A Eucaristia de Abertura do Ano Académico, na Sé Catedral de Faro, marcou o reinício das actividades promovidas pela Capelania da UALG, depois do período de férias e procurou, como explicou o sacerdote à FOLHA DO DOMINGO, proporcionar um momento de conhecimento entre alunos, professores e demais membros da comunidade académica. Na sua homilia, o capelão apelou à “humildade intelectual” dentro da instituição. “O problema da humildade intelectual é uma luta tremenda no nosso tempo, porque obriga-nos a diminuir o ego e a reflectir sobre o outro: para que o outro cresça é necessário que eu diminua”, aludiu o padre César Chantre, advertindo que “é preciso um exercício extraordinário para que esta doutrina seja feita”. “Mas se esta doutrina não for efectiva corremos o risco de destruir parte da criação”, acrescentou. Perante uma assembleia maioritariamente constituída por cerca de 50 alunos e 10 professores, o sacerdote apelou “para que a Universidade abra os seus corações para o Espírito de Deus”. “Onde fica o lugar das Artes na Universidade? o­nde fica o lugar da Educação Física? o­nde fica o lugar para a Música? Qual o lugar das Matemáticas? Qual o lugar dos estudos? E neste meio, qual o lugar de Deus?”, interrogou o celebrante, considerando que “a Universidade, – um dos baluartes para o exercício da liberdade –, sem Deus é a produção de élites colectivas sem alma”. “E um povo, cuja élite seja desprovida de alma é um povo desnorteado, mal conduzido e, a todos os títulos, insuportável”, complementou, defendendo que “as élites, em todo o tempo da história, foram e são fundamentais para a condução do povo” e que “as universidades são dos poucos baluartes o­nde as élites se podem formar em todo o sentido da formação: na Música, na Educação Física, nas Artes, na Matemática e na espiritualidade que faz de um povo detentor de saberes”. Aos presentes, o capelão da UALG reforçou ainda a mensagem de fundo da sua intervenção com outro apelo. “Estará este grupo disponível para abalar os ‘alicerces’ da Universidade, transmitido as prioridades de Jesus Cristo e sendo cristãos até às últimas consequências? Estará este grupo disponível para colaborar no sentido de espiritualizar as relações humanas dentro da Universidade? Ou serão cristãos que, à primeira dificuldade, fugirão e deixarão o Mestre sózinho?”, interrogou. A terminar, o padre César Chantre mostrou-se confiante em poder celebrar uma outra Eucaristia com os estudantes da UALG ainda neste primeiro semestre, antes das férias do Natal. E lançou o repto à assembleia: “serão os embaixadores para esta outra Eucaristia”. Ainda antes de concluir a Eucaristia, o sacerdote auscultou a possibilidade de uma reunião só com os que estiveram na celebração e, de entre estes, uma outra só com os africanos presentes, que aproveitou para saudar com algumas palavras em crioulo. Papa escolheu bem uma universidade para o discurso de Reggensburg Referindo-se ao tão famoso discurso do Papa Bento XVI na Universidade de Reggensburg, o padre César Chantre afirmou que a “síntese doutrinal” do mesmo “não foi entendido pela mediocridade das élites reinantes neste planeta”. Considerando que “fez muito bem o Papa Bento XVI ter escolhido uma universidade para lançar o apelo de que a razão deve estar ao serviço do homem, de que a razão deve ser um instrumento de Deus para o equilíbrio de todos os saberes, e de que a razão deve fundamentar o pensamento religioso para que nunca mais qualquer religião se arrogue no direito de utilizar a violência em nome de Deus”, o capelão da UALG sublinhou que a mensagem do Sumo Pontífice constitui “um apelo às universidades para aprofundarem a razão” e “às religiões para que fundamentem a fé na razão”. “Eu espero que as universidades tenham possibilidade de escutar e aprofundar este discurso do Papa Bento XVI que vai ser um dos melhores discursos do século XXI”, complementou.