Segunda-feira 19 de Agosto de 2019
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Cabo-verdianos e demais africanos no Algarve fizeram festa nas Ferreiras

Aquela comunidade acolheu, uma vez mais, o Encontro de Cabo-verdianos residentes no Algarve que teve início com a celebração da Eucaristia na igreja paroquial, seguido de almoço-convívio. Conforme fez questão de recordar o padre Carlos César Chantre que presidiu à celebração, também ele natural de Cabo-Verde, tudo começou há 12 anos atrás, quando no Santuário da Mãe Soberana, se iniciou um convívio que se estendeu até aos dias de hoje. E actualmente, não são apenas participantes os cabo-verdianos. “O grupo foi crescendo – explicou o sacerdote – e agora estão connosco os são-tomenses, os guineenses, os moçambicanos e alguns angolanos”. “Esta conjugação de esforços ajuda-nos, aos africanos, a sentirmo-nos em casa”, considerou o padre César Chantre, referindo-se de forma particular às entidades apoiantes do evento. Na sua homilia, o padre César Chantre lembrou que “Jesus Cristo baralhou todo o esquema mental da sua época”, ensinando que os homens são irmãos e “que se devem dirigir a Deus por Pai”, “que devem amar-se como Ele os amou” e “que não há senhores, nem escravos, mas homens livres”. “Esta revolução – considerou o padre César Chantre – tem de vir do fundo da alma”. “As revoluções que só vêm pela palavra e pela cabeça não são revoluções, são ódios de classes. E quem semeia ódios há-de colher violência. Todas as vezes que alguém, em nome de Deus, semeou ódios, a sociedade tremeu e esse alguém condenou-se”, complementou o sacerdote. “E foi neste ambiente de ódio que no primeiro de Maio de 1955, o Papa Pio XII, perante cerca de 200 mil trabalhadores, proclama São José como seu padroeiro e patrono”, recorda o padre César Chantre, acrescentando que a razão do gesto do Santo Padre: “o primeiro de Maio tinha nascido com bons propósitos, mas sem alma”. Às largas centenas de participantes no encontro, que classificou simultaneamente como um “abraço afectivo para que as minorias deixem de ser minorias e as maiorias deixem de ser maiorias” e como um “mosaico da educação de um povo para a humanização da cultura”, garantiu que “para Deus não há fronteiras, há cidadãos do mundo, agrupados em nações segundo a sua cultura”. O celebrante que por vezes, falou em crioulo, considerou ainda a Europa “um continente que está a precisar urgentemente de sangue novo”. “Venham mais negros para terem mais filhos e ensinarem aqui na Europa como é que é, pois daqui a 50 anos não sei como é que será”, apelou o sacerdote em alusão ao envelhecimento acentuado nos últimos anos do velho continente. A Eucaristia de acção de graças contou ainda, para além da presença de um numeroso grupo coral, com a participação de Titina que cantou nas mornas e coladeiras a saudade que os portugueses deixaram naquelas terras e que os cabo-verdianos e demais africanos sentem de uma forma especial. Momento significativo foi também o ofertório dançado que acabou por contagiar o presidente da celebração. Presentes estiveram também o Cônsul de Cabo Verde, José Afonso Duarte, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Desidério Silva, o representante do Governo Civil do Distrito de Faro, João Leal e o director da Segurança Social do Algarve, Jorge Botelho.

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