No contexto da família carmelita e da sua própria fundação, o padre António Rocha salientou os pressupostos que levaram o beato Francisco Palau a traçar uma charneira na história do Carmelo, ao fundar a congregação das Carmelitas Missionárias. “Já em pleno século XIX, as religiosas foram chamadas não tanto a ficar restritas ao âmbito de um convento, mas a viver o seu carisma no meio do mundo”, evidenciou o sacerdote, frisando que “as Carmelitas Missionárias são chamadas a ser uma presença de Deus onde quer que se encontrem, seja através da cultura, da saúde ou do ensino”. O presidente da celebração desejou que as irmãs “continuem a desempenhar o seu serviço na paróquia e na diocese sem perder a dimensão testemunhal de vida comunitária”. À FOLHA DO DOMINGO, a superiora da comunidade, a irmã Maria da Glória Pinto, explicou que este aniversário tem “um significado muito especial”. “Olhando para estas três décadas vemos que o Senhor tem feito coisas muito grandes na nossa família, apesar de haver falhas na nossa forma de estar. Mas a superabundante graça de Deus tem sido grande na nossa vida”, referiu. A religiosa considerou que “a obra de Deus continua aqui pelo Algarve, em cada irmã que tem passado pela comunidade e também pelo ressurgimento de vocações que tem acontecido”. “Já são três irmãs que surgiram aqui e isso é uma graça de Deus que não é só para nós, mas é uma riqueza para a Igreja do Algarve”, complementou, acrescentando: “somos convidadas a darmo-nos gratuitamente e é uma satisfação para nós termos continuadoras”. Sobre a sua inserção nos mais diversos sectores da Igreja e da sociedade, as Carmelitas Missionárias lembram que o seu fundador “queria que as suas filhas estivessem presentes onde a Igreja o necessitasse”. “Daí que o nosso carisma seja diversificado e procure dar respostas às várias necessidades dos lugares onde estamos”, justifica a irmã Maria Glória Pinto. Por outro lado, a consagrada destaca o cuidado com as três dimensões que caracterizam a vida de uma carmelita missionária e que as religiosas tentam harmonizar: a fraternidade, a oração e a missão. “Primeiro somos e depois fazemos”, explica a irmã. No Algarve, ao longo destes 30 anos, têm colaborado com várias paróquias e serviços diocesanos e também no Hospital Distrital de Faro, no infantário ‘O Despertar’ e na Caritas Diocesana do Algarve. Outro serviço importante que prestam à diocese algarvia prende-se com acolhimento de jovens universitárias que alojam na sua comunidade em Faro e que se tornou uma residência também com essa finalidade. A esse nível, o trabalho não tem sido fácil. “Achamos que as universitárias não estão receptivas a outras coisas, portanto limitamo-nos muito ao acolhimento. Não impomos nada a ninguém”, sublinha a irmã Maria Glória Pinto. No entanto, um sinal de que o trabalho nessa área também não tem sido em vão é o facto de a comunidade ter agora uma jovem algarvia que foi residente e que iniciou ali o noviciado. No final da celebração, as religiosas, para além do bolo de aniversário, partilharam com os presentes uma exposição que preparam no salão paroquial.