Ontem à tarde reuniu-se com a maioria dos assistentes dos agrupamentos algarvios para lhes apresentar uma visão sobre a assistência religiosa no escutismo em Portugal. Tendo começado por informar que o movimento contava em Portugal, no ano de 2008, com um efectivo de 69.566 elementos, distribuídos por 1.100 agrupamentos, o sacerdote sublinhou a “importância da formação cristã” e justificou que “Baden-Powell fundou o escutismo imbuído de uma forte componente espiritual e também cristã”. Sobre a recorrente questão se é ou não obrigatório frequentar a catequese para ser escuteiro, o padre Rui Silva foi peremptório. “Basta ler o nosso Regulamento Geral para perceber que há uma relação estreita entre a catequese e o escutismo. Tem de haver” pois “o escuteiro precisa da catequese para crescer também na dimensão espiritual”, salientou, remetendo a resolução dos casos locais para o assistente dos agrupamentos, de modo a evitar sobreposição de autoridades. O assistente nacional do CNE referiu-se ainda ao “peso” da palavra dos assistentes numa reunião de direcção. “Há matérias em que o voto do assistente é um voto de qualidade e não um entre outros. Cabe ao chefe de Agrupamento ter esta sensibilidade”, frisou, considerando que quando isto não acontece “algo vai mal”. Observando que “a relação do CNE com a Igreja, de que faz parte, está clara e fortemente definida”, o sacerdote destacou, no entanto, que “a Igreja não possui o movimento escutista”, antes “serve-se dele para a prossecução dos seus fins”. “Por isso importa valorizar este instrumento ao serviço da evangelização no respeito pela sua legítima autonomia”, aconselhou. O padre Rui Silva apresentou ainda aos colegas sacerdotes algumas prioridades no âmbito da assistência espiritual no CNE, mais conhecida no meio escutista como “animação da fé”. “Formar adultos capazes de estar em sintonia com o projecto do escutismo católico português; envolver todos os dirigentes na missão de educar na e pela fé; implementar o disposto na área da fé; e transmitir às crianças e jovens o tesouro da fé recebido em herança, especialmente através do testemunho de vida”, foram algumas das ideias apresentadas. O dirigente alertou ainda os restantes assistentes para um momento que considerou “decisivo” no desempenho das suas funções: o acto de subscrição do parecer dos candidatos ao CIP – Curso de Iniciação Pedagógica que forma os dirigentes do CNE. “Por favor, não assinem sem conhecer as pessoas”, alertou. A terminar, o padre Rui Silva aconselhou os assistentes a “marcar presença tanto quanto possível nas reuniões de direcção” e, “de vez em quando, em actividades”. O sacerdote pediu ainda aos colegas algarvios para “ajudarem na formação dos adultos e dirigentes” e para velarem pela “comunhão intra-paroquial, em especial com a catequese e grupos de jovens”. Por outro lado, disse ser importante haver um “movimento bilateral” na relação entre a paróquia e os escuteiros. “Não pode ser só a paróquia a pedir aos escuteiros sempre as mesmas coisas”, lamentou, alertando os assistentes para a necessidade de uma “postura construtiva” que “abre muitas portas”. Por fim, recomendou o “estabelecimento de critérios comuns entre Agrupamentos e paróquias” para evitar disparidade de actuações e defendeu a “abertura do CNE à comunidade com contributo na pastoral sócio-caritativa, vocacional e missionária”. Presente neste encontro com os assistentes algarvios do CNE, que foi presidido pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, esteve ainda o chefe regional do CNE, Edgar Correia, a secretária regional para a expansão e administração, Rosalinda Lourenço, o assistente regional, o padre Domingos Fernandes, e o assistente regional-adjunto, o diácono António de Freitas. O Bispo diocesano deixou claro que a diocese algarvia deposita muita esperança no movimento escutista. Hoje, sábado, o padre Rui Silva reúne-se com os dirigentes algarvios do CNE e de tarde, em Lagos, encontra-se com os Caminheiros, participando na ‘Noite Paulina’, promovida pela vigararia de Portimão, que terá lugar naquela cidade, iniciativa à qual os Caminheiros se irão associar por forma a comemorarem o dia do seu patrono – São Paulo – que tem se assinala no domingo.