Carlos Oliveira, que defende que o produto da recolha feita no Algarve tenha aplicação directa na região, explica que a Caritas irá suportar 50 por cento do custo dos bens alimentares adquiridos, devendo o restante valor ser assegurado pelas paróquias de origem dos beneficiários. “Sentimos que a partilha que se faz nas comunidades paroquiais (se bem que muito importante) é insuficiente com o agravar da crise e das necessidades das famílias”, explica aquele responsável, acrescentando que a Caritas Diocesana do Algarve poderá fazer chegar as senhas e respectivos alimentos às comunidades paroquiais, quando por razões logísticas for mais fácil este procedimento. O presidente da Caritas do Algarve explica ainda que esta iniciativa visa também colmatar a ineficácia que o PCAAC – Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados está a revelar este ano. Carlos Oliveira denuncia que a ajuda comunitária alimentar, normalmente recebida duas vezes por ano, neste ano de 2009, só chegará em Setembro e garante que a instituição já não tem alimentos porque as normas do programa europeu determinam que seja entregue uma grande quantidade de alimentos em poucas vezes. “Se estamos a atravessar uma situação de crise grave, em que as pessoas já viviam com alguma dificuldade e vêem agora essas dificuldades agravadas, como é que vamos sustentar até Setembro as pessoas que recebiam alimentos?”, questiona o presidente da Caritas do Algarve. Por outro lado, Carlos Oliveira critica esta metodologia, considerando que os alimentos têm de ser distribuídos mais vezes e “de acordo com as necessidades das pessoas”, até para educar os beneficiários para uma correcta gestão dos recursos.. “Detectamos nos atendimentos pessoas que já não necessitam de receber os alimentos”, testemunha. Recorde-se que a Caritas do Algarve tem vindo a denunciar nos últimos tempos as exigências impostas pelo PCAAC às instituições beneficiárias, situação que tem levado, na maioria dos casos, à suspensão da recepção daquele apoio por partes de muitas paróquias algarvias que não têm possibilidade de garantir os meios informáticos exigidos ou o técnico de acção social pedido.