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Algarvios ‘mergulharam’ na história do Cristianismo durante a Peregrinação Diocesana à Terra Santa

D. Manuel Neto Quintas, disponibilizou-se, desde o “primeiro ao último minuto” para ajudar os peregrinos a descobrir quer, os percursos de alguns dos principais episódios da história da Salvação, quer os caminhos percorridos por Jesus Cristo. No primeiro dia foi dado realce à Igreja nascente, sobretudo aos apóstolos Pedro e Paulo. Na segunda etapa da peregrinação, a mais longa e, simultaneamente a mais aguardada, iniciou-se então a visita aos lugares mais directamente relacionados com Jesus Cristo e Nossa Senhora, sua Mãe. Os peregrinos puderam, ao longo daqueles dias, confrontar-se com as paisagens que Jesus também terá apreciado e com os espaços o­nde o Filho de Deus terá igualmente vivido há 2000 anos atrás. De certa forma, os peregrinos algarvios sentiram-se transportados no tempo para essa época, vivendo intensamente os momentos da Peregrinação Diocesana à Terra Santa. Para todos, esta incursão pelas terras de Israel constituiu a melhor de todas as formações bíblicas que tiveram oportunidade de receber. No fundo, a consolidação da sua fé cristã, recebeu ali um importante e decisivo incremento. Apesar do evoluir do cenário de guerra, entre o Governo hebraico e o grupo terrorista Hezbollah, presente no vizinho Líbano, os cristãos algarvios, acompanhados pelo seu Bispo, nunca sentiram qualquer sinal de confrontos e cumpriram integralmente o programa da peregrinação, previamente delineado, com total serenidade e realismo. Também por ter sido vivida no contexto de um conflito de guerra, que se desencadeou já com os algarvios em território santo, esta Peregrinação Diocesana do Algarve ao coração do Cristianismo, a quarta realizada na história da Igreja do Algarve, permanecerá na memória de quantos tiveram oportunidade de nela participar. Os momentos vividos em território israelita e palestiniano jamais se apagarão da recordação dos 101 peregrinos do Algarve que durante sete dias percorreram o trilho de Jesus Cristo. Terça-feira, dia 11 de Julho Chegados a São Bartolomeu de Messines, os dois grupos de algarvios participaram na Eucaristia que marcou o arranque da peregrinação. O padre Carlos de Aquino, que presidiu à celebração, salientou duas dimensões da ‘caminhada’ pela Terra Santa. A propósito da primeira – peregrinar – e da segunda – contemplação – sublinhou, respectivamente, que o essencial seria “descobrir a Palavra viva que é Cristo” e que “a terra verdadeira o­nde Deus habita, é cada um”. “Somos por isso mais importantes que Jerusalém”, complementou. Já em Lisboa, no aeroporto da Portela, o avião, que descolou com cerca de uma hora de atraso, foi repleto de portugueses, com os grupos do Algarve e da paróquia de Odivelas a viajarem no mesmo voo charter directo a Tel Aviv que durou 5 horas, abordo de um airbus da israelita Arkial. O atraso da viagem acabaria por condicionar o programa da manhã seguinte que seria ligeiramente alterado. Os algarvios ficariam alojados em Nazaré, durante os primeiros 2 dias, no Plaza Hotel. Quarta-feira, dia 12 de Julho Os peregrinos seguindo para a actual Jaffa, hoje um bairro de Tel Aviv, antiga Joppe (que deu origem à actual metrópole), puderam contactar com a casa de Simão, ‘o curtidor’, o­nde terá pernoitado Pedro e o­nde terá tido lugar o episódio da ‘visão dos alimentos’. Simultaneamente os algarvios evocaram também o episódio da visita dos emissários de Cornélio a Pedro, assim como o profeta Jonas. Ainda em Jaffa, os dois grupos visitaram a igreja de São Pedro (construída em memória do acontecimento referido) e contrariamente ao que estava programado, não celebraram ali Eucaristia, mas apenas rezaram a oração do Pai Nosso. O primeiro dia na Terra Santa acabaria