Depois de ter sido recebida no Malhão, localidade na fronteira entre as duas freguesias, a imagem da Virgem de Fátima chegou numa carrinha branca de caixa aberta que encabeçava o desfile de motos e carros e que transportava também o pároco daquelas duas paróquias, o padre Carlos César Chantre. Depois de entrar no recinto da escola, a imagem mariana foi recebida pelo rufar dos tambores da fanfarra do Agrupamento 551 de Lagoa do Corpo Nacional de Escutas e coroada, em nome do pároco, por um representante de Boliqueime, tendo o prior destacado a visita da imagem de Nossa Senhora como “grande graça para Boliqueime”. “Alguns milagres aconteceram em Paderne, outros vão acontecer em Boliqueime”, almejou o sacerdote, advertindo para uma condição necessária para que isso aconteça. “É muito importante que os nossos corações se abram”, complementou, garantindo que a visita a pelas terras de Paderne “fez mexer com aquela boa gente padernense”. Recordando o percurso desde o Malhão, manifestou com admiração a recepção à imagem da Cova da Iria. “Fomos encontrando pessoas, espalhada pelas ruas, caminhos e montes, com altares e velas às suas portas. De facto, a Nossa Senhora de Fátima é um fenómeno em Portugal”, constatou. Depois das palavras introdutórias do pároco seguiram-se as homenagens prestadas pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Boliqueime e pela Banda Filarmónica de Paderne e deu-se início à procissão de velas até à igreja matriz. No acolhimento a Nossa Senhora de Fátima, o padre César Chantre explicou que “não foi por acaso que o Bispo do Algarve pediu insistentemente ao Santuário que deixasse vir esta imagem peregrina”. “É que o Algarve precisa urgentemente de revisitar a sua história espiritual e de se fortalecer na sua fé e sentimentos. O Algarve precisa de respeitar muito os estrangeiros que o visitam, mas fundamentalmente tem de fazer com que os estrangeiros respeitem muito o Algarve. E para que os estrangeiros respeitem o Algarve é necessário que os algarvios não tenham medo da sua fé, cultura e de serem Portugal. E Portugal é a terra de Santa Maria”, observou. Aos muitos presentes que não couberam todos na igreja paroquial continuou a relembrar a relação secular de Portugal a Maria. “Peço aos jovens que não admitam que na nossa terra haja outra cultura senão a cultura dos nossos avós: a cultura de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi assim que nasceu Portugal em 1143, foi assim que D. Afonso Henriques quis que o Condado Portucalense evoluísse para Portugal. Portugal, quando nasceu nas terras de Guimarães, já antes tinha cristãos a ocupar o seu território. Portugal não tem outras fontes senão a Lusitânia, a Pátria Lusa que tem a ver com Jesus Cristo. Mas Jesus Cristo para existir teve de ter uma Mãe”, referiu, considerando que “a Mãe de Jesus só existe por causa do seu Filho e para que haja fé”. A propósito dos milagres a que se referira momentos antes na chegada à escola, explicitou que “o maior milagre que Nossa Senhora pode fazer é que os nossos corações se tornem mansos e palpitantes de sentimento de solidariedade e de fraternidade”. “De facto, a Nossa Senhora de Fátima influencia Portugal. Estamos gratos ao Bispo que fez com que a imagem viesse até cá, mas esta imagem nada fará se os nossos corações não quiserem”, concluiu. A imagem tem percorrido a paróquia de Boliqueime durante esta semana e amanhã à noite será entregue à paróquia das Ferreiras. Mais fotos na Galeria de Imagens