“Isso aconteceu comigo e, por aquilo que pude verificar, com toda a CEP”, testemunhou o Bispo diocesano, que explicou o sentido da Visita ad Limina como “uma peregrinação a Roma, aos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo”, que adquire por isso mesmo um “carácter marcadamente espiritual, de revisão de vida pessoal e diocesana”. E se com o Bispo vai toda a diocese, “é toda a diocese que deve olhar para si mesma, confrontar-se com a pessoa de Cristo, com o Evangelho e com o modo como aqui no Algarve, está a ser fiel a Cristo e ao Evangelho, a ser sal, luz e fermento”, complementou. D. Manuel Quintas explicou ainda que o encontro da passada sexta-feira que teve, conjuntamente com D. Manuel Madureira Dias, com o Papa foi “muito cordial e fraterno”. Apesar do cansaço destes encontros pessoais de 15 minutos com cada uma das dioceses, e de termos sido os últimos a ser recebidos ao fim dessa manhã, o Papa foi muito atencioso, próximo, afável e interessado pelas pessoas e também pela diocese”, observou. A prova disso, refere D. Manuel Quintas “é que antes de falar da diocese, o Papa mostrou interesse em conhecer a origem, o percurso e a situação pessoal de cada Bispo. Concretamente de D. Manuel Madureira Dias interessou-se por saber também onde residia, as suas limitações de saúde, revelando-se muito agradado pelo modo como, apesar disso, continuava a servir a Igreja em Portugal. No fim da visita, fiquei com a impressão de que nos recebeu como se fôssemos os únicos a ser recebidos nesse dia”. O Bispo do Algarve explicou que o diálogo, em italiano, teve início a propósito da característica marcadamente turística da diocese algarvia. “O Papa tem isso bem presente”, referiu D. Manuel Quintas, confirmando que Bento XVI “estava minimamente informado sobre o Algarve, a partir de uma pequena síntese, feita com base no relatório enviado alguns meses antes”. O Bispo diocesano afirmou ainda ter explicado ao Santo Padre, que apesar de haver “muitos baptizados, – praticamente a maioria e que se dizem católicos –, há no entanto uma percentagem muito baixa de prática dominical”, o equivalente a apenas “10 por cento dos 400 mil habitantes algarvios, segundo o último censo”. “Isto é de estranhar”, constatou o Bispo diocesano, acrescentando que “não podemos ser seguidores de Cristo apenas de nome, ocasionalmente ou de modo intermitente”. “O ser discípulo de Cristo deve ser vivido de modo consciente, em todas as situações da vida e alimentado pela participação na eucaristia dominical. Quem se diz cristão, seguidor de Cristo, deve testemunhar de modo decidido a própria fé e não a reduzir a algo privado, silencioso, sem incidência na sua vida e nas suas opções pessoais e, sobretudo, sem referência à comunidade e à Eucaristia dominical. Aqueles que se dizem cristãos devem sentir-se interpelados a viver de uma maneira mais consciente e operativa essa opção”, complementou D. Manuel Quintas. O Bispo diocesano explica que falou também com Bento XVI sobre “as opções pastorais que inspiram e norteiam actualmente a vida diocesana”: a Família, com as dificuldades que lhe são inerentes, no contexto nacional e europeu, e a pouca protecção da legislação actual…; a dimensão sócio-caritativa e a pastoral vocacional. No âmbito desta última dimensão, D. Manuel Quintas acrescenta que referiu concretamente os dois diáconos que irão ser ordenados no próximo domingo, tendo o Santo Padre destacado que, “sempre que há ordenações, é motivo de grande alegria para o Bispo da diocese”. D. Manuel Quintas testemunhou ao Papa ser igualmente “uma alegria para toda a Igreja diocesana que tem vivido, acarinhado e rezado pelas vocações, sentindo-se assim animada a prosseguir nesse mesmo empenho vocacional”. Bento XVI não adiantou na ocasião qualquer orientação concreta em relação à diocese algarvia, até