por ficar marcado por uma incursão pelo litoral mediterrânico com as temperaturas a atingirem valores sempre altos no termómetro. No fundo, um clima (e até uma paisagem litoral) a fazer lembrar o Algarve. Na Cesareia Marítima, localizada a norte de Samaria, uma actual área de residências luxuosas, os peregrinos algarvios foram confrontados com marcantes vestígios da época romana e recordaram, no teatro romano, o baptismo do centurião Cornélio, realizado por Pedro, a prisão e julgamento de Paulo, bem como a movimentação da rebelião judaica que viria a provocar a destruição de Jerusalém, pressentida alguns anos antes por Jesus. Em Haifa, os grupos algarvios subiram até ao Monte Carmelo, o­nde está sedeado o Convento de Stella Maris, tendo celebrado a Eucaristia na igreja local, juntamente com a paróquia de Odivelas. No dia seguinte, a localidade era atingida por um míssil enviado do vizinho Líbano, resultado do acentuar da contenda com o Governo de Beirute. Na homilia, o Bispo diocesano exortou os peregrinos para uma vivência especial da semana. “Se transformarmos esta semana em tempo de contemplação e oração; se olharmos para nossa vida seremos capazes de viver nela a presença de Deus”, afirmou.Naquele local foi possível recordar o profeta Elias, através da gruta, o­nde terá feito orações e que actualmente se encontra integrada no templo ali erigido. Antes da saída para Nazaré, os algarvios puderam ainda visitar São João de Acre, um antigo porto local. Quinta-feira, dia 13 de Julho O terceiro dia na Terra Santa foi iniciado com a visita a um dos mais significativos lugares relatados nas sagradas escrituras: o Monte Tabor. O episódio da transfiguração de Jesus, na presença dos três discípulos, que “mais sintonizados estavam com Cristo” – Pedro, Tiago e João – , foi evocado pelos peregrinos que exortaram ao visitar a igreja erigida no cimo do alto monte. Moisés, ‘o legislador’, e o profeta Elias, que fortaleceu o monoteísmo, não deixaram também de ser referenciados como aqueles que ‘abriram caminho’ para o ensinamento de Jesus. No entanto, o ponto alto do dia, e até um dos momentos maiores da Peregrinação Diocesana, viria a acontecer com a visita ao Monte das Bem-aventuranças, o­nde seria celebrada a Eucaristia do dia, e ao Lago de Tiberíades, também chamado de Lago de Genesaré ou Mar da Galileia, lugares o­nde Jesus. Na homilia, o Bispo do Algarve referiu-se com particular destaque ao sermão das Bem-aventuranças, “síntese de toda a pregação de Jesus”. “Os pobres de espírito são aqueles que colocam em Deus a sua confiança e que consideram os bens, não como um fim em si mesmo, não permitindo que ocupem o lugar de Deus no seu coração”, explicou D. Manuel Quintas, garantindo que a primeira Bem-aventurança é a “síntese de todas as outras”. Depois da celebração, os peregrinos seguiram numa embarcação, denominada “Lido 4”, até à cidade de Tiberíades, o­nde almoçaram, junto à margem. Durante o percurso no lago, foram feitas algumas leituras sugestivas dos acontecimentos vividos por Jesus naquele local. Dois dias depois, Tiberíades eram também atingido por um míssil enviado pelo Hezbollah. Junto à margem do Mar da Galileia, os peregrinos algarvios continuaram visitando alguns dos principais lugares que testemunharam os acontecimentos bíblicos. O primeiro foi a igreja do Primado de Pedro. Ali os algarvios puderam também, pela primeira vez, tocar na água do lago. Em Cafarnaum, ao tempo de Jesus uma metrópole e actualmente reduzida a um conjunto de ruínas, a visita incidiu sobre a antiga sinagoga, o­nde Jesus terá feito um dos seus principais discursos – o do ‘pão da vida’. Recordaram-se igualmente alguns dos muitos milagres de Jesus ali realizados. Perante o enquadramento feito pela guia, Natércia Viegas, da paróquia de São Clemente de Loulé, não contendo a emoção que estava a sentir soltou um expressivo: “Ai, meu Deus!”