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Algarvios estiveram na “capital europeia da juventude”

Dois autocarros partiram do Algarve rumo a Lisboa com jovens e adultos que quiseram participar no 27º Encontro Europeu de Taizé, juntando-se a cerca de 40 mil jovens católicos, protestantes e ortodoxos, vindos de toda a Europa e de outros continentes, para rezar e reflectir sobre a paz. As paróquias das três dioceses de Lisboa, Setúbal e Santarém receberam os jovens cristãos e proporcionaram-lhes o acolhimento. Criaram ambientes semelhantes ao dos espaços de oração na FIL, o­nde os cânticos, as velas e os momentos de silêncio ajudaram a criar uma atmosfera única. Após o pequeno almoço, tomado com as famílias de acolhimento, a oração da manhã nas paróquias que começava pelas 8.30 horas com cânticos de louvor, sempre de esquemas simples e rapidamente assimiláveis, era também composta pela recitação de um salmo e pela leitura de passagens bíblicas. Depois, em pequenos grupos, os jovens partiam para outros espaços o­nde eram convidados a reflectirem sobre vários temas propostos, enriquecidos com a leitura de alguns trechos da Carta 2005 do irmão Roger Schutz, fundador da comunidade ecuménica de Taizé, em França. Nas manhãs dos dias 30 e 31 de Dezembro, além da reflexão em torno daquele documento, alguns jovens visitaram “locais de esperança” nas diversas localidades, que os levaram até junto de presos de vários estabelecimentos, voluntários que ajudam os sem-abrigo ou dão apoio aos imigrantes. Entre as 12.00 e as 12.30 horas era hora de almoçar, já na FIL. Pão, água, queijo, uma peça de fruta e uma refeição enlatada aquecida seguem à risca os princípios de simplicidade e austeridade que marcam a espiritualidade de Taizé. O momento da refeição era sempre feito o mais brevemente possível, de forma a encaminhar os participantes para o local de oração. Ao longo da tarde, caixas térmicas oferecidas pelo Exército português serviam para ir distribuindo chá quente. Pelas 13.15 horas, os peregrinos juntam-se todos para a oração da tarde. À entrada dos pavilhões, as conversas animadas davam lugar ao silêncio da reflexão: pessoas de todas as idades sentavam-se no chão frio e enchiam completamente o amplo espaço. Normalmente, à tarde, os jovens inscreviam-se nos diversos workshops sobre as mais variadas temáticas, mas, no último dia do ano, aqueles momentos de formação deram lugar aos encontros por países e regiões de origem. Os portugueses reuniram-se no pavilhão 1 da FIL, o­nde teve lugar uma celebração eucarística presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Durante a homilia, D. José Policarpo exortou os jovens a não se deixarem intimidar pelas dificuldades da vida e a levarem a mensagem de paz daquele encontro para o dia-a-dia. «Tende a coragem de marcar a diferença, de segurar bem apertado, junto do vosso coração, essa diferença que Deus pôs em vós, porque ela encerra, não apenas o segredo da vossa vida, mas o segredo de um futuro novo para a Humanidade», disse. A oração da noite, depois do jantar, era o grande momento do dia, no qual se incluiam as meditações do irmão Roger Schutz sobre a comunhão entre os cristãos, o amor de Deus pela humanidade ou a necessidade de perdoar. No espaço de oração, dos pavilhões 1 e 2 da FIL, inspirados «na grandiosidade das linhas manuelinas» dos Jerónimos, do Convento de Cristo (Tomar) e de Alcobaça, bem como «na beleza das paisagens avistadas na simplicidade austera» dos conventos dos Capuchos (Sintra) e da Arrábida, no decorrer dos momentos de reflexão só ecoava o som da água de três fontanários, situados à esquerda do altar. Apoiado pelos outros irmãos de Taizé, o irmão Roger Schutz dava início à meditação, marcada sempre pela memória daqueles que sofrem com a tragédia que assolou a Ásia. No fim, todos eram convidados a orar perto da cruz, que era então trazida para o meio dos jovens. A “imagem de marca” do encontro de Lisboa foi a de proporcionar a milhares de jovens europeus a oportunidade de passar o ano a rezar e, de facto, assim aconteceu. À meia-noite, pessoas de todo o mundo estavam em silêncio, rezando pela paz e pelas vítimas da tragédia asiática. Em cada uma das paróquias de acolhimento teve lugar uma Vigília de Oração pela Paz, «em comunhão com os povos que sofrem», seguindo-se depois uma Festa das Nações, o­nde jovens e paroquianos apresentaram tradições e costumes dos seus países natais, “com o objectivo fundamental de partilhar culturas”.

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