porque, esclarece D. Manuel Quintas, “o encontro com o Papa é mais de carácter fraterno”. Não deixou, no entanto, de saudar, na pessoa dos Bispos, toda a diocese e ao expressar a sua proximidade com os Bispos manifestou-a também em relação a cada algarvio, a quem abençoou e encorajou a viver e a testemunhar a fé, desejando o maior crescimento, sobretudo de ordem espiritual, àqueles que constituem a Igreja do Algarve”. “Os aspectos mais concretos – continuou D. Manuel Quintas – são tratados nos encontros com os Dicastérios Romanos e os Institutos Pontifícios. Em cada um deles abordam-se os sectores da pastoral que lhes dizem respeito. Há oportunidade de esclarecer afirmações colhidas dos relatórios, dialogar sobre opções pastorais concretas, apontar caminhos de solução para algumas questões. É a partir destes encontros que depois se tiram conclusões e se apontam opções concretas de acção pastoral, algumas delas referidas no discurso conclusivo da Visita, proferido pelo Santo Padre”, referiu o Bispo do Algarve. D. Manuel Quintas explica o significado pessoal que este encontro teve para si. “Como Bispo senti-me muito encorajado e estimulado”, testemunhou, salientando, ao mesmo tempo, que “gostaria que toda a diocese – a começar pelos párocos e por aqueles que de forma mais directa com eles colaboram -, se sentisse encorajada em crescer mais como Igreja diocesana, apesar das dificuldades, e em desenvolver mais a dimensão da comunhão, da fraternidade e da corresponsabilidade e sobretudo em contribuir para que sejamos uma Igreja viva, onde se celebra a fé com alegria, se vive e testemunha a esperança e onde não se tem medo, em todas as circunstâncias, de fazer com que a fé marque e qualifique a própria vida e determine as próprias opções, inclusive as de âmbito social e político”. O Bispo diocesano explicou ainda que a alteração do dia do encontro papal com a diocese algarvia se deveu ao facto do programa do Papa ter sofrido uma alteração não prevista: na segunda-feira presidiu a uma Eucaristia, na Basílica de São Pedro, pelos Bispos e Cardeais falecidos neste ano. Isso levou a ajustamentos no programa da Visita, que permitiram que o Papa recebesse todos os Bispos antes da audiência final o que, inicialmente, não estava contemplado. Imediatamente antes do encontro com o Papa, Bento XVI cumprimentou alguns sacerdotes acompanhantes dos Bispos, entre os quais o padre Mário de Sousa, sacerdote algarvio, a estudar em Roma, e dois presbíteros dehonianos igualmente estudantes naquela cidade, de quem D. Manuel Quintas foi mestre de noviços e Superior Provincial. Depois do encontro pessoal com o Papa, os Bispos Titular e Emérito do Algarve voltaram a estar com Bento XVI no dia seguinte, 10 de Novembro, na audiência geral com todos os membros da CEP. Os Bispos portugueses ficaram alojados no Colégio Português, onde ficou D. Manuel Madureira Dias, e na Casa de Santa Marta, dentro do Vaticano, onde habitualmente ficam os Cardeais durante o Conclave, onde ficou D. Manuel Quintas. O Bispo do Algarve, salientou o bom acolhimento e o bom ambiente que encontraram no Colégio Português. A começar no seu actual reitor e passando por todos os que, neste memento, ali residem deram um contributo fundamental para o desenrolar e bom êxito desta Visita ad Limina, manifestando a toda a diocese algarvia, o seu testemunho de reconhecimento e gratidão. Papa Bento XVI nunca esteve no Algarve A propósito do carácter turístico da diocese do Algarve, D. Manuel Quintas salientou que o Papa reconheceu o Algarve como “um bom lugar para se passar férias”, até porque se referiu a alemães, compatriotas seus, que optam pela região algarvia para passar férias. No entanto, Bento XVI confirmou ao Bispo do Algarve nunca ter tido a oportunidade de conhecer esta região. Apenas visitou Lisboa, Fátima, Coimbra, Porto e Braga.