«Consciente de que tudo o que possamos referir, em breves palavras, é, necessariamente, parcelar», D. Manuel Neto Quintas salienta apenas alguns aspectos «fundamentais» na pessoa do Papa João Paulo II, e que considera «determinantes no modo como serviu a Igreja, como sucessor de Pedro». «O Papa João Paulo II deixa-nos o testemunho duma fé inquebrantável que, por sua vez, serviu de alicerce e de fonte inspiradora a duas grandes paixões: paixão por Cristo e pela Igreja e paixão pelo homem de hoje», refere, acrescentando que «o vigor do convite lançado ao mundo – abri (escancarai) as portas a Cristo – logo no início do seu pontificado, marcou a sua acção incansável ao longo de todo o seu pontificado». «O longo tempo dedicado diariamente à oração, proporcionou-lhe a coragem e a determinação dos mártires; a audácia e o fervor dos santos; a força e o testemunho dos apóstolos. Qualidades que fizeram dele um defensor destemido da dignidade da pessoa humana, sobretudo dos “sem voz”; um missionário dos cinco continentes, semeador incansável da paz e da esperança…», afirmou. Sobre os dias que precederam a morte do Sumo Pontífice e os que lhe seguiram, o Bispo diocesano garantiu que viveu esses momentos «em profunda comunhão com toda a Igreja». Apesar de estar ausente do Algarve, no Porto, na ordenação do bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo e depois em Fátima, na Assempleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, o Prelado algarvio assegura que viveu o acontecimento da morte de João Paulo II «em comunhão» com a sua Igreja diocesana, «unida em acção de graças a Deus pelo dom do Papa João Paulo II e o seu testemunho de fé, de amor a Cristo e à Igreja e a toda a humanidade». «Recordo, nestes dias, com maior intensidade o convite que ele fez ressoar no coração de toda a Igreja, no início do novo milénio – “fazei-vos ao largo” (Lc 5, 4) – o mesmo convite que Cristo lançou aos apóstolos. O testemunho da sua vida confere a este convite um vigor novo, ao qual não podemos ficar insensíveis, impelindo-nos, tal como João Paulo II nos pediu, a lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente, a abrir-nos confiantes ao futuro», lembrou D. Manuel Neto Quintas.