Detendo-se detalhadamente sobretudo na contextualização da sociedade e dos problemas da época, na análise e motivação dos escritos paulinos e na sequenciação do itinerário percorrido por Paulo, o Bispo Emérito do Algarve constatou que a “«praga» da divisão dentro da Igreja vem destes tempos” e que a “«praga» de haver sempre umas vozes discordantes a tentar voltar ao conservadorismo também já existia no tempo de Paulo”. D. Manuel Madureira Dias observou que “anunciar a Boa Nova de Cristo hoje, tal como no tempo de Paulo, não é tarefa fácil”. “Hoje o Evangelho é uma proposta de vida que entra em choque com o mundo paganizado, onde se cultivam os «deuses» e se recusa, muitas vezes, prestar culto ao Deus vivo, verdadeiro e único”, complementou, interrogando: “quem se disporá a acolher Deus e os seus planos, se anda mergulhado e embebido noutros planos como o do dinheiro, do poder, do prestígio, do prazer, das honrarias e vaidades deste mundo?”. “Este tipo de idolatria existia no tempo de Paulo e continua a existir nos nossos dias. Também hoje, como então, existem os pseudo-intelectuais, os assim chamados homens da cultura, que dispensam tudo quanto transcende à razão humana e consequentemente não aceitam Deus ou consideram que não vale a pena pensar n’Ele e nas exigências da sua revelação. O mundo em que vivemos debate-se com um fosso enorme existente, também como no tempo de Paulo, entre ricos e pobres e não faltam no nosso tempo outro tipo de escravaturas modernas que toda a gente sabe identificar. Hoje existem autoridades que, não nos ameaçando com prisão, dificultam, o mais que podem, o anúncio de Cristo porque pregam um laicismo por meio de todos os poderosos instrumentos de que dispõem”, caracterizou, passando a identificar a acção que se impõe hoje, tendo em conta o modo como Paulo evangelizou. Considerando que o apóstolo “evangelizou com grande ardor apostólico”, “com uma linguagem adaptada aos ouvintes”, com “uma metodologia ainda actual”, em que “os que presidiam à comunidade eram seus coordenadores para a fazer crescer na fé e isso acontecia em pequenos grupos”, “comunidades que reuniam em casas de famílias convertidas ao Senhor Jesus”, que “procurou a colaboração dos leigos”, e que “mantinha contactos frequentes com as comunidades”, D. Manuel Madureira Dias aconselhou a Igreja particular do Algarve, a fazer o mesmo, sublinhando que “quem verdadeiramente encontrou Cristo não pode guardá-l’O para si”. “Se as circunstâncias do mundo presente têm muito de comum com o tempo de São Paulo, busquemos nele a inspiração para o nosso trabalho apostólico, para além de um amor apaixonado por Jesus Cristo, lembremos algumas das suas linhas de acção que se conservam ainda actuais: uma grande paixão missionária deve ser cultivada, a primazia ao trabalho com pequenos grupos, a adaptação da linguagem aos destinatários, a entrega aos leigos das tarefas que lhe são próprias e a responsabilização pelo seu desempenho, os contactos frequentes com as comunidades que vão crescendo na fé e no amor a Jesus Cristo”, exortou, lembrando que “para quem coloca no Senhor todo o seu ser, face a Ele tudo é considerado como lixo e como perda”. “Se verdadeiramente acreditamos no mistério da morte e ressurreição de Cristo temos de nos render diante do amor que Ele nos tem. Então necessariamente nos apaixonaremos por Ele como o Apóstolo. Se Cristo deu a vida por nós, também nós devemos dará a vida por Ele. É por isso que somos convidados a dar tudo para O anunciar e dar a conhecer”, concluiu. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens