O Bispo do Algarve, presente nas Jornadas de Pastora Litúrgica, em Ferragudo, presidiu à celebração da solenidade de São Vicente na Eucaristia de encerramento daquela iniciativa de formação que teve lugar no Centro Pastoral e Social da Diocese do Algarve. De paramento vermelho como impõe a liturgia da Igreja quando se evocam os mártires, lembrando o sangue por eles derramado por fidelidade a Cristo, o Bispo do Algarve explicou que aquela celebração ajuda os cristãos a crescer em “fidelidade” para que a sua vida seja um “testemunho” da Pessoa de Cristo. Lembrando que “havia gente que considerava mais importante do que a vida, a sua adesão a Cristo”, D. Manuel Quintas recordou que “martírio” é sinónimo de “testemunho” que tantos, ao longo dos séculos, não hesitaram em dar, até ao ponto de entregarem a própria vida. “Eram sujeitos a chantagem para que, ainda que interiormente acreditassem em Deus, prestassem culto ao Imperador”, lembrou, tendo presente o martírio de São Vicente ocorrido há 1704 anos na espanhola de Valência, durante as perseguições movidas pelo imperador romano Diocleciano (302 d.C.) aos cristãos. A exemplo do padroeiro da diocese, cujos restos mortais permanecem hoje em Lisboa, o Bispo diocesano exortou à mesma coerência de fé os cristãos algarvios. “Vivemos num mundo em que é preciso outra vez coragem para falar, para afirmar o que somos. Porque é que só hão-de falar aqueles que não acreditam? Porque que é que aqueles que acreditam ficam calados?”, interrogou. Neste contexto, D. Manuel Quintas lembrou o impacto do testemunho de São Vicente em Portugal e Espanha. “Tal como o martírio de Estêvão na comunidade de Jerusalém ou o martírio de Lourenço na comunidade de Roma, também o martírio do diácono Vicente foi uma garantia de fortalecimento da fé para as comunidades da Península Ibérica”, constatou. Afirmando que “o sangue de mártires é semente de novos cristãos”, o Bispo do Algarve explicou o alcance da sua morte. “Os mártires «gritavam» mais alto com a sua morte do que com a sua palavra”, considerou, explicando que essa forma de viver é “ser semente”. “Um trigo lançado à terra, que se desfaz e que dá vida. Uma vida vivida como semente. Vida que se faz dom e serviço e se une a Cristo no altar, que é testemunho de Cristo. É isso que queremos ser hoje no Algarve. Ser sinais da presença de Cristo”, concluiu. A solenidade de São Vicente irá ser assinalada de modo particular, no próximo dia 22 de Janeiro, no concelho de Vila do Bispo, de que é padroeiro o diácono e mártir, sendo feriado municipal. Destaque para a procissão de São Vicente, pelas 14.30 horas, seguida da celebração da Eucaristia na igreja matriz.