O próprio Arcebispo do Lubango, D. Zacarias Kamuenho, assim como o vigário geral, padre Gerardo Namolo, têm vindo por diversas vezes agradecer pessoalmente os apoios recebidos. O pároco entende ainda que a sua experiência como missionário “ajudou muito” a superar determinadas situações no Algarve, que classifica igualmente como “terra de missão”. Problema de Angola é a falta da formação que era assegurada pelas missões O padre Manuel Condeço considera que o principal problema de Angola “é a falta de pessoal tecnicamente qualificado, cuja formação era assegurada pelas missões” e que ao longo destes 30 anos desapareceu devido à guerra. “As missões é que tinham as escolas de artes e ofícios, escolas de professores e com a guerra tudo isso parou, embora os missionários estejam agora a recuperar de novo essa realidade”. Sublinhando as “boas memórias” que guarda de Angola, realça que o trabalho de missão era “difícil e duro” naquele tempo. “A Igreja lá era muito mais aberta e actualizada, enquanto, na altura, Viseu era ainda uma diocese bastante fechada”. Conhecedor do contexto do país, o padre Condeço não hesita em afirmar que “o armamento em Angola é proveniente da importação dos países de Leste e de Cuba, o maior fornecedor”. “As pessoas passaram à disponibilidade depois da guerra, mas não foram desarmadas e toda a gente tem armas. Não há controlo nenhum e mata-se uma pessoa como se mata uma galinha”, testemunha, recordando que alguns membros do actual Governo, bem como a maior parte dos quadros da UNITA, foram seus colegas ou seus alunos no Seminário.