D. Manuel Quintas iniciou o ano de 2009, neste contexto, colocando a Diocese do Algarve sob a “protecção materna” de Nossa Senhora, manifestando igualmente a vontade de que se inicie o ano sob o signo da Paz, aproveitando precisamente a comemoração do Dia Mundial da Paz que se assinala igualmente no primeiro dia de cada ano. Por outro lado, o Bispo diocesano pediu ainda a bênção de Deus sob toda a humanidade, para todos os povos e nações, “particularmente por aqueles que andam envolvidos em conflitos armados, concretamente em Israel e ainda sobre quantos se empenham em combater a pobreza e construir a paz”. Centrando a sua intervenção na análise da mensagem do Papa para este dia, intitulada ‘Combater a pobreza, construir a Paz’, D. Manuel Quintas sublinhou a importância de se crescer na consciência do contributo comunitário para a paz. “É importante crescermos sempre mais na consciência de que a construção da paz e o combate à pobreza depende também de cada um de nós”, considerou o Bispo do Algarve. A propósito da tão falada crise financeira mundial que ensombra o ano que agora teve início, numa curiosa analogia ao dia cinza carregado que trouxe muita chuva também ao Algarve, D. Manuel Quintas observou que, “quando se procura o lucro e não o crescimento harmonioso e o desenvolvimento de todos os povos e nações, facilmente se pode cair em situações como esta”. Mais adiante, o Bispo diocesano considerou “muito importante o envolvimento de todos para vencer as crises”, pois, defendeu, “só com o contributo de todos é que é possível ultrapassar as dificuldades que se adivinham”. Por outro lado, o Bispo do Algarve, citando Bento XVI, lembrou que o combate à pobreza “implica uma análise atenta do fenómeno complexo que é a globalização” e não esqueceu de que também “existem pobrezas imateriais, que não são consequência directa de carências materiais” como a “pobreza relacional, moral ou espiritual”, normalmente associadas a “pessoas desorientadas interiormente, que apesar do bem-estar económico, vivem diversas formas de transtorno” causadas por exemplo pela falta de afecto, ou pela solidão. Ainda no âmbito do combate à pobreza, D. Manuel Quintas destacou a ideia de que “não é o facto de se investir na diminuição da população que faz diminuir a pobreza”. Lembrando que “as crianças são as vítimas mais vulneráveis da pobreza”, afirmou que manter “a falta de apoios para a natalidade é hipotecar o progresso do futuro”. Recuperando a relação estabelecida pelo Papa entre desarmamento e progresso, defendeu ser preciso que “as nações desenvolvidas apostem mais no progresso e na partilha com os povos que nada têm, do que com o seu armamento o comércio de armas”. Citando Bento XVI, o Bispo do Algarve lembrou afirmou ainda que “a crise alimentar actual é caracterizada não tanto pela insuficiência de alimento, como sobretudo pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fenómenos especulativos e, consequentemente, pela falta de um reajustamento de instituições políticas e económicas que seja capaz de fazer frente às necessidades e às emergências”. Lembrando o Papa João Paulo II advertiu para a necessidade de não considerar os pobres como um fardo e destacou, por parte da Igreja, “o amor preferencial pelos pobres”. A terminar, considerou que a acção de “combater a pobreza para construir a paz precisa do empenho de homens e mulheres que vivam profundamente a fraternidade e sejam capazes de acompanhar pessoas, famílias e comunidades por percursos de autêntico progresso humano”. D. Manuel Quintas evidenciou que a construção da paz é “condição essencial para o progresso e bem-estar de toda a humanidade e garantia de um mundo melhor”.