A Sé de Silves, sob a jurisdição da DGEMN – Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, apresenta sinais visíveis de mau estado de conservação que nos últimos tempos se têm manifestado sobretudo através da queda de algumas partes da cobertura interior de madeira que apresenta “perigo de queda eminente”, segundo a primeira conclusão de um estudo aprofundado mandado efectuar pelo IPPAR. À FOLHA DO DOMINGO, a arquitecta Cristina Farias, técnica daquela entidade, confirmou que um ofício da Câmara de Silves à Ministra da Cultura e ao presidente do IPPAR a alertar para o mau estado de conversação da cobertura terá motivado a realização do estudo em causa e o acompanhamento do Instituto. Segundo Cristina Farias, o estudo que ficará concluido em Janeiro próximo permitirá “saber qual o real estado da cobertura para definir o projecto de intervenção mais adequado a realizar”. Entretanto, e segundo a recomendação do IPPAR, a paróquia de Silves já limitou o espaço de culto à zona das abóbadas nervuradas, onde não existe o perigo de queda da cobertura de madeira. De acordo com Cristina Farias, “a zona que o senhor padre destinou para o culto não tem problema”, pois “a pedra, para já, não oferece risco, mas não quer dizer que não tenha de ser objecto de um tratamento”. Quando à queda do reboco na fachada principal, aquela arquitecta assegura que se deveu às “infiltrações das chuvas”. “Há um descolamento da argamassa em relação ao cunhal de pedra e está perigoso”, explica, garantindo que existe a possibilidade cair um pouco mais. “Já dissemos ao senhor padre que também há necessidade de pedir à Câmara para vedar aquela parte porque é perigoso para as pessoas”, complementa. Quando ao actual estado da Sé de Silves, a arquitecta considera que os edifícios “têm a sua manutenção e agora está na altura de pensar em fazer a reparação” da antiga catedral do Algarve. “Nestes monumentos temos, praticamente, de estar sempre a fazer obras de restauro e recuperação”, salienta, recordando que “são intervenções que custam muito dinheiro”. Em relação ao estado da cobertura de madeira, Cristina Farias encontra uma explicação para o seu apodrecimento. “Os dejectos dos pombos são corrosivos e também a sua movimentação no telhado ajuda à degradação da cobertura e à deslocação de telhas, possibilitando a entrada de água”.