Assim, sem mais nem menos! Duas senhoras idosas, que podem bem retratar a mentalidade pragmática, uti-litarista, materialista e imediatista de muita gente. Para esta mentalidade, para se evitarem os maus tratos às crianças fora do seio materno, que todos vemos, co-nhecemos e certamente repudiamos, admite-se contudo que esses mesmos maus tratos possam ser perpretados, com os mesmíssimos resultados para a criança – de dor, sofrimento e morte – desde que a criança ainda viva no ventre da mãe, uma vida escondida, intra-uterina, uma vida invísivel. È qua assim, embora a criança sofra e morra na mesma, nós não vemos, nem sabemos e a consciência destas "velhinhas do Restelo" fica sossegada… É algo de semelhante com aquela máxima mediática que diz que o que não aparece na televisão não existe! Pois aqui passa-se o mesmo: Uma criança com cerca de trinta e cinco meses de vida (nove de vida intra-uterina e vinte e quatro de vida extra-uterina) é maltratada e morre na sequência desses maus tratos, toda a gente se compadece e lamenta. Contudo, se os maus tratos que levam à morte intencionalmente provocada, forem inflingidos quando a criança tem apenas dois meses e meio, ou seja dez semanas de vida intra-uterina, essas mesmas pessoas já não se indignam, nem se revoltam, nem ficam incomodadas, pelos vistos porque não vêem, e porque não vêem não sabem, de modo que para essas mentes aquilo que não se vê nem se co-nhece é como se não existisse… É este tipo de raciocínios "poucochinhos", que levam muita gente a aderir, mesmo passivamente, às teses abortistas. Mais um exemplo e a este assisti eu. Interpelou-se um homem a quem se perguntou se estaria na disposição de assinar o documento para a legalização do Movimento "Algarve pela Vida". Resposta pronta do dito cujo: Eu não assino, porque não sou nem pelo "Sim, nem pelo "Não"! Como lhe perguntassem como era tal coisa possível, porque numa coisa destas não há meio termo, ou se é a favor da vida ou se admite que ela possa ser eliminada, o referido cavalheiro respondeu ser contra o aborto, mas que em certos casos, as mulheres o precisariam de fazer! Um outro (este caso foi mesmo comigo) respondeu-me assim: Eu sou contra o aborto, claro, mas não lhe vou assinar o papel, pois tenho pessoas na minha família que já tiveram que se "desenrascar" (e até concretizou que pessoas eram essas) e embora eu seja contra o aborto, se assinasse esse papel é como se estivesse a ir contra as minhas familiares! Estas respostas foram muito elucidativas. Todas as pessoas minimamente bem formadas e a maioria das pessoas ainda são pessoas de bem, são por princípio contra o aborto, porque sabem perfeitamente que o aborto, dêem-se as voltas que se derem, redunda sempre na morte de uma pessoa. Porém, por uma questão de inte-resse, acabam por admiti-lo e tolerá-lo.