. Em seguida, os dois autocarros com os peregrinos algarvios rumaram para a igreja da multiplicação dos pães e dos peixes edificada no lugar do milagre de Jesus. Já no rio Jordão, – não no local que se pensa exacto, do Baptismo de Cristo, que, por fazer fronteira com a Jordânia e se encontrar cercado e patrulhado pelo exército, não tem acesso, mas uns quilómetros mais abaixo, foi realizada uma pequena celebração que terminaria com um gesto purificador e evocativo do próprio baptismo.Muitos, não resistindo à emoção de estar diante do mesmo rio o­nde Jesus terá sido baptizado, acabaram mesmo por mergulhar ou pelo menos contactar muito intimamente com aquela água. Sexta-feira, dia 14 de Julho Tendo deixado o Plaza Hotel, a sexta-feira teve início para os algarvios com a visita a Nazaré, hoje uma grande e bem considerada cidade israelita, contrariamente ao tempo de Jesus. As visitas incidiram então sobre a igreja da Anunciação, construída por cima da casa de Maria, o­nde o anjo lhe terá anunciado que iria ser Mãe do Filho de Deus e sobre a igreja de São José, construída por cima da sua residência e carpintaria, o­nde Jesus terá passado a sua infância e adolescência, a preparação para a vida pública. Durante a Eucaristia que teve lugar ali mesmo, no templo erigido sobre a casa de José, o Bispo da diocese algarvia, que presidiu à celebração, salientou a metodologia para que a escuta da Palavra de Deus produza um melhor efeito. A “escuta da palavra” com atenção, a sua “leitura” com igual concentração e a disposição para a “procurar entender”, “adaptando-a ao tempo de hoje” formam, segundo o Prelado, a chave para a disponibilização para servir a Deus, tal como fez Nossa Senhora. “Maria transformou o seu sim a Deus num sim aos outros e a sua oração em serviço”, concluiu D. Manuel Quintas. Depois da homilia, aconteceu um momento de bênção do o casal algarvio, Almerindo e Graça Mendes, que celebravam precisamente naquele dia 27 anos de casados. Seguidamente, em Caná da Galileia, os peregrinos do Algarve puderam visitar as ruínas, vestígios (incluindo algumas talhas de grande dimensão) de que seria naquele local, a casa das bodas. Os 17 casais, participantes da Peregrinação Diocesana, foram surpreendidos com uma pequena celebração de bênção de renovação dos votos de Sacramento do Matrimónio, presidida pelo Pastor diocesano. Este foi um dos momentos mais emotivos do dia, com muitos dos casais visivelmente emocionados. A descida pelo desértico interior sul de Israel, passando as montanhas até ao Mar Morto, proporcionaria aos peregrinos a experiência das altas temperaturas que por ali se faziam sentir. Tendo ainda oportunidade de vislumbrar o Monte da Tentação, o­nde Jesus terá jejuado, 40 dias e 40 noites, e sofrido a tentação do demónio, os algarvios acabariam no Mar Morto por se banhar nas águas ricas em sais minerais, um mar 7 vezes mais salgado que qualquer oceano comum.Mais tarde, teria lugar o almoço em Qum Ram, uma localidade montanhosa, em cujas grutas, terão sido encontrados os manuscritos mais antigos do Antigo Testamento, datados da época de Jesus. No caminho para Jerusalém, os peregrinos puderam ainda ver Jericó ao longe, o­nde foram evocados os episódios da cura do cego e o encontro com Zaqueu. A viagem até à capital israelita possibilitou igualmente o conhecimento de alguns povos nómadas. Chegados a Jerusalém, os dois autocarros seguiram para o Monte Scopus, com vista panorâmica para a cidade, o­nde os guias dos grupos proporcionaram uma pequena cerimónia de boas-vindas. Sábado, dia 15 de Julho No dia de sábado, os algarvios iniciaram a sua jornada peregrinante com uma visita às muralhas de Jerusalém, a capital de Israel que contém os três lugares mais sagrados do mundo para as três religiões