Já em pleno século XXI em que a cada passo se cita, por um lado, o progresso e a ciência a propósito até das coisas mais comezinhas e, pelo outro, se ouvem as teorias mais obtusas como, por exemplo, que os astros comandam a nossa vida, que as pirâmides foram construídas por extraterrestres, que há olhados, que é preciso ir à bruxa ou a esses pseudo professores africanos que curam todos os males do corpo e da alma… A acrescentar a todas estas crendices, algumas sem prés nem cabeça, apareceu ultimamente a moda de vender «relíquias» pela internet. Não nos referimos às relíquias de santos, não, mas apenas a objectos e a peças de vestuário deste ou daquele cantor cé lebre, desta ou daquela estrela de cinema, enfim, das personagens mais ou menos famosas que ocupam quer as revistas da Sociedade, quer as páginas e os écrans da comunicação social. Quase somos tentados a afirmar que, neste aspecto, parece estarmos a regredir à Idade Média o­nde a febre das relíquias gerou as maiores falsificações. A nossa sociedade enferma, hoje, de um grande “credulidade”, isto é, a criação de “crédulos” em vez de crentes. Sim, temos que distinguir estes dois conceitos, pois, há hoje por aí muito espiritualismo, mas pouca espiritualidade… De facto, entre uma coisa e outra as diferenças são abissais.Por exemplo, a fé cristã tem uma espiritualidade, enquanto os espiritualismos são autênticas deturpações ou doenças do espírito… É evidente que ser crente dá mais trabalho, acarreta outras exigências que não as do crédulo e muito menos a dos seguidores de crendices, de superstições e de esoterismos irracionais.