D. Manuel Quintas, que celebrou com os sacerdotes da cidade de Faro, desejou que deste ano, entre tantas iniciativas que se promoverão, quer a nível pessoal, paroquial, vicarial e diocesano, resulte uma maior consciência da “missão e da identidade e especificidade do sacerdócio na Igreja”. “Queremos celebrar esta solenidade acolhendo o sacerdócio como um dom do coração de Cristo”, afirmou, justificando o facto de a diocese algarvia não ter convergido para uma única celebração de abertura do Ano Sacerdotal. “Porque nos reunimos como diocese no dia de Pentecostes para celebrar o nosso dia com uma ordenação sacerdotal e porque nos iremos reunir no próximo dia 28 para o encerramento do Ano Paulino, foi decidido que este dia se iniciasse em cada uma das paróquias. Não queremos secundarizar esta iniciativa, queremos sim dar-lhe o relevo que ela tem em cada uma das comunidades paroquiais”, explicou, complementando que “só dentro do contexto do mistério da Igreja entendemos a especificidade do ministério sacerdotal”. Recordando ter sido a sua “primeira preocupação”, desde que tomou posse na diocese algarvia, ajudar o povo do Algarve “a crescer sempre mais no apreço por esta vocação na Igreja”, D. Manuel Quintas exortou à estima pelos sacerdotes. “Sabemos que quanto mais crescermos no apreço por este dom mais criamos o espaço para que possam surgir vocações de consagração na Igreja, sobretudo vocações ao sacerdócio”, afirmou. Por outro lado, o Bispo do Algarve deixou claro que seria “muito errado” pensar que este é o “ano dos sacerdotes e dos bispos”. “Falar do sacerdócio é falar da Igreja, da Eucaristia e de todos os dons que Deus nos concede, por isso não podemos desligar este ano e o sacerdócio daquilo que é Igreja e os outros ministérios e serviços na Igreja”, justificou o Bispo diocesano, considerando que “acentuar e crescer no apreço pelos sacerdotes não deve significar menos apreço por aquilo que é a vocação e a missão dos leigos na Igreja”. “Sempre que afirmamos a especificidade de uma vocação e ministério na Igreja não pretendemos diminuir a especificidade de outra vocação ou ministério. Sempre que clericalizamos os leigos e laicizamos os padres estamos a ficar tremendamente empobrecidos na Igreja”, salientou D. Manuel Quintas, considerando que “quanto mais crescer cada vocação na sua especificidade, mais enriquece e valoriza a outra” e que “é da harmonia de todas as vocações e ministérios da Igreja que resulta a beleza e grandeza da Igreja”. “Quanto mais nós, bispos e padres, formos na Igreja aquilo que somos, mais ajudaremos os leigos a serem aquilo que são”, referiu ainda. Recordando o Santo Cura d’Ars que a Igreja apontou como modelo para a vivência deste ano, o Bispo do Algarve lembrou São João Maria Vianney “teve muitas dificuldades para ser padre”. “Tinha poucas qualidades intelectuais e não o queriam ordenar”, referiu D. Manuel Quintas, evidenciando “a revolução que ele operou não só na sua paróquia”, com destaque para a acção social. “Ao longo deste ano teremos certamente oportunidade de perceber que aquilo que o distinguiu foi o entusiasmo com que ele vivia o seu ministério”, desejou o Bispo diocesano. Considerando que “o Ano Sacerdotal deve servir para ajudar a crescer não só no dom do sacerdócio, mas também no dom da Eucaristia e no dom da reconciliação”, o Prelado apelou a que se preserve o recolhimento do sacerdote imediatamente antes da celebração da Eucaristia e a que se mantenha o ambiente de oração e de silêncio nas igrejas antes de depois da celebrações eucarísticas.