Depois de ter sido acolhido no dia da chegada, à porta da igreja paroquial, pelas crianças da catequese que o esperavam para lhe entregarem, muitas, muitas flores, D. Manuel Quintas dirigiu-se aos membros daquela comunidade do interior do concelho de Loulé, uma das maiores freguesias do País, com cerca 200 quilómetros quadrados. Antes, porém, foi o pároco, o padre Fernando Pedro, que não quis deixar de apresentar as boas vindas ao Bispo diocesano. Recordando que a última visita pastoral a Salir tinha acontecido já há 11 anos, no tempo do então Bispo do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, o sacerdote manifestou a alegria “em receber de braços abertos o actual pastor, D. Manuel Quintas”. “Os vossos ensinamentos, a vossa experiência de vida, a vossa força e coragem com certeza que nos irão incentivar, animar, esclarecer, revigorar e sobretudo fortalecer aqueles membros da comunidade que se encontram um pouco dormentes ou desorientados. A vossa mensagem e sobretudo a vossa presença irá com certeza tratar o íntimo de nós mesmos, de modo a incentivar e estimular o projecto pastoral que nos foi proposto e que aqui em Salir, umas vezes bem, outras menos bem, temos posto em prática”, salientou. Procurando elucidar D. Manuel Quintas sobre o actual estado da comunidade, o prior garantiu que “o espírito comunitário que se vivia em temos na sociedade civil e que se reflectia também na Igreja está a ser minado pelo egoísmo e pelo individualismo que deteriora a pessoa humana, reflectindo-se nas comunidades urbanas, em especial, e também, infelizmente, já nas rurais”. “Não tem sido nada fácil fazer aqui uma verdadeira comunidade. Por isso, também por vezes aqui, neste «Mar da Galileia» chamado Salir, há «tempestades» muito grandes que chegam para abalar a fé de alguns, estando convencidos que o Mestre dorme, está longe e não intervém”, reconheceu, considerando que “hoje, tal como ontem, é preciso que haja alguém com autoridade que chame e que grite: «homens e mulheres de pouca fé!». “E esse alguém é vossa excelência reverendíssima”, apontou. O Bispo do Algarve, agradecendo a recepção que lhe foi feita, explicou o sentido da visita pastoral. “A minha presença, como Bispo desta diocese, não pretende ser mais do que uma referência à própria Pessoa de Jesus. É como se fosse Ele, na pessoa do Bispo, que vai visitar-vos e que se vai encontrar convosco. Gostava que o vosso olhar não se detivesse em mim, mas através de mim chegasse Àquele que é verdadeiramente o nosso Pastor, porque foi Ele que deu a vida por nós, nos amou até ao fim e quer continuar a amar-nos”, clarificou. D. Manuel Quintas desejou que, apesar das suas fragilidades e limitações, todos se deixassem conduzir por “Aquele que é o Bom Pastor”. “Ele conhece-nos, trata-nos pelo nome, conduz-nos e protege-nos”, observou. O Bispo diocesano desejou ainda que a semana fosse um “tempo de graça e de dom”. “Pela presença do Bispo é o próprio Jesus que vem animar-nos na fé para a testemunharmos com alegria e com audácia nos dias de hoje”, justificou. “Por isso vamos procurar estar muito unidos na oração ao longo desta semana para que constitua um espaço na nossa vida para nos abeirarmos mais de Cristo e crescermos mais na identificação com Ele”, exortou, garantindo que “é esse o objectivo da visita pastoral”. Mais tarde, na homilia da Eucaristia a que presidiu, sublinhou o reforço da comunhão inerente à visita pastoral. “Com a minha presença aqui é como se toda a diocese estivesse cá convosco. O Bispo torna visível a comunhão das paróquias entre si”, lembrou, acrescentando que a visita pastoral serve para incentivar a crescer mais na consciência de ser cristão, baptizado e discípulo de Jesus, pedra viva da Igreja diocesana. “Vamos viver esta semana abertos à acção do Espírito porque é Ele que supre as nossas falhas. É pela sua acção que constituímos um só corpo e uma só família”, complementou. Ao longo da semana, o Bispo do Algarve visitou a Associação de Caça e Pesca, o Centro Comunitário, a GNR, a Junta de Freguesia, a Escola do 1º ciclo, a Associação dos Amigos da Cortelha. Também se reuniu com as crianças e catequistas, os movimentos, os sectores da pastoral, o Conselho Económico e a Comissão de Festas, os jovens, os doentes e passou pelos diversos lugares, sítios e montes da freguesia. A semana ficou ainda marcada pela visita do Bispo do Algarve ao mosteiro budista “Humkara Dzong”, no Malhão, em plena Serra do Caldeirão, depois do pedido pároco de Salir a que os monges acederam desde a primeira hora (fotos, brevemente na Galeria de Imagens). O padre Fernando Pedro explicou que a visita decorreu “muito bem”, tendo a comitiva da visita pastoral sido recebida por uma responsável, embora sem a presença dos monges. Mais fotos na Galeria de Imagens