À frente da delegação algarvia esteve o Bispo diocesano, D. Manuel Neto Quintas, acompanhado pelo Bispo emérito D. Manuel Madureira Dias, por dez sacerdotes e três diáconos, com destaque para o vigário geral, padre Firmino Dinis Ferro, vigário episcopal para a pastoral, cónego José Pedro de Jesus Martins e para o pároco de Loulé, padre Henrique Varela, e ainda cerca de 40 leigos, alguns dos quais familiares de D. António José, nomeadamente os seus irmãos. Pelas 22 horas do dia da sua chegada à Madeira, D. António Carrilho deslocou-se ao hotel onde se encontrava a delegação algarvia, para um encontro informal com todos aqueles que viajaram do Algarve ao Funchal. Nesse encontro fraterno o novo Bispo do Funchal foi acompanhado por monsenhor Virgílio Resende, que desde há 40 anos ficou ligado à diocese algarvia, por aqui ter trabalhado como secretário do Bispo D. Júlio Tavares Rebimbas. Na tarde de sábado, 19 de Maio, as ruas do Funchal, entre a igreja do Carmo e a Sé Catedral, encheram-se de povo e alegria para saudar o novo Bispo. O cortejo litúrgico que partiu da Igreja do Carmo e percorreu as artérias funchalenses acompanhado por uma banda de musica, muitas palmas e aclamações populares, foi integrado pelo clero da diocese do Funchal, e ainda de várias outras dioceses, nomeadamente do Porto, Lisboa e Algarve. Do episcopado e para além dos Bispos do Algarve é de salientar ainda a presença do Arcebispo de Évora, D. Maurílio de Gouveia, natural do Funchal, do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, acompanhado dos seus Auxiliares, do Bispo de Bragança e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa D. António Montes, do Bispo dos Açores D. António Braga, do Bispo da Guarda D. Manuel Felício e do Bispo de Setúbal D. Gilberto Reis. À entrada da Catedral e depois de pisar um bonito tapete de flores, D. António Carrilho beijou o crucifixo que lhe foi apresentado pelo Deão do Cabido e aspergiu a multidão com água benta. No interior da Sé, o novo Bispo era aguardado pelas autoridades regionais, Representante da República, Presidente do Parlamento Regional, Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, membros do Governo regional e autarcas, entre os quais o presidente da Câmra Municipal de Loulé, Seruca Emídio. A cerimónia que foi transmitida directamente pela RTP Madeira, foi precedida de uma longa salva de palmas que acolheu o novo Bispo já dentro da Sé. Depois de lida a carta de nomeação do Papa Bento XVI e assinada a acta da tomada de posse, D. Teodoro de Faria entregou o báculo diocesano a D. António Carrilho que depois de abraçar o seu antecessor se sentou pela primeira vez na cátedra episcopal do Funchal, donde escutou a saudação que lhe dirigiu o Bispo Emérito. D. Teodoro de Faria, que oportunamente recordou a visita que em 12 de Maio de 1991 o Papa João Paulo II realizou à Madeira, também na Solenidade da Ascensão, por isso, informou o prelado, D. António Carrilho estava revestido com a mesma casula que João Paulo II usara em 1991 no estádio dos Barreiros e até os cânticos da celebração eram exactamente os mesmos. Durante a celebração o novo Bispo do Funchal foi assistido pelos diáconos Joaquim Mendes Marques e Rogério Egídio, da diocese do Algarve, mas o primeiro a residir actualmente no Funchal e uma das notas que a comunicação social regional salientou foi a presença entre os Bispos de D. Manuel Madureira Dias, por ter sido o Bispo ordenante de D. António Carrilho em 29 de Maio de 1999 na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, destacando o Jornal da Madeira em subtítulo: “Bispo ordenante veio à Madeira”. Na homília que proferiu, D. António Carrilho dirigiu-se imediatamente aos seus diocesanos: “Eis -me aqui como Pastor da parcela da Igreja que sois vós” e citando São Agostinho anunciou “para vós sou Bispo, convosco sou cristão”, para imediatamente confessar “com emoção me senti e sinto acolhido por vós, queridos diocesanos e ex.mas autoridades da Madeira e Porto Santo, e me sinto acompanhado, numa magnífica expressão de comunhão da Igreja, por