A necessidade de constante formação para os catequistas foi apontada por alguns que já experimentaram as novas metodologias. Do Algarve participaram 32 catequistas. As exigências são novas, mas para ambas as partes – catequistas e catequizandos. O padre Hélder Fonseca, presente também nas jornadas para abordar o tema “Catequese e Transmissão na fé” apontou que esta formação é apenas “uma etapa na transmissão da fé”, não é a única, mas é fundamental. Na sua exposição, o sacerdote reflectiu nas dificuldades e desafios que se colocam à transmissão da fé. A transmissão da fé, relacionada intimamente com a experiência pessoal de cada pessoa, concebida a partir da relação que tem unicamente com Deus e que, assim sendo apresenta diferentes especificidades mais difíceis de controlar. A transmissão de algo herdado encontra maiores barreiras, pois “o que vale actualmente é a novidade e não o que foi herdado”, apontou. Os destinatários, por sua vez, talvez não estejam preparados para “a oferta demasiado densa para a intensidade do momento que querem viver”. O sacerdote Hélder Fonseca recordou palavras de Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est quando afirmou que “o anúncio ou a transmissão da fé não surgem por uma questão ética ou ideológica, mas pelo contacto e comunhão com Jesus Cristo”. O padre Hélder Fonseca entende a iniciação cristã como “uma necessidade e que não está restrita à celebração dos sacramentos, como até há algum tempo se via”. Perante os dados anunciados “devemos questionar os nossos métodos”. O padre Hélder Fonseca volta a frisar que a catequese é uma etapa nesse meio, mas só por si “é incapaz”. Cristina Sá Carvalho, do departamento de Formação do Secretariado Nacional de Educação Cristã reflectiu que a revisão da iniciação cristão é um processo que deve incluir as famílias, “pôr em cheque a evangelização na família”, pois indica “as famílias portuguesas precisam de ajuda”. A responsável recordou as palavras do Papa, referindo-se à necessidade de rever processos de iniciação cristã, como uma “chamada de atenção mas com optimismo”. Se o mundo se altera constantemente “precisamos de saber trabalhar com criatividade”, aponta. Por isso, recorda as palavras do Papa como um estímulo. Cristina Sá Carvalho denunciou a necessidade de trabalhar melhor o processo de desenvolvimento da fé das crianças, por isso aponta que para além dos 10 anos de catequese se deveria ter “mais três anos” correspondentes aos anos que antecedem a entrada na escola, onde as crianças “já mostram um desejo de Deus que não deveremos perder”. Sobre os novos espaços de transmissão de fé, a responsável do departamento de formação admitiu que a paróquia continua a ser um sítio especial, mas há uma reflexão que se está a desenvolver “sobretudo nas grandes dioceses”, sobre os espaços que as pessoas procuram para celebrar a fé. O facto de as comunidades de fé estarem a mudar “é um incentivo para encontrarmos outras linguagens”. A iniciação cristã propõe formar, em qualquer idade, pessoas bem estruturadas que possam viver uma vida normal na sociedade, mas “uma vida transformadora, de fé e esperança num mundo caótico, mas que pode recuperar”. Os quatro volumes da adolescência estão já finalizados e a ser experimentados. Propostas que Cristina Carvalho indicou “trazerem frescura”, irem ao encontro da “vocação do adolescente” e acrescentou ser uma proposta de catequese “mais ampla e profunda”. O primeiro ano está centrado num “despertar religioso”, uma questão que “sentíamos estar em falta”. Os cinco volumes que faltam vão permitir a uma “educação sacramental mais profunda e mais vivida pela criança” – correspondentes ao segundo e terceiro anos. Na fase de pré adolescência, Cristina Carvalho apontou como prioridade a “estruturação do conhecimento da fé mas num sentido crítico”.