Estas cinco centenas de participantes vieram das várias diocese do país, do Algarve ao Minho, sendo que o maior número de inscritos era oriundo das dioceses de Lisboa, Leiria-Fátima, Porto e Algarve. Destes, 150 eram jovens, sendo as outras mais de três centenas e meia de participantes, adultos. Da diocese algarvia participaram 25 elementos. Os trabalhos destas jornadas iniciaram-se com a comunicação de Guilherme Oliveira Martins sobre “A Igreja e o mundo num dinamismo de missão segundo o Vaticano II”. O ex-governante defendeu que “um cristão, na política, deve aspirar à santidade”. “Não há política cristã. Há cristãos na política e valores cristãos que têm de estar presentes na vida política” afirmou Guilherme de Oliveira Martins, durante o debate da conferência inaugural das Jornadas Missionárias. O orador que é presentemente presidente do Tribunal de Contas e também presidente do Centro Nacional de Cultura apresentou como exemplos, os processos de beatificação de Robert Schuman e de George Lapira, como sinal que os políticos devem aspirar à santidade. O cristão, na política – defendeu – “ não deve deixar de ter permanentemente, no horizonte” esta aspiração. O orador entrou no tema da sua palestra desenvolvendo os conceitos, “compromisso, serviço e missão”. Aliou a ideia de serviço à de compromisso. Definiu o serviço “como uma ideia indispensável em toda a vida”, nomeadamente na vida profissional. Por sua vez, ligou “o serviço aos outros” à missão. Oliveira Martins caracterizou a indiferença como o mais grave pecado da sociedade. “A vida cristã tem o seu alicerce em dois pólos – acção e contemplação. São complementares um do outro e originam o compromisso”, afirmou. Por sua vez, o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício defendeu que “a nova evangelização ou re-evangelização exige nova linguagem, novo entusiasmo e nova metodologia”. “A missão – frisou perante a assembleia – é sempre ‘ad gentes’”. Isso “nunca pode ser esquecido mesmo em nome da Nova Evangelização”. Outra das conclusões desta comunicação é que “o futuro das comunidades cristãs (igreja adulta e formada) depende da coragem com que ofereçam ao mundo os valores de Deus”. “Entre a urgência e a desmotivação, encontra-se a missão ad gentes, hoje”, afirmou. Na conferência, D. Manuel Felício, aponta duas grandes causas para esta desmotivação, ou “afrouxamento”, como lhe chamou João Paulo II. E essas causas podem ser internas e dizem respeito à vida interna da Igreja: medo de fazer opções definitivas, arrefecimento de fé. O Prelado salientou que esta última, a diminuição das manifestações de fé, seja o maior factor desta “desmotivação”. No entanto, “o diálogo inter-religioso não deve substituir o anúncio”, assinalou frisando que “vivemos numa certa acomodação”. Da ordem das causas externas, que dizem respeito ao contexto social em que estamos inseridos, D. Manuel Felício assinalou o facto de dois terços da população mundial não conhecer a Cristo e a “dificuldade de inculturar o Cristianismo nas tradições”. Motivos suficientes para a “urgência” do anúncio, salientou. João Duque, teólogo e docente da Universidade Católica defendeu que “a Evangelização é sempre nova porque inaudita e há sempre transformação à luz do Evangelho”. Logo, a Nova Evangelização “é um processo constante, de transformação à luz de cada época cultural”, distanciando-se assim do conceito de Nova Evangelização. Hoje em dia, o desafio à Evangelização actual é “enfrentar seriamente a globalização e ter coragem para denunciar que faz (globalização) dos seres humanos todos iguais, sem respeitar todas as suas diferenças”, considerou. E assim “acabámos por liquidar a própria pessoa humana”, assinalou durante a última conferência de Sábado. A Europa vive num “indiferentismo”, isto é, um “desinteresse total em relação ao Cristianismo”. Vive-se “na era do cheio em que as pessoas vivem na ilusão de estarem preenchidas”, porque “vivemos numa sociedade em que fomos programados para querer aquilo que podemos comprar. E, nada mais”. No período em que se afirma uma intensa individualidade e há uma preocupação crescente de auto-realização, proliferam os movimentos dispersos (seitas).Essencial à Evangelização é “a defesa e afirmação da liberdade pessoal de cada ser humano” e ser “voz dos que não têm voz”, salientou o professor. O pároco de Algueirão-Mem Martins deu o seu testemunho de missão, na paróquia e em São Tomé.Aos participantes, o padre Mário Pais salientou que o seu trabalho na missão se resumiu a um termo: “estar”, em vez de fazer muitas coisas. “É das coisas mais engraçadas esta coisa de estar, de ser presença”, salientou. Este ano, o grupo que acompanhou, de 8 pessoas leigas, esteve um mês em São Tomé. No próximo ano – aponta – deverão ficar dois meses. Mas, o grande objectivo é “criar lá uma base de apoio”, refere.Na sua paróquia – salientou – a missão está entranhada. Há um missionário da Consolata a trabalhar em Moçambique que é daquela paróquia. Há leigos ligados à Consolata (casos dos Jovens Missionários e das Mulheres Missionárias), entre outras experiências de missão. O que significa que “não é um projecto do padre Mário mas da paróquia”. E expressou o desejo de um encontro que reúna padres diocesanos, das dioceses de Portugal, que tenham estado a fazer experiências missionárias noutras paróquias, em países de missão. A edição de 2006 das Jornadas terminou com a Eucaristia presidida por D. Manuel Quintas e o envio de 6 leigos e religiosos que partirão, em breve, para a missão.