que ali se encontram. A mesquita de Omar ou da Cúpula Dourada, por exemplo, constitui para os muçulmanos o lugar que acreditam ser o mesmo o­nde Maomé terá sido elevado aos céus e o­nde terá sido imolado Ismael. Para os cristãos, o templo tem a importância de, sobre a rocha, acreditarem ter sido sacrificado Issac. O Muro das Lamentações, por sua vez, adquire particular significado para os judeus por ter sido o que restou do antigo Templo. A uns trezentos metros dali está o Santo Sepulcro, o túmulo de Jesus, o lugar mais sagrado do mundo para os cristãos. De seguida, os peregrinos visitaram a igreja de Santa Ana, o lugar o­nde terá nascido a mãe de Nossa Senhora e depois a piscina probática (Betsaida), o­nde Jesus terá dado alguns sinais da sua divindade. Continuando para Belém, os algarvios tiveram de passar para o lado de lá do denominado “muro da vergonha”, uma parede em betão com 7 metros de altura (construída pelo Governo hebraico para tentar assegurar o fim dos atentados terroristas) que circunda o território palestiniano o­nde se encontra a cidade que terá acolhido o nascimento de Cristo. Chegados à igreja da Natividade, uma das poucas construções que não foi destruída pelos diversos povos e, por isso, o mais antigo templo da Terra Santa (com cerca de 1500 anos), os peregrinos visitaram a gruta dos mártires inocentes, o­nde estão enterradas algumas das crianças que Herodes terá mandado matar, a gruta de São José, o­nde o anjo lhe terá aparecido para o aconselhar a fugir para o Egipto com Maria e Jesus e a gruta de São Jerónimo, o­nde este terá vivido e se terá dedicado à tradução da Bíblia do aramaico para o latim. Todos estes espaços subterrâneos, sob os quais foi edificada a igreja de Santa Catarina, o templo cristão, que integra o complexo arquitectónico da Natividade, o­nde teve lugar o nascimento de Jesus e o­nde os peregrinos algarvios celebraram a Eucaristia, um dos momentos mais marcantes da Peregrinação à Terra Santa. A Eucaristia, celebrada pela intenção da paz, foi realizada segundo a liturgia da Missa do Natal do Senhor. Na homilia, o Bispo do Algarve, pediu pela paz, não só em Belém, mas em toda a Terra Santa. “Verificamos como é urgente, nos dias de hoje volvidos 2000 anos, não apenas gritar com todas as nossas forças pela paz, mas também empenharmo-nos com toda a nossa capacidade em construir a paz”, referiu D. Manuel Neto Quintas, enumerando, de seguida, “três outras colunas, às quais a paz deve ser sempre associada” e “sobre as quais se deve construir o progresso, o bem-estar e a felicidade da humanidade”: “A justiça, a liberdade e a verdade”.Repetindo o acto simbólico que acontece na celebração da Solenidade do Natal do Senhor, o gesto de beijar o Menino encheu-se de significado e foi por todos vivido, naquele contexto, de forma muito especial. Após, a Eucaristia seguiu-se outro momento dos mais significativos, vividos em Israel, o contacto com o lugar o­nde terá nascido Jesus Cristo. Nenhum dos peregrinos algarvios abdicou do sentimento de colocar a mão na estrela que assinala, sobre a pedra, o lugar do nascimento do Filho de Deus. Depois do almoço, os algarvios despediram-se de Belém e, sob um apertado sistema de controlo e segurança (que obrigou que a passagem da fronteira fosse feita a pé), regressaram a território israelita. Seguindo até Ein Karen visitaram a igreja de São João Baptista, erigida sobre o local de nascimento e gruta que sobrou da casa do precursor de Jesus, e subiram até à igreja da Visitação, o­nde Maria terá visitado a prima Isabel, também grávida.Ainda no sábado à noite, o dia santo para os judeus, Shabat, quase todos os peregrinos aceitaram a proposta da agência e realizaram uma incursão por Jerusalém à noite, tendo passado, de autocarro, pelo interior de um bairro de judeus ortodoxos e visitado o Muro