tantos Bispos, familiares e amigos vindos de Loulé, minha terra natal, e de todo o Algarve, minha diocese de origem; do Porto, onde trabalhei, durante oito anos, como Bispo Auxiliar; de Lisboa e de outros pontos do nosso País”. Comentando as leituras proclamadas, declarou que “agora, o importante é descobrir novas formas de presença de Jesus, sabendo encontrá-l’O no mais íntimo de nós próprios, no mais profundo do amor ou da dor, do desejo ou da esperança. Descobri-l’O no sorriso das crianças ou no olhar dorido dos enfermos, no sonho dos jovens ou no cansaço dos idosos, na alegria dos que lutam por um ideal na vida familiar e profissional ou na desesperança dos que sofrem tantas fomes e sedes neste nosso mundo, por vezes tão desfigurado…”. Não ignorando as expectativas em si depositadas, o novo Bispo do Funchal foi directo ao assunto: “Sei que, nesta hora da diocese do Funchal, como sempre acontece em tempo de mudança, existe uma certa expectativa e desejo de novos projectos, de novas respostas, de novo dinamismo. É um grande desafio que me tem chegado de diversos modos e que eu aceito”, mas “teremos de ser todos, em comunhão e corresponsabilidade pastoral – Bispo, sacerdotes, religiosas e religiosos, membros dos Institutos de Vida Consagrada e Leigos” a procurar juntos “a melhor forma de corresponder, como Igreja, às necessidades e aspirações do Povo da Madeira e Porto Santo, respeitando os objectivos e finalidades próprias de outras instituições e cooperando com elas naquilo que for serviço ao bem comum”. Dirigindo-se especialmente ao seu clero, o novo chefe da Igreja da Madeira comunicou-lhes que “aprecio a vossa dedicação e serviço à causa do Reino de Deus e gostaria de poder contar sempre com a vossa generosidade, nomeadamente para as visitas pastorais que juntos havemos de programar e realizar, atingindo as paróquias na diversidade das suas instituições, pessoas e actividades”, acrescentando que só um presbitério unido poderá ser gerador de comunhão e força de animação pastoral”. Reconhecendo que “não é este, ainda, o momento para apontar qualquer tipo de programa em concreto” pois primeiro “há que conhecer e saber acolher os valores e tradições cristãs das gerações passadas e olhar em frente, discernindo os sinais e as exigências do tempo presente. Na sucessão apostólica, «continuidade» e «novidade» são dois princípios que decorrem da comunhão entre as pessoas e da fidelidade à missão comum”. Contudo não deixou de apontar algumas prioridades pastorais, evidenciando as necessidades de “intensificar a (nova) evangelização e a catequese, em linguagem clara, acessível e interpelativa; proporcionar aos jovens a descoberta, o conhecimento e o seguimento de Jesus Cristo; apoiar os casais na vivência do ideal do matrimónio cristão e no testemunho convincente de famílias cristãs felizes”. Antes de concluir a sua homília o novo Bispo deu “graças a Deus pelos valores humanos e evangélicos que marcaram e continuam a marcar a vida do povo madeirense… pelas tradições e expressões de fé e religiosidade, que tantos apreciam e admiram: as «Missas do Parto», na novena preparatória do Natal; a devoção ao Santíssimo Sacramento, com as festas paroquiais do «Domingo do Senhor», por ocasião da Solenidade do Corpo de Deus; a devoção a Nossa Senhora, que é a padroeira da diocese, sob a invocação de Nossa Senhora do Monte, e padroeira de 48 das 96 paróquias existentes”. A terminar D. António Carrilho colocou-se nas mãos da Virgem Maria, concluindo, “uma vez mais confio a Maria-Mãe todo o meu Episcopado nesta diocese do Funchal – a Ela, a Mãe Soberana da Piedade, da cidade de Loulé, donde sou natural; a Senhora da Vandoma, da cidade do Porto, donde parti para vir ter convosco; a Senhora do Monte, padroeira da nossa diocese. A Maria – Mãe entrego o meu desejo de servir em simplicidade e alegria, fazendo-me ao largo e lançando as redes da missão”. No final da celebração o novo Bispo do Funchal foi cuprimentado pelos Bispos, presbíteros e diáconos, pelas autoridades e convidados, por todo o povo que o quis fazer.