A propósito dirigida pela multidão a Jesus na sinagoga de Cafarnaum, relatada pelo Evangelho do dia, D. Manuel Quintas começou por interrogar: “Que obras realizou Chiara Lubich para que o mundo, vendo, acredite em Cristo? Que obras somos nós hoje chamados a realizar para que o mundo veja e acredite?”. Convidando os presentes a ler o testemunho da vida de Chiara Lubich, falecida no passado dia 14 de Março, o Bispo diocesano lembrou o “sofrimento humano” com o qual se cruzou a fundadora dos Focolares no meio dos escombros da sua cidade de Trento, destruída pelos bombardeamentos da II Guerra Mundial. Na altura, com 23 anos, decidia, juntamente com outras companheiras, “seguir o Evangelho à letra, como Palavra viva a ser vivida e anunciada”, recordou o Prelado. “Essa decisão havia de tornar-se no rastilho capaz de incendiar a sua vida e transformar numa poderosa revolução social, capaz de tudo contagiar e incendiar a sua volta, como fogo do amor inextinguível, fogo que vivia para dar origem à Obra de Maria e ao Movimento dos Focolares”, acrescentou. Lembrando que “Focolar é uma pequena comunidade com um novo estilo de vida que tem como modelo a família de Nazaré”, “constituída por leigos, consagrados e pessoas casadas que, vivendo na própria família, se doam totalmente a Deus”, D. Manuel Quintas salientou que “o principal compromisso dos membros é viver com radicalismo o mandamento do amor recíproco para que se mantenha sempre viva a presença de Jesus”, prometida por Ele aos que estivessem unidos em seu nome. “Chiara assumiu na sua vida e legou em testamento para quantos seguem este mesmo ideal, o carisma da Obra de Maria que se exprime na Igreja de muitos modos”, destacou o Bispo do Algarve, salientando o compromisso, a fidelidade e a comunhão com a Igreja e com o Papa, bem como o trabalho em favor da unidade, da Paz e do diálogo entre povos, religiões e culturas, o diálogo ecuménico e fraternidade entre os povos. “A Obra de Maria pode ser comparada a uma única árvore com um só tronco – unidade e comunhão – mas com muitos ramos”, equiparou, enumerando as diversas dimensões do Movimento dos Focolares com origem na obra fundada por Chiara Lubich, presente em mais de 182 países com mais de 2 milhões de membros e uma irradiação entre milhões de pessoas dificilmente quantificável. Humanidade Nova, Famílias Novas, Jovens para um Mundo Unido, Jovens para a Unidade e Movimento Sacerdotal, foram alguns dos “ramos” referenciados por D. Manuel Quintas, destacando a sua vivência da solidariedade, da paz, da unidade, da fraternidade universal e da renovada evangelização. O Bispo do Algarve considerou que Chiara respondeu à pergunta do Evangelho, “deixando que o amor de Deus, revelado por Cristo e presente na Eucaristia, incendiasse a sua vida, tornando-se apóstola e testemunha da unidade e da comunhão na Igreja, edificada e vivida em cada comunidade, família e cristão e se tornasse meio eficaz de diálogo e aproximação de povos, culturas e religiões e simultaneamente de luta contra tantas formas de pobreza no mundo”. No final, exortou todos, incluindo os muitos membros da comunidade focolar algarvia presentes que animaram a Eucaristia, a serem como Chiara Lubich, “testemunhas de vida vivida com amor e resposta convincente” para todos que interrogam sobre a razão da fé e esperança dos cristãos.