D. Manuel Neto Quintas, que presidiu, pelas 10.30 horas, à Eucaristia de acção de graças pela conclusão da obra de restauro da antiga casa paroquial, após a Celebração Eucarística benzeu o espaço e descerrou, juntamente com a presidente da Câmara Municipal de Silves, Maria Isabel Soares, a lápide que assinala a efeméride no átrio do edifício. Perante uma numerosa assembleia, composta por muitas crianças, que encheu por completo a igreja paroquial, o Bispo diocesano, a partir da reflexão das leituras escutadas, sublinhou a importância da obra que iria inaugurar. «Estas obras são muito importantes em todos os lugares e certamente também aqui. E têm uma missão muito grande: proporcionar que as pessoas se encontrem, que vençam a solidão em que tantas vezes se encontram», salientou D. Manuel Neto Quintas. Estabelecendo uma relação entre a nova estrutura paroquial e o evangelho escutado, o Bispo do Algarve teceu algumas considerações sobre o episódio do cego de nascença, na piscina de Siloé, em Betsaida. «Mais do que a sua paralesia, o que fazia sofrer este doente era o facto de não ter ninguém. Por isso sempre que nós nos aproximamos junto daqueles que vivem mais sózinhos; sempre que proporcionamos condições para que os que vivem sózinhos se encontrem; sempre que criamos espaços e estruturas o­nde as pessoas possam conviver, aprender e crescer estamos a ser continuadores deste milagre que Jesus fez. Estamos a susbtituir-nos, de alguma maneira, à água da piscina de Betsaida – palavra que quer dizer casa da misericórdia, lugar do acolhimento, da partilha, da solidariedade, do encontro e da festa», afirmou o Prelado, referindo-se à importância destas infraestruturas. «É este o poder que existe quando nos reunimos para, em gesto de acolhimento e partilha, acabarmos com todas as formas de solidão em que tantas vezes andamos envolvidos», frisou. Na sessão solene, o pároco, padre Augusto de Brito, começou por recordar que o projecto teve origem num desafio proposto por D. Manuel Madureira Dias, então Bispo do Algarve. «Porque é que não pegas na casa paroquial?» foram as palavras do Prelado, recordadas pelo padre Augusto de Brito, afirmando que «assim surgiu a coragem» de iniciar a obra. O pároco fez igualmente memória das promessas da Câmara Municipal de Silves e da Junta de Freguesia local em colaborar, respectivamente, com 20 e 10 por cento do valor global da obra, bem como da disponibilidade da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de São Bartolomeu de Messines, «ao contrádio de outras instituições bancárias», para financiar o projecto somente com a garantia dos responsáveis da Igreja local. Procurando referir todas as ajudas recebidas para «levar a bom termo» a construção do Centro Pastoral e Residência Paroquial, o padre Augusto Brito lembrou a colaboração de «muitas pessoas da terra», particulares e empresas, dos seus antigos colegas de trabalho do Porto na TLP, hoje Portugal Telecom, que todos os anos, no dia de aniversário da sua ordenação lhe faziam uma visita e lhe deixavam uma «ajuda grande» e também no dia da inauguração se fizeram representar. De entre estas contribuições o sacerdote quis ainda destacar uma, atribuida «há dias», por D. Manuel Madureira Dias, Bispo Emérito do Algarve, que lhe fez também uma oferta. Aos Bombeiros Voluntários locais, o pároco agradeceu «pela maneira como sempre puseram à disposição as suas instalações para a realização de vários almoços de angariação de fundos para a construção do Centro Pastoral». O padre Augusto Brito, que se regozigou pela conclusão da obra, afirmou as suas intenções em relação ao futuro do renovado edifício. «Penso que estamos em condições de, nos tempos próximos, pôr a catequese aqui a funcionar, abrir o bar e a sala para convívio da terceira idade, dos jovens e das crianças. Não estou a pensar nos tempos próximos vir para a residência paroquial, mas fica em condições de acolher uma equipa de leigos ou padres que venham um dia apoiar esta região», disse. «Temos uma estrutura que nos pode facilitar, daqui em diante, o trabalho pastoral, assim haja gente voluntária e sejamos capazes de manter bem viva a comunidade humana e cristã», acrescentou. Aproveitando a ocasião, a autarca, Maria Isabel Soares, anunciou a «recuperação de todo o centro histórico de Messines», ao nível de infraestruturas subterrâneas, condutas de águas e esgotos, cabolagem eléctrica e antenas, num investimento que, segundo a edil, deverá custar 2 milhões e 500 mil euros. O Bispo do Algarve congratulou-se ainda porque «as autoridades uniram esforços e corresponderam ao pedido que o padre Brito lhes fez». «Estou muito feliz por o padre Brito ter tido a coragem de enfrentar o desafio que D. Manuel Madureira lhe fez», acrescentou, salientando que o novo edifício será «espaço o­nde os mais novos poderão crescer bem para olharem para o futuro com mais esperança».