Apesar da quebra no número de padres, a maioria das mais de 4 mil paróquias portuguesas continuam confiadas à administração sacerdotal (99,15%) e apenas 37 comunidades paroquiais são administradas pastoralmente por diáconos, religiosas e leigos. Perante este quadro, algumas dioceses têm vindo a estudar novas soluções pastorais, procurando respostas diferentes das tradicionais formas de organização paroquial. Defendem-se a partilha das responsabilidades com os leigos e, sobretudo, novas formas de distribuição do clero pelo território diocesano, de modo a atingir um melhor equilíbrio entre as necessidades das comunidades e o número de sacerdotes. Assiste-se, por isso, ao surgimento de formas de vida e de trabalho em comum, conduzindo à criação das chamadas "Unidades Pastorais", com várias paróquias, servidas por equipas de sacerdotes, ou por estes com leigos ou religiosos, conjugando o serviço do ministério sacerdotal com outros serviços. Tendo presente este enquadramento, a Igreja tem intensificado a oração em torno das chamadas vocações de consagração e mesmo o trabalho na Pastoral Vocacional tem sido repensado. Em Abril de 2004, a Conferência Episcopal Portuguesa apresentou as "Bases para a Pastoral Vocacional", em que se propôs uma "mudança radical" na abordagem aos jovens católicos. Também no Algarve, esta preocupação tem estado presente no seio da Igreja e os últimos Programas Pastorais têm reflectido o cuidado com esta área da pastoral. Tome-se, a título de exemplo o recente apelo que o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, fez ao presbitério algarvio em dia de Quinta-feira Santa, na Missa Crismal (ver última edição). O Prelado estabeleceu esta questão como uma "prioridade pastoral" e exortou os sacerdotes ao que chamou de uma nova "cultura vocacional", defendendo que é preciso passar de uma "atitude de quem espera" para a "proposta directa". Ainda a este respeito recorde-se a mensagem que o Bispo diocesano tem passado repetidamente nas visitas pastorais que tem efectuado nos últimos tempos ou a referência que o Programa Pastoral em curso para os próximos seis anos faz a este respeito. Uma das concretizações desta preocupação para com as vocações de consagração tem sido a realização do Lausperene Diocesano que a diocese algarvia levado a cabo consecutivamente nos últimos 3 anos. Apontada pelas várias estruturas diocesanas, particularmente pelo Conselho Pastoral da Diocese do Algarve, como uma das mais significativas iniciativas pastorais, o Lausperene Diocesano tem tido lugar no âmbito da celebração da Semana do Seminário Diocesano. Promovido pela equipa formadora daquela instituição, o Lausperene mobiliza toda a Igreja diocesana, durante 15 dias, para uma cadeia de oração ininterrupta ao Santíssimo Sacramento, 24 horas por dia, assegurado pelas seis vigararias, através, sobretudo, das diversas comunidades paroquiais que as constituem, mas também das comunidades religiosas e grupos. Atravessando a Serra, o Barrocal, ou o Litoral, do Barlavento ao Sotavento, do Nordeste ao Sudoeste, esta iniciativa tem ajudado a Igreja algarvia a sentir-se mais unida e sensibilizada para esta questão. No Algarve a iniciativa mais significativa no âmbito desta semana será (conforme já publicado na útima edição) a instituição dos seminaristas Flávio Martins e Pedro Manuel, respectivamente no ministério de acólito e leitor, no dia 29 deste mês. A instituição decorrerá na Eucaristia das 18 horas do próximo Domingo, na igreja matriz de São Pedro, em Faro. No dia anterior, a paróquia de São Pedro em Faro promove uma Vigília de Oração, com início pelas 21 horas, pelos dois seminaristas que serão instituídos.