Dirigindo-se aos futuros “condutores de Portugal”, o padre César Chantre começou por considerá-los, naquele momento, como “as pessoas mais importantes no Algarve” e relacionou a obtenção de cultura com a salvaguarda dos valores cristãos numa sociedade. Salientado a presença de tantas famílias que encheram completamente três das quatro bancadas do Estádio de São Luís, em Faro, o capelão da UALG, lembrou que foram elas que deram origem aos finalistas e por isso eram a “razão da alegria” daquele acontecimento. “Nunca é demais dizer que a família continua a ser a célula-fundamental para o equilíbrio de qualquer sociedade”, recordou o padre César Chantre na sua intervenção, tantas vezes interrompida pelas ovações dos presentes. Na celebração, este ano realizada num espaço que permitiu uma melhor organização e acomodação de todos, fez testemunho de “um sonho” seu e defendeu a realização daquele acontecimento religioso no Campus Universitário de Gambelas ou da Penha. Aos finalistas lembrou que “um povo que não conhece a sua história tem sérias dificuldades em compreender o presente”. “E a história do povo de Portugal tem muito a ver com Jesus Cristo”, complementou, parafraseando o saudoso Papa João Paulo II: “Não tenhamos medo de abrir as portas a Jesus Cristo!”. Recordando que na Catedral de Notre Dame, em Paris, na noite de Páscoa do ano passado, “foram baptizados mais de mil adultos”, considerou que “algo começa a acontecer na Europa”. “Tenham consciência que, sociologicamente, o povo português é cristão”, afirmou aos finalistas ironizando: “senão rasguem a literatura portuguesa”. “A cultura portuguesa não pode ser vista se não for à luz do Cristianismo”, caso contrário “fechem o Mosteiro dos Jerónimos, acabem com a Batalha, fechem os cemitérios…”, ironizou o padre César Chantre, pedindo que se termine com os “complexos de religião”. “Há alguns ‘papagaios’ pseudo-intelectuais que andam por aí e que querem-nos fazer entender e compreender que o Cristianismo já morreu ou não tem nada a ver com o povo. Então o povo cristão não está aqui à nossa volta?”, criticou, lembrando a importância do diálogo inter-religioso. “Os cristãos têm a obrigação moral de abraçar todas as outras religiões”, concretizou. Fazendo memória de Luther King, desejou “que um dia todas as religiões se unissem ao menos na solidariedade humana para que os ateus actuais possam compreender o que é e respeitar a religião”. “Para isso é necessário investir na cultura para que não haja religiões ignorantes, porque é a ignorância religiosa que leva ao fanatismo”, afirmou, acrescentando que “temos de lutar contra todos os fanatismos, sejam eles religiosos, políticos ou desportivos porque o Homem – o Ser Humano, masculino e feminino, no seu conjunto e na sua complementaridade, – é que é importante”. “Esta é a orientação do Cristianismo: abraçar tudo e todos”, complementou. Numa clara referência ao ecumenismo partilhou mais uma sua vontade referindo-se ao que classificou como “o maior escândalo do milénio”. “Que se acabasse com a seguinte linguagem na Europa: ortodoxos, protestantes e católicos”, disse. “Se todos acreditam em Cristo que estupidez é esta de estarmos separados?”, interrogou, defendendo o investimento na cultura. Aos finalistas lançou um apelo: “ajudem-nos a trabalhar para a espiritualidade em Portugal, para a unidade de todo o cidadão”. “Que não haja minorias, nem maiorias, mas Ser Humano”, acrescentou. Como já é tradição, os estudantes contribuíram com um donativo que este ano atingiu os 1000 euros e reverteu a favor da Fundação António Silva Leal. Momento significativo constituiu também a volta que no final os finalistas, alguns dos quais visivelmente emocionados, deram em torno no campo de futebol em jeito de agradecimento às famílias que estavam nas bancadas. A celebração contou também com a presença do padre Rui Guerreiro e do vice-reitor da UALG, Pedro Ferré.