Referindo-se à “profunda união de Maria com Jesus e de Jesus com Maria”, o conferencista evidenciou que a Nossa Senhora “não se arroga direito de ser Mãe de Jesus”. “Não foi por uma conquista que Maria se tornou Mãe de Jesus, foi por um privilégio e por uma prorrogativa. É um dom”, justificou D. Manuel, acrescentando que “esta dignidade, sendo um dom gratuito, encontrou em Maria um coração aberto e receptivo”. “Neste mistério de Jesus Cristo, da sua encarnação, da sua gestação e nascimento no seio de Maria há dom da parte de Deus, mas há receptividade da parte de Maria. Se porventura se recusasse a responder positivamente ao convite que lhe era dirigido, não teria acontecido o mistério da encarnação do modo que aconteceu”, complementou o Prelado, salvaguardando que “Deus tem o seu plano salvador e havia de realizar a salvação dos homens de qualquer maneira”. Realçando o antagonismo entre os acontecimentos de Adão e Eva e de Jesus e Maria, D. Manuel sublinhou que “enquanto o par que comprometeu a nossa vida era um homem e uma mulher, embora marido e esposa, agora é Mãe e Filho, mas não há dúvida de que Deus quis associar todo o género humano a este grande acontecimento”. Embora tivesse mostrado, com recurso a várias passagens da Bíblia, que Maria esteve presente em toda a vida de Jesus, o conferencista deteve-se em dois grandes acontecimentos como “os mais importantes”: a associação de Maria à morte de Jesus e associação de Maria à ressurreição de Jesus ou seja a associação de Nossa Senhora ao mistério pascal. Estabelecendo uma relação entre os acontecimentos das bodas de Caná e do Calvário, D. Manuel lembrou que “é quando a hora de Jesus chegou que Maria entende para que é que foi Mãe”. “Na hora em que Jesus está no Calvário a dar a vida pela humanidade para salvar os homens todos, Maria está lá identificada com a sua hora”, salientou, explicando que “Maria não pode, no Calvário, recusar oferecer o seu Filho porque afinal foi para isso que Ela foi feita Mãe”. “Maria está de pé em atitude de quem oferece aquilo que Deus queria que fosse oferecido pela salvação do mundo”, reforça o Bispo Emérito do Algarve, referindo-se à “identificação interna e à união mais profunda” entre Mãe e Filho. “A missão de Maria ali culminou a sua maternidade. Ela foi Mãe biológica para chegar a este momento e se identificar como Mãe espiritual na fé, identificada com todo o projecto salvador de Jesus Cristo”, acrescentou D. Manuel, sublinhando que “em Maria funcionam dois níveis de relação com Jesus: a relação humana, física e biológica e a relação como mulher de fé que acompanha o mistério do seu Filho”. O conferencista frisou ainda que “a partir da morte de Jesus, Maria é inseparável da comunidade dos fiéis que acreditam”. “Ninguém pode imitar Maria como Mãe biológica de Jesus, mas todos podemos imitar Maria na fé”, exortou o Bispo Emérito, lembrando que “Maria foi a mulher que não soçobrou perante as dificuldades e problemas do caminho, mas que chegou até ali forte enquanto os apóstolos debandaram todos menos João”. E porque “a morte está muito relacionada com o pecado”, D. Manuel destacou que “se Nossa Senhora está associada ao vencimento do pecado, na medida em que está unida ao Salvador, também tem de estar associada ao vencimento da morte”. A propósito, lembrou a definição, em 1950, pelo Papa Pio XII, da assunção de Nossa Senhora ao céu. “Assim como nós havemos de ressuscitar, Maria também havia de ressuscitar. Dada a sua profunda união e identificação com Cristo, morto e ressuscitado, Ela andou à nossa frente: em vez de esperar pelo tempo final da ressurreição, Deus associou-a já em corpo e alma à ressurreição do seu Filho”, explicou D. Manuel, mostrando que “não há ninguém que esteja tão unida ao Filho, também na glorificação e na ressurreição, como Maria”. “Dá-nos a certeza de que já temos alguém da nossa raça e tamanho de criaturas completamente glorificada junto de Deus para garantir a nossa ressurreição futura”, concluiu o conferencista.