Aos cristãos, também aos algarvios, são feitas duas propostas, dois convites dirigidos às Igrejas e aos fiéis: orar pela unidade dos cristãos e buscá-la juntos, e, também, unir forças para dar uma resposta aos sofrimentos humanos. "Estas duas responsabilidades estão estritamente ligadas", considera o padre Joaquim Nunes, assistente do Secretariado para o Diálogo Inter-religioso da diocese do Algarve, explicando que "daqui decorre a escolha do texto de referência (Mc 7, 31-37): a narrativa de um acontecimento de cura". "Jesus curou um homem surdo e incapaz de falar. Ele conduz o homem longe da multidão a fim de estar sozinho com ele. Ele coloca os dedos nos ouvidos do homem, toca-lhe a língua e diz ‘Effatá’, quer dizer: ‘Abre-te’" – uma fórmula utilizada na liturgia do Baptismo", contextualiza. "Este relato faz-nos compreender a resposta solicita do Senhor para com os sofredores e os necessitados, e o constitui um testemunho eloquente da misericórdia de Deus. Oferecendo a este homem o ouvir e o falar, Jesus manifesta o poder e o desejo de Deus de salvar o ser humano na sua totalidade, cumprindo a profecia de Isaías: ‘Então, os olhos dos cegos enxergarão e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então, o coxo saltará como um cervo e a boca do mudo gritará de alegria. Águas hão de jorrar no deserto, torrentes na estepe’ (35, 5 – 6). A cura permitiu ao homem surdo escutar e entender a boa nova proclamada por Jesus Cristo. E a recuperação da fala permite-lhe proclamar aos outros o que viu e ouviu. E, o testemunho deixa a todos impressionados, por isso afirmam: ‘Ele faz os surdos ouvirem e os mudos falarem’. Como este homem, que foi curado por Jesus, todos que foram baptizados tiveram os ouvidos abertos ao Evangelho e a boca para a proclamação do testemunho", explica o padre Joaquim Nunes. A celebração ecuménica realiza-se, no próximo sábado, 20 de Janeiro, pelas 16 horas, na igreja de Vilamoura, dentro do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos. Presidida pelo Bispo do Algarve, contará com a participação de cristãos de diversas confissões, nomeadamente da Igreja Anglicana e da Igreja Ortodoxa Romena, a que se juntam os grupos de cristãos ligados à experiência de Taizé.