Aquele responsável considera que o aumento deste tipo de situações tem sido “moderado”, mas adverte que a tendência é de amplificação. “Para além dos apoios que já garantíamos, sobretudo ao nível da alimentação, temos agora mais esta situação”, testemunha, acrescentando que batem à porta da instituição muitas pessoas, com idade entre os 23 e os 50 anos, à procura de emprego em que a maioria, entre os 20 e 30 anos, são desempregados oriundos sobretudo da hotelaria. O presidente da Caritas do Algarve lembra que a instituição “não é um serviço da Igreja que esteja agora em voga com a crise”, mas “continua, como sempre tem feito, a apoiar os mais desfavorecidos e, nesta situação de crise, de uma forma muito mais alargada”. “Para isso devem concorrer todas as boas vontades que possam existir, para que possamos levar a bom porto o que se nos depara dia-a-dia”, pede, considerando “significativo” o aumento das solicitações, tendo em conta os fracos recursos da instituição. Neste contexto, Carlos Oliveira lembra que “era muito importante que os cristãos do Algarve dessem uma atenção muito especial ao peditório público de rua” que se realiza de 12 a 15 de Março. “A Caritas vive essencialmente do peditório de rua e do peditório das igrejas, sendo que o primeiro é para ajudar os pobres e o segundo, embora também para os pobres, visa essencialmente colmatar as despesas relacionadas com a dinamização da Pastoral Social”, explica. Oliveira considera mesmo que o peditório da Caritas, “o único peditório público da Igreja para ajudar os pobres”, “não tem sido bem correspondido por parte dos cristãos em termos de adesão para a realização do mesmo e até de contribuição”. Este ano, o CNE – Corpo Nacional de Escutas do Algarve colaborará na realização do peditório, mas o presidente da Caritas algarvia lembra ser “necessário que se faça esta divulgação nas comunidades paroquiais para que os cristãos se sensibilizem a si e sensibilizem outros para a partilha” e para os objectivos da iniciativa. Se assim não for, Carlos Oliveira teme que seja mais um peditório que se faz “sem sentido”, considerando que “as paróquias têm dado pouca importância a este peditório”. “Os grupos paroquiais da Pastoral Sócio-caritativa deviam ser os primeiros mobilizadores” da iniciativa, defende, lembrando que, quantos mais meios a Caritas tiver, maior será a sua acção”. “Aqueles que a solicitam não precisam só de alimentos ou de roupa”, lembra ainda. O presidente da Caritas algarvia vai mais longe e lamenta que não haja uma articulação concertada entre instituições sociais dos principais municípios algarvios. Carlos Oliveira alude à necessidade de “definir estratégias, de modo a que toda a gente não esteja a fazer a mesma coisa”. Apontando o caso de Portimão, assegura que “há autarquias no Algarve que têm responsabilidades distribuídas com objectivos muito concretos: uns fornecem refeições, outros roupa e outros asseguram o apoio financeiro para pagamentos”. “É pena que isto não aconteça em todas as autarquias, sobretudo naquelas que sentem mais o abalo desta crise, como Faro ou Albufeira”, lamenta, admitindo que haja duplicação de ajudas aos mesmos casos. Lar da Mãe A valência de apoio às mães em risco, que muitas vezes acabam por voltar para a família antes do nascimento dos bebés (depois de garantida a sua reinserção e acolhimento) tem continuado o trabalho, com uma média de “algumas dezenas” de casos anuais. “Há pouco tempo nasceu mais uma bebé”, anuncia Carlos Oliveira, sublinhando uma vez mais que a Caritas, em relação às valências do Lar da Mãe e do SOS Vida, não se põe “em bicos de pés” para mostrar trabalho. “Também a este nível, os grupos paroquiais são um pólo fundamental da nossa acção”, lembra, embora reconheça que “não têm sido muitos os casos reencaminhados pelas paróquias”. “Talvez as comunidades paroquiais não saibam que existe o Lar da Mãe”, admite, contrapondo o Algarve pela Vida como “bom parceiro” desta valência, grupo que tem feito nas suas acções “uma divulgação muito forte em defesa da vida”. Campanhas A campanha ‘10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz’ rendeu este ano cerca de 5000 euros líquidos, o que significa uma diminuição de 50 por cento relativamente às duas edições iniciais, mas representa uma estabilização das receitas conseguidas nos últimos anos. Assim sendo, a Casa de Nossa Senhora da Conceição de Portimão irá receber cerca de 3.200 euros e os restantes 30 por cento são para um hospital e uma escola da aldeia de pigmeus da República Centro-Africana. A Caritas realizou também uma acção em colaboração com o Imaginário, em que as crianças doaram brinquedos seus, tendo sido angariados mais de 700 unidades, distribuídas depois a crianças pobres, através das paróquias algarvias e da Câmara de Faro. Outras campanhas, promovidas não por iniciativa da Caritas, tiveram a instituição como intermediária. A claque do Farense, South Side Boys, fez uma entrega de roupas de criança e uma escola de Tavira angariou roupas, sapatos e géneros alimentares para Angola.