A fazer lembrar os domingos de jogo do Farense em tempos em que o clube de Faro permanecia na primeira divisão, o estádio esgotou completamente a sua lotação. Muitos milhares de pessoas que fizeram questão de estar presentes na bênção dos seus familiares e amigos, estudantes finalistas do presente ano lectivo. Após a festa que começou por volta das 16 horas, com a actuação das tunas académicas da UALG, cerca das 17.30 horas, deu-se início à celebração. A intervenção inicial coube a Pedro Barros, o presidente da Associação Académica da UALG, que se congratulou com os seus colegas estudantes que terminaram o curso. “Estes milhares de pessoas que se encontram aqui são a prova de que nós somos a marca do Algarve”, afirmou ainda. Cumpriu-se então um minuto de silêncio em memória dos 9 alunos da academia falecidos no decorrer do presente ano lectivo. “A Universidade do Algarve, este ano lectivo, está de luto. Vamos abraçar as famílias destes queridos amigos que partiram do nosso convívio físico”, pediu o padre César Chantre. Na sua homilia, o capelão da UALG alertou que “a Universidade tem de ser o centro das atenções de qualquer país”, pois “é o centro da investigação e do saber”. “Um povo que não dignifica a sua Universidade é um povo que perde as suas elites e um povo sem elite é um povo acéfalo”, advertiu, considerando que “qualquer Estado, particularmente o português, tem de olhar para a Universidade com outros olhos e o financiamento à Universidade tem de estar para além das finanças porque o povo está em primeiro lugar”. Criticando “alguns pseudo-intelectuais da nossa praça” que “quiseram pôr de lado a família”, justificou que “a família é o centro nefrálgico da vida social”. Procurando justificar o sentido da bênção de finalistas, o padre César Chantre lembrou que “a cultura portuguesa é eminentemente cristã” e que “a cultura judaico-cristã em Portugal foi sublinhada no Cristianismo”. “É por isso que estamos aqui”, complementou, alertando: “ai das universidades que fingirem que a cultura do seu povo não deve ser respeitada também na componente espiritual”. “O Cristianismo pressupõe a liberdade de todas as religiões e também para aqueles que não têm religião”, acrescentou. “Caros finalistas, quer tenham fé quer não a tenham, nunca tenham medo de defender a cultura do vosso povo. Não tenham complexos de cultura e de fé. Jesus Cristo é para todos. Para aqueles que aceitam e para aqueles que não aceitam”, exortou, defendendo que “a Europa está a perder porque está a ter vergonha da sua história e cultura”. A terminar, fez o estádio entoar uma enorme salva de palmas. “Nesta grande catedral, cuja abóbada é o céu, vamos pedir ao Senhor da vida que abençoe os finalistas, mas vamos pedir ao Senhor da vida que dê trabalho aos finalistas”, referiu. A celebração prosseguiu com a entrega de um donativo dos estudantes que reverteu a favor do Lar da Mãe, a valência da Caritas do Algarve que acolhe grávidas em risco. No final, o reitor da UALG, João Guerreiro, agradeceu também às famílias dos finalistas pelo “bom ambiente familiar” e deixou um apelo aos estudantes que terminam o seu curso de que “levantem bem alto o nome da Universidade do Algarve”. “Na vossa vida profissional mantenham critérios de exigência e de profissionalismo nas vossas inserções na sociedade”, pediu o reitor. A celebração da bênção que terminou com uma volta dos finalistas em torno do campo, foi ainda concelebrada pelos padres Armando Amâncio, Joel Teixeira e Pedro Manuel e teve também a participação do vice-reitor da Universidade de Marraquexe (Marrocos). Mais fotos na Galeria de Imagens