Aos seus conterrâneos e a muitas outras pessoas que vieram de todo o Algarve e de outras zonas do país, D. António Carrilho apelou à necessidade de “famílias unidas e felizes, a dar testemunho da ressurreição do Senhor”, à mobilização de uma “juventude à procura de um ideal, à procura de Cristo para que encontre um verdadeiro sentido para a própria vida” e à disponibilidade de todos para a ajuda a quem mais precisa. No fundo, as mesmas temáticas que anteriormente já tinham dado mote à reflexão do tríduo que antecedeu a Festa Grande. “Nestes três dias em que preparámos mais intensamente a nossa festa estive convosco e procurei reflectir sobre aquilo que é fundamental à nossa vida cristã”, frisou o Bispo do Funchal, garantindo terem sido escolhidos temas “ligados ao tema cristão fundamental que é o amor/caridade”. “Na primeira noite pensámos em quanto podemos fazer se vivermos com um coração disponível para ajudar quem precisa. Há tanto bem para fazer e há tanta gente descansada parecendo que não pode fazer nada. Se nos dispusermos realmente a isso podemos fazer muito mais”, considerou. Na segunda noite, o tema foi a Família. “Queremos amor na Família para que haja famílias unidas e felizes. A Família é importante, mas temos de defendê-la e não há outra defesa para a Família senão através daquilo que é o seu fundamento: o amor”, apontou o Bispo do Funchal, considerando que sobre a Família “está tudo escrito”. “Não precisamos de mais escritos. O que precisamos é de famílias que se amem e dêem este testemunho da sua unidade, alegria e felicidade. Assim podemos dizer que o sacramento do Matrimónio é uma bênção para todos aqueles que a acolhem”, evidenciou D. António Carrilho, exortando os presentes a pedirem a Nossa Senhora amor para as famílias. Na última noite, dedicada e protagonizada pelos jovens, pediu-lhes que “procurem conhecer Jesus Cristo”. “Quando não se conhece alguém não se pode amá-lo”, lembrou. Reconhecendo aquela celebração como uma “manifestação pública da fé, devoção e amor que nutrimos por Aquela que, no alto da cruz, nos foi dada como Mãe”, o prelado, na homilia da Eucaristia que antecedeu a simbólica procissão, exortou ainda os presentes a olhar mais além. “Quando olhamos para a imagem de Nossa Senhora lembramos Cristo morto nos seus braços, mas lembramos com a fé e a alegria de quem recebeu o testemunho da ressurreição da parte dos apóstolos e de Maria”, sublinhou, considerando aquela festa como uma “rica ocasião” para reavivar a fé. “Que a Festa de Nossa Senhora da Piedade traga algo de novo à nossa vida. Não só uma devoção que se exprime e manifesta, não só o louvor pelas graças recebidas e que queremos trazer aqui, mas que traga luz e força aos nossos corações para podermos percorrer os caminhos da vida com sentido (mesmo quando nos toca a cruz do sofrimento) por sabermos que a Senhora da Piedade está connosco e nos acompanha”, desejou. Após a Eucaristia, seguiu-se então o adeus da padroeira à sua terra com a procissão que percorreu as principais ruas da cidade e a subida final, fortemente simbólica, de regresso ao santuário mariano situado no alto da colina sobranceira à cidade. Os oito homens-do-andor, vestidos de calças e opas brancas, subiram uma vez mais o íngreme cerro ao ritmo da música e com a população a exibir-se em manifestações diversas, que por vezes tornam ténue a fronteira existente entre o profano e o sagrado. Ao esforço dos homens que transportam a Virgem Maria, alia-se a força espiritual dos muitos fiéis que, em vivas a Nossa Senhora, acenando lenços, ou em passo vivo e na cadência musicada dos homens da banda, vão «empurrando», no calor da fé e calçada acima, o pesado andor da padroeira. Já no santuário, o Bispo do Funchal, após ter aludido àquele cortejo litúrgico como uma peregrinação com Nossa Senhora, de porta em porta, pedindo uma bênção para aqueles que ali residem, voltou a apelar ao avivamento da fé. “Poderia fazer uma pergunta. Não para me responderem, mas para cada um responder a si mesmo: Como vai a fé de cada um de nós? Uma fé viva? Adormecida? Morta? Agitada por ventura nestes dias festivos?”, interrogou D. António Carrilho. “Precisamos das festas e momentos especiais para mexer connosco, apontando-nos caminhos para a vida de todos os dias e não para ficarmos apenas num dia que é especial”, complementou, advertindo que “a fé sem obras é morta”. “A fé projecta-se nas obras do amor”, acrescentou, apelando à ajuda e atenção mútua, à paz, união e concórdia, considerando ser necessário “arrancar os espinhos cravados na vida de muita gente”. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens