Tendo já reconstruído 13 habitações no concelho de Monchique, a Cáritas Diocesana do Algarve prepara-se agora para avançar com a primeira reconstrução em território do concelho de Portimão. Na cerimónia de assinatura do protocolo, que decorreu no Clube Naval de Portimão, a autarquia apontou o dedo aos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, garantindo que, da parte do Estado, “havia uma promessa de apoio à reconstrução das habitações destruidas”. “O facto é que após várias insistências, com o Governo anterior, não se conseguiu, durante este ano e meio, que as vítimas fossem ressercidas dos prejuízos”, asseguram os responsáveis da edilidade, acrescentado que “as verbas foram despoletadas pelo Estado muito tarde e a Cáritas resolveu antecipar-se à administração central”. O presidente Manuel da Luz reconhece ainda que a Cáritas Diocesana do Algarve foi a única entidade a disponibilizar-se para reconstruir a casa ardida. “Nós também não procurámos, mas, de facto, não houve outras instituições a disponibilizarem-se para reconstruir a casa. Havia sim, bancos dispostos a financiar a obra”, concretiza. Carlos Oliveira, presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, afirmou que “para a instituição, este é um momento de grande alegria, porque entre os seus objectivos está sempre traçado o pressuposto de beneficiar aqueles que mais sofrem”. “É sempre para nós uma alegria enorme podermos contribuir para aqueles que nada têm”, completou. Francisco Guerreiro, solteiro e reformado, esteve presente na cerimónia e mostrou-se feliz. Vê agora o sonho de reconstrução da casa o­nde mora desde criança mais próximo de ser realizado. Estando alojado, desde a altura do incêndio, na casa de um sobrinho, em Lagos, o homem de 76 anos espera anciosamente pelo começo da obra que está orçamentada em 83 mil euros. “Se eu apanhar a minha casinha arranjada vou para lá”, assegura Francisco Guerreiro. Os serviços técnicos da Câmara portimonense farão o acompanhamento e a fiscalização da obra. A cerimónia no Clube Naval de Portimão incluiu também a assinatura de mais três protocolos com a Associação de Antigos Combatentes do Algarve, a Federação de Caçadores do Algarve e a Núcleo de Portimão da Cruz Vermelha Portuguesa, os dois primeiros para cedência de instalações para novas sedes e o último para cedência de instalações para armazenamento de bens.