A propósito deste acontecimento significativo não só para a aquela Igreja insular, mas para a diocese do Porto, onde tem sido Bispo Auxiliar desde Junho de 1999, colaborando directamente com D. Armindo Coelho e desde o passado mês de Março com D. Manuel Clemente, e também para a Igreja do Algarve de onde é oriundo, a FOLHA DO DOMINGO dá esta semana a conhecer algumas das principais características de D. António Carrilho que permanecerão na lembrança do povo que ajudou a servir na diocese do Porto nos últimos anos, bem como alguns testemunhos de quem privou de perto com o Bispo eleito do Funchal. As características mais destacadas para definir a sua personalidade são o seu "sorriso acolhedor", o seu "olhar transparente", a sua "palavra oportuna" e, simultaneamente, a "paz no coração" que transmite, bem como a sua sensibilidade, o seu dinamismo, criatividade e a capacidade de suscitar comunhão. Todos valorizam a presença de proximidade que dizem ter. O padre José Campos, pároco de Fiães, reconhece que D. António Carrilho revolucionou os hábitos locais no que se refere à realização das visitas pastorais. Recém-chegado à diocese do Porto, o Bispo Auxiliar procurou incutir uma nova mentalidade. Recordando a visita pastoral à sua vigararia, o sacerdote lembra a preparação da mesma. "A proposta do senhor Bispo foi revolucionária para os nossos hábitos: visitar escolas, doentes, fábricas, além das celebrações na igreja e encontros com os vários movimentos e forças vivas da então Vila, agora Cidade de Fiães, no concelho de Santa Maria da Feira", refere o padre José Campos, confessando ter sido "um dos dois padres que não acharam muita piada à proposta". Embora tendo terminado cansado, tal como o Prelado, o pároco de Fiães testemunha que "a visita foi um sucesso". "O meu povo estava contente e eu só podia estar feliz por causa deles", recorda, lembrando que agradeceu com "sinceridade e emoção" a D. António Carrilho. O padre José Campos salienta que "D. António Carrilho abriu o caminho e os outros senhores Bispos começaram a fazer [as visitas pastorais] do mesmo modo". "D. António Carrilho tem um carisma muito especial. Mete as pessoas no coração. Não lê discursos ao povo, fala-lhes de alma aberta", sublinha o prior. Recordando um episódio passado numa das fábricas visitadas, o sacerdote lembra que chegou com o Bispo Auxiliar a uma sala onde estava previsto um almoço, na qual apenas se encontrava a gerência. "Os empregados estavam noutra sala e, incomodado, o senhor Bispo chamou-me à parte e disse-me que não aceitava distinções", recordou o pároco, esclarecendo que os patrões, pelo facto de terem feito questão de mobilizar todos os funcionários da fábrica, tiveram de repartir os participantes por duas salas distintas, atitude que acabaria por sensibilizar D. António Carrilho. Manuel Pinto de Sousa, motorista do Bispo eleito do Funchal enquanto desempenhou funções no Porto, destaca "a sua maneira de ser, afável, simples e directa". "Ficará na minha memória para sempre como uma grande pessoa, um bom amigo e um bom pastor", acrescenta. Maria Leopoldina, coordenadora da equipa diocesana dos Movimentos e Obras Laicais da diocese portuense, considera-se uma "testemunha privilegiada" da "alegria contagiante" de D. António Carrilho, durante este tempo em que foi assistente daquele serviço diocesano. "O sorriso do Senhor Bispo vai de orelha a orelha", afirma aquela responsável, considerando que a expressão, saída dos lábios de uma criança, "expressa bem a grandeza de alma do senhor D. António Carrilho". Maria Leopoldina frisa ainda que o Prelado "não pactua com facilitismos". "Exige-se e convida-nos também a dar tudo o que podemos pela expansão do reino, com formas actualizadas e até inovadoras", complementa. Sandra Sousa, uma jovem catequista de Alvarelhos (Trofa) caracteriza o Bispo eleito do Funchal como "um verdadeiro comunicador" e lembra que, aquando da sua passagem na sua paróquia, "a juventude ficou encantada". "Falou de uma forma tão terna, com palavras tão simples, mas capazes de nos falar ao coração", recorda. A catequista destaca ainda o seu "exemplo de acolhimento e de proximidade", bem como o "sorriso nos lábios", mostrando-se "sempre disposto a seguir caminho com os jovens". Joaquim de Andrade, ex-presidente do Secretariado Diocesano do Movimento dos Cursilhos de Cristandade do Porto, neste momento em que D. António Carrilho tem oportunidade de renovar o lema da sua ordenação sacerdotal – "Como Jesus, vim para servir…" -, reconhece no Bispo eleito do Funchal "um homem de rigor e organizado". "Aprendi a admirá-lo pelo seu saber e por estar sempre disponível para as suas ovelhas. Testemunhava-nos o seu modo de estar na Igreja, de servir, de ser grato, de estar disponível, de amar, de fazer comunhão…", refere. Adérito Gomes Barbosa, ex-director do Departamento Nacional da Juventude do Secretariado Nacional da Educação Cristã, de que era então director D. António Carrilho, esclarece que o Prelado "é um homem organizado, arrumado, com uma certa sensibilidade burocrática e diplomática". "É um homem talvez demasiado prudente, mas muito sensível", realça Adérito Barbosa, acrescentando que "D. António Carrilho é um homem de trabalho e uma pessoa simples". "Não é um homem académico, nem habituado a cátedras", complementa. Tendo conhecido D. António Carrilho em 1999, quando foi nomeado Bispo Auxiliar do Porto, Benjamim Ferreira, actual director do Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e Família (SNALF) e na altura co-responsável pelo Movimento dos Focolares na região Norte destaca o "impulso" que o Pastor veio dar àquele sector da pastoral. "Começámos imediatamente a trabalhar – juntamente com outros movimentos da diocese – na dinamização de uma maior comunhão eclesial entre estas realidades laicais", explica, certo de que o trabalho não teria o mesmo efeito sem "o dinamismo, a criatividade e a capacidade de suscitar comunhão demonstradas por D. António Carrilho". O director do SNALF destaca ainda o papel de D. António Carrilho como presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família. "Ao longo deste período tenho visto conduzir, incansável, um trabalho precioso em prol do Laicado e da Família em Portugal", refere. 70 algarvios na tomada de posse A comitiva que da diocese do Algarve irá participar na tomada de posse de D. António Carrilho é composta por cerca de 70 pessoas, incluindo o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, e o Bispo Emérito da diocese, D. Manuel Madureira Dias, e vários sacerdotes. O maior grupo, com 50 elementos, incluindo D. Manuel Quintas, partiu logo na passada quarta-feira para a Madeira. Também a família de D. António Carrilho, que não integrou este grupo, irá estar representada em número significativo com cerca de 15 pessoas. Ainda de Loulé, para além do pároco das duas paróquias louletanas, o padre Henrique Varela, deverá participar também um representante do actual executivo camarário.