No contexto da presença muito significativa de inúmeros sacerdotes do Algarve, D. Manuel Quintas referiu-se ao sentido da mesma. “A vossa presença exprime a fraternidade que nos une, a partir da nossa ordenação sacerdotal, e que nos une, de maneira particular, também a este nosso irmão António Henriques”, salientou o Bispo diocesano, considerando presença sacerdotal como uma representação de todo o presbitério algarvio. Lembrando que os fiéis presentes, particularmente vindos das paróquias onde o padre António Henriques foi pároco, eram o testemunho da herança deixada pelo sacerdote, D. Manuel Quintas, convidou igualmente à celebração da Eucaristia “com fé e esperança na ressurreição”. “Cristo ressuscitou e nós também vamos ressuscitar. Importante e decisivo é acreditarmos nisso”, frisou o Bispo do Algarve, comparando a vida a uma “tenda”, em confrontação com a “morada eterna que Deus construiu em Jesus Cristo” para cada um dos seres humanos. “E essa construção tem como alicerce a ressurreição de Cristo”, complementou o Prelado. Convidando a “olhar para a vida com um olhar de fé”, o presidente da celebração exortou os presentes a não se deterem naquilo que é “caduco e passageiro”, mas no que é “eterno e permanente”. A terminar, D. Manuel Quintas deixou ainda um apelo aos antigos paroquianos do falecido sacerdote. “A melhor homenagem que lhe podeis prestar nas vossas paróquias é manter bem viva a fé que recebestes por meio do padre António Henriques”, disse. Durante a celebração, o Bispo diocesano lembrou ainda que, “quando um sacerdote é ordenado, não é apenas para uma paróquia, para uma diocese, país ou continente, mas para o mundo todo”. “O padre António Henriques é testemunho disso. Foi um cidadão universal, particularmente através do sacerdócio exercido na Ásia”, justificou. Antes de concluir a homilia, o Bispo do Algarve referiu-se à vontade, manifestada por escrito, do padre António Henriques de ficar sepultado, no Algarve e, preferencialmente, no lugar ou paróquia onde viesse a falecer. “Isto revela o seu desprendimento”, considerou D. Manuel Quintas. Dos muitos ex-paroquianos do falecido sacerdote, a maior representação era mesmo de Castro Marim, onde foi pároco durante 39 anos, que se deslocaram a Ferragudo num autocarro, embora também estivessem muitas pessoas da Luz de Tavira e do Azinhal, entre outras partes do Algarve. O pároco de Ferragudo, padre Joaquim Soares, presidiu depois da Eucaristia ao cortejo fúnebre que rumou ao cemitério local, participado ainda por vários outros sacerdotes e diáconos algarvios presentes.