das Lamentações. Domingo, dia 16 de Julho O dia começou com uma passagem pelo espaço exterior da Mesquita de Omar, seguindo-se o início da Via-Sacra na igreja da Flagelação, o­nde Jesus terá recebido os primeiros castigos. A partir dali, os algarvios percorreram as ruas o­nde se pensa que Jesus terá passado em direcção ao Calvário. Apesar da movimentação e da afluência de pessoas e de comércio, os peregrinos procuraram não se dispersar, interiorizando os momentos ali vividos e carregando a cruz de grandes dimensões. De estação em estação chegaram à igreja do Santo Sepulcro, o lugar mais sagrado do mundo para o Cristianismo, compartilhado hoje em dia por várias denominações cristãs, como os franciscanos, gregos ortodoxos, coptas e arménios.Já dentro da enorme igreja, os algarvios cumpriram as últimas estações da Via-Sacra. Primeiro, visitaram o lugar o­nde Cristo terá sido pregado na cruz, e o­nde a cruz terá sido elevada, tendo aí oportunidade de tocar no que restou da rocha do Calvário. Depois, contactaram com o local o­nde Jesus terá sido descido da cruz e, num espaço mais recuado, na sala o­nde o corpo de Jesus terá sido depositado. Aí, entrando dois a dois, tiveram oportunidade de permanecer por breves instantes em oração. Junto ao Santo Sepulcro, houve a possibilidade de se celebrar a Eucaristia daquele dia, outro dos momentos mais importantes desta peregrinação diocesana. Na homilia, D. Manuel Quintas, começou por lembrar o “entusiasmo” das mulheres, com que, naquela manhã, depois de passar o sábado, tendo-se dirigido novamente àquele lugar para completar o sepultamento do corpo de Jesus, descobriram que afinal Ele estava vivo, o que acabaria por alterar completamente as suas vidas e as daqueles com quem se cruzaram. “É a fé na ressurreição que revoluciona tudo e que deve mudar também a nossa maneira de viver”, afirmou o Bispo diocesano, sublinhando a importância da “vida eterna que nos provém por mérito da ressurreição de Cristo”. À tarde, os algarvios, depois de passarem o controlo à entrada, visitaram o Muro das Lamentações, tendo havido oportunidade para introduzir nas pedras que restaram do antigo Templo, alguns papéis com a inscrição de preces a Deus, particularmente o pedido de paz para aquele território, como fez o Papa João Paulo II no ano 2000.Ao fim da tarde, foi ainda visitado o Museu de Israel, o­nde está a maqueta de Jerusalém no tempo de Jesus. Segunda-feira, dia 17 de Julho O penúltimo dia da peregrinação foi reservado para a visita ao Monte das Oliveiras. Os algarvios começaram por visitar a capela da Ascensão, no cimo do monte, que assinala o local o­nde Jesus terá ascendido aos céus, actualmente sobre a administração dos muçulmanos (para quem Jesus tem a importância de profeta). Seguiu-se então a descida para a visita à igreja do Pater Noster, construída sobre a gruta o­nde Jesus terá ensinado a oração do Pai Nosso aos seus discípulos e a capela de Dominus Flevit, o­nde Cristo terá chorado por prever a destruição de Jerusalém. Quase na base do monte os peregrinos visitaram o Horto das Oliveiras, algumas das quais com mais de 2000 anos de idade, segundo os testes de carbono 14 a que foram submetidas.Seguiu-se a visita à igreja de Getsémani, o­nde o Senhor terá chorado lágrimas de sangue. Os algarvios visitaram ainda a Gruta da Traição, o­nde Judas terá entregue o Mestre e, de seguida, a igreja do Túmulo a Virgem, o­nde a tradição cristã situa o túmulo de Nossa Senhora, sob a actual administração de gregos ortodoxos. Saindo do Monte das Oliveiras, os peregrinos visitaram ainda de manhã o Cenáculo, a sala o­nde Jesus terá celebrado, com os seus discípulos, a Última Ceia, instituindo assim a celebração da Eucaristia. A propósito, o Bispo do Algarve lembrou que aquela sala, com pouca dignidade, por força das circunstâncias, constitui “o coração da Igreja”. “É aqui o lugar o­nde nasce a Igreja e o­nde nasce o sacerdócio”, referiu D. Manuel Quintas, garantindo que a Igreja católica está a procurar negociar a aquisição daquele lugar.Na parte inferior do Cenáculo foi visitada a mesquita o­nde pretensamente se encontra o túmulo de David. Após o almoço, a tarde iniciou-se como uma visita ao Centro Nacional de Diamantes, um sector também com peso significativo na economia do País.De seguida foi visitada a igreja da Dormição e a sua cripta (com uma imagem de Nossa Senhora adormecida), no Monte Sião, construída para comemorar a morte/dormição de Maria, e a assumpção do corpo e alma da Virgem ao céu, o­nde foi celebrada a última Eucaristia. Celebrando a liturgia da assumpção de Maria ao céu, a Eucaristia procurou ser oferta a Deus dos momentos vividos durante aqueles dias em Israel e na homilia, o Pastor da diocese confessou um desejo. “Que esta visita desperte em nós o desejo de aprofundar mais o estudo da Palavra de Deus”, concretizou.Para finalizar o dia, os dois grupos algarvios visitaram ainda o Grande Candelabro (símbolo nacional), oferecido pela Inglaterra a Israel, decorado com diversos episódios bíblicos que relatam a história do povo de Deus. Terça-feira, dia 18 de Julho O último dia em território israelita foi destinado para parte do grupo realizar algumas compras, no entanto, por solidariedade com o Líbano, praticamente todos os estabelecimentos comerciais permaneceram encerrados. Muitos dos que seguiram para o centro de Jerusalém aproveitaram ainda a última oportunidade para regressar ao Santo Sepulcro. A outra metade dos peregrinos algarvios visitou o Museu Judeu do Holocausto.Após o almoço, o­nde a agência israelita fez questão de entregar uns diplomas de “Peregrinos do Novo Milénio” aos algarvios numa cerimónia de despedida e o­nde foi entregue ao Bispo diocesano e aos sacerdotes que participaram na peregrinação três pequenas recordações oferecidas pelos peregrinos, foi tempo de rumar ao Aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv, para o regresso a Portugal.Cinco horas e meia depois do início do voo, os peregrinos algarvios eram acolhidos no Aeroporto da Portela, em Lisboa, por alguma comunicação social nacional que ansiava saber alguns pormenores da peregrinação. Por volta das 4.30 horas do dia 19 de Julho os algarvios estavam de regresso ao Algarve, depois de mais uma viagem de autocarro. Uma desistência forçada O primeiro contratempo para a peregrinação algarvia aconteceu com um dos paroquianos de Silves, João Paulo, de 49 anos, que importunado por uma dor abdominal, acabou por não seguir viagem com a sua esposa e filho. Mais tarde viria a saber-se que teria seguido para o Algarve, tendo sido operado com êxito ao apêndice, no Hospital do Barlavento Algarvio. Marcolina Manuel59 anosParóquia de S. Clemente de Loulé “É a primeira vez que cá estou. Isto não tem explicação. Já hoje chorei e estou maravilhada com o que está a acontecer. Tem sido espectacular. Ao saber que Jesus passou e esteve por estas terras, e aqui, no Lago de Tiberíades, sinto algo fora do normal. Não tem explicação”. Natércia Viegas68 anosParóquia de S. Clemente de Loulé “Aqui vemos as coisas com uma dimensão diferente. Até a Bíblia passa a ser diferente. Tudo é mais real. Ficamos a compreender melhor. Isto é muito importante e tem sido uma grande emoção e uma lição para mim”. Almerindo e Graça MendesParóquia de Silves “Sentimos uma imensa alegria que é indescritível porque nos marca muito. Primeiro, não esperávamos fazer esta viagem e depois, porque coincidiu neste dia. E sobretudo pela celebração e bênção que tivemos oportunidade de viver. Tudo isto nos disse muito. Esta é uma viagem que nos encanta. A viagem da nossa vida”. “Foi um sonho que se tornou realidade. Sentimos também afecto