilha permanente. Daí a urgência de encontrar novas formas de partilha nas nossas comunidades eucarísticas. Não podemos ficar apenas pelo pão da terra e pelo pão do amor. Temos que trabalhar por um mundo mais justo. A Eucaristia é uma interpelação profética contra as fomes do nosso mundo: fome de pão, de cultura, de justiça, de paz, de amor, de ternura, de alegria, de esperança e de fé. Compete aos cristãos serem autores e promotores desta partilha. A Eucaristia tem um cariz comunitário e difusivo. Deve ser fruto de uma verdadeira iniciação cristã. Sentimos o desafio de acolher a necessidade de re-evangelizar os baptizados e de redescobrir a importância de ser sujeitos da evangelização. A Eucaristia não se entende nem se vive sem as margens da vida em que nasceu e se desenvolve hoje. É celebração ‘situada’ e ‘sofrida’ na história de um povo em peregrinação pelas margens. É urgente passar da Ceia do Senhor ao Senhor da Ceia», conclui-se, acrescentado que «viver hoje a missão é ultrapassar continuamente fronteiras que envolvem e separam as línguas, as etnias, as culturas e as religiões». «A Eucaristia é o sacramento que nos abre para os caminhos da solidariedade, do diálogo e da caminhada com os pobres», terminam as conclusões. Promovidas pela Comissão Episcopal das Missões, pelas Obras Missionárias Pontifícias e pela CIRP – Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, as Jornadas Missionárias foram constituidas por intervenções que abordaram as diversas dimensões da temática de fundo. Assim, “A Eucaristia, projecto de um mundo novo” foi a conferência inaugural, proferida pelo Prof. Doutor Manuel Marinho Antunes, docente da Universidade Católica Portuguesa. O padre Doutor David Sampaio Barbosa, docente da Universidade Católica Portuguesa, abordou o tema “A Missão que nasce da Eucaristia”, o padre Victor Feytor Pinto, coordenador da Comissão Nacional para a Pastoral da Saúde, falou sobre “O milagre da multiplicação dos pães no mundo contemporâneo” e após o painel sobre “Eucaristia nas fronteiras”, seguiu-se a conferência de D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar de Lisboa, sobre “A Eucaristia e a Nova Evangelização”. A noite foi preenchida com um convívio missionário e no domingo, dia 18, o padre Rui Pedro, director da Obra Católica das Migrações, falou sobre “A Eucaristia e as margens da sociedade”. O padre Adélio Torres Neiva, historiador, abordou o tema “A Eucaristia e a Espiritualidade Missionária” e a tarde foi preenchida com um painel sobre “A Eucaristia, fonte de Missão”. A Eucaristia, presidida por D. Manuel Neto Quintas com a apresentação das conclusões encerraram as Jornadas Missionárias Nacionais.