D. Manuel Neto Quintas, na sua homilia lembrou aos presentes que a liturgia que então se celebrava «constitui a “porta de entrada” na Semana Santa». Na celebração, concelebrada pelos cónegos monsenhor Luís Cupertino e Sezinando Rosa, e pelos padres Joaquim Nunes e Mário de Sousa, foram evocados dois episódios da vida de Cristo: o acolhimento de Jesus em Jerusalém e anúncio do drama da Paixão. Referindo-se a estas duas passagens, D. Manuel Quintas recordou que «o povo exteriorizou a sua convicção de que Jesus de Nazaré era o Messias, o Filho de Deus». Contudo, afirmou o Prelado, «ao escutarmos a narração da paixão verificamos que esta convicção, embora espontânea era muito superficial» e «não assumida, nem enraizada na vida». Sublinhando a «centralidade da mensagem da liturgia do Domingo de Ramos», o Bispo do Algarve salientou a atitude de Jesus. «Vem como o príncipe da paz, montado num jumentinho, disposto a realizar a vontade do Pai», disse. Recordando as palavras do apóstolo Paulo, o Bispo diocesano frisou o mistério fundamental da fé cristã: «Cristo Jesus era de condição divina, mas aniquilou-se a si próprio, tornou-se semelhante aos homens, obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou e deu-lhe um nome que está acima de todos os nomes». «Estas palavras de São Paulo, escutadas na segunda leitura, introduzem-nos e sintetizam-nos no mistério fundamental da nossa fé que somos convidados a celebrar nesta semana: a paixão, morte e ressurreição de Jesus, conferindo-lhe uma densidade e intensidade litúrgicas únicas e que, por isso mesmo, levam a que denominemos esta semana como Semana Santa ou como Semana Maior», sublinhou. Referindo-se à narração da Paixão de Jesus, D. Manuel Quintas garantiu que a mesma «pôs em relevo a fidelidade de Cristo em contraste com a infidelidade humana». «No momento da provação e de manifestar a solidariedade e a comunhão com o Mestre todos o abandonam, inclusivamente o apóstolo Pedro», complementou o Bispo do Algarve, acrescentando que, «ao contemplarmos a paixão de Jesus, sabemos, à luz da fé, que o Seu sofrimento assumiu o sofrimento de toda a humanidade». «A nossa convicção no seguimento de Cristo não pode ser superficial como a do povo de Jerusalém que o acolheu e aclamou como Messias e Senhor, mas depois foi incapaz de manter essa convicção. Somos convidados a celebrar os mistérios fundamentais da nossa fé ao longo desta semana para melhor O seguirmos e melhor nos identificarmos com Ele», apelou o Bispo diocesano.