das várias paróquias que vieram, inclusive da paróquia de Odivelas. Todas estas coincidências marcam-nos pelo carinho com que fomos acolhidos e pelo convívio que temos vivido nesta peregrinação à Terra Santa. Este acontecimento é inesquecível. Passar pelos lugares por o­nde Jesus Cristo passou… esta vivência cristã faz-nos viver melhor o Cristianismo”. Carlos Machado, 33 anosEx-jogador de futebol do Olhanense e actual jogador do Silves “Creio que foi Deus que me deu esta oportunidade de vir à Terra Santa. Agora é altura da pré-época e reinício da temporada e era muito difícil conseguir arranjar tempo para vir cá. Falei com o presidente que me deu mais alguns dias de férias, pois, para mim, era extremamente importante aproveitar esta oportunidade para vir a Israel. Ele compreendeu e ainda bem e estou aqui muito feliz. É a primeira vez que venho a Israel e tem sido uma experiência única e maravilhosa ao mesmo tempo”. Padre Augusto de BritoPároco de S. Bartolomeu de Messines e de S. Marcos da Serra “Já tive cá várias vezes e por isso não estou a viver esta Peregrinação com a surpresa da primeira vez. No entanto penso que tem havido aspectos muito bons e outros que poderiam ser melhorados. Existe, por exemplo, uma diferença entre um e outro guia: o nosso é sucinto demais e tenho constatado que há gente bastante simples que acaba por não entender o que está a ver. Vim por curiosidade (uma vez que já não vinha cá há 6 anos), para ver a evolução que esta terra tem tido, particularmente Belém e a vivência da situação por parte do povo palestiniano. Tenho ainda, naturalmente, tentado aproveitar ao máximo a espiritualidade deste local. Espero que os meus paroquianos fiquem mais activos e que esta experiência possa servir como uma ‘lufada de ar’ nas preparações da liturgia e na formação bíblica”. Padre Carlos de AquinoPároco de Silves “Esta é a minha segunda peregrinação à Terra Santa e neste ano em que celebro 13 anos de ordenação sacerdotal é significativo e simbólico estar aqui com um grupo da paróquia o­nde agora estou e com a minha mãe. O contexto social talvez seja aquele que está a marcar mais esta peregrinação, com uma guerra que nos confunde: como é que a terra do Senhor, tão sagrada, ainda não conseguiu essa paz tão almejada e essa união e comunhão entre os povos? De qualquer maneira temos vivido com muita serenidade na fé peregrinação e para mim tem sido um grande momento de acção de graças. Espero que o compromisso dos cristãos de Silves seja aquele que foi o desafio do Bispo diocesano que preside a esta peregrinação: que na comunidade cristã de Silves se criem grupos bíblicos de aprofundamento da Palavra e que as pessoas que cá vieram sejam as primeiras no sentido do testemunho e da participação comunitária e eclesial”. João Louzeiro, 25 anosParóquia de N. Sra. do Amparo “O balanço que faço desta viagem é positivo. É muito importante conhecermos os lugares o­nde se passou toda a história de Jesus. É primeira vez que vim à Terra Santa e gostei bastante. É muito bom para reforçarmos a nossa fé. Aconselho as pessoas que possam cá vir que não percam a oportunidade. Esperemos que em breve volte a paz, pois é querida por quase todos. A questão da guerra não me preocupou, mas deixou-me triste ao pensar que existem muitas pessoas que estão a sofrer por causa dela neste preciso momento. A guerra é sempre má.Há muitos momentos que vou guardar de maneira especial, mas os momentos passados perto do Mar da Galileia são muito importantes para mim. Jerusalém também recordo pelo facto de ser o centro das três religiões que ali se encontram. Eu vou diferente, embora a minha disponibilidade na paróquia continue a ser a mesma, uma vez que estou a estudar em Faro. No entanto estou disponível para o que for preciso”.

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