Embora a ideia de criação deste equipamento tenha surgido do contexto de um trabalho realizado no seio da paróquia, a responsabilidade do mesmo deixou de ser da comunidade paroquial por algumas divergências que entretanto apareceram entre os responsáveis. “Tudo começou com um grupo da Igreja, que apercebendo-se do isolamento dos idosos pensou na necessidade de dar-lhes apoio”, explica o padre Joaquim Beato. A paróquia começou a proporcionar aos idosos, uma vez por semana, um encontro para convívio e um lanche no salão paroquial. “As pessoas começaram a entusiasmar-se de tal maneira que o número foi subindo e hoje ainda se faz com cerca de 50/60 idosos”, afirma o sacerdote, lembrando que “a Junta de Freguesia colaborava com o empréstimo de uma carrinha para ir buscar os participantes”. “A certa altura começámos a ver que era preciso estruturar o serviço e, em colaboração com uma assistente social da Câmara de Lagoa pensámos em criar uma IPSS”, complementa o pároco, realçando ser necessário a homologação dos estatutos do Centro Paroquial e Social pelo Bispo da diocese. No entanto, “um grupo de pessoas que estavam responsáveis acharam que não deveria haver qualquer dependência do Bispo. Expliquei-lhes que não se tratava de uma dependência, mas que era uma instituição da paróquia, ligada à Igreja e que teria um suporte de continuidade e segurança através do pároco da freguesia, mas acharam que não se deveria avançar nesses moldes”, recordou, garantindo que “optaram então por criar este Centro de Apoio Social de Porches, à margem da Igreja, embora colaborando com ela”. “Eu fui posto um bocado à margem e puseram-me como vogal do Conselho Fiscal”, afirma o padre Joaquim Beato. A opção escolhida é má, na opinião do prior, “porque esta obra pode ter continuidade, mas penso que vai ter mais dificuldades”. “O pároco e a paróquia poderiam dar-lhe maior incremento se fosse uma estrutura paroquial”, justifica. Constituído pelas valências de centro de noite, assistência domiciliária e jardim infantil, a instituição irá ter capacidade para acolher 12 idosos e 24 crianças. Mateus Pequeno, presidente da instituição lembra que “a população de Porches está muito envelhecida” e “já não há vagas nas instituições de Lagoa”. Segundo aquele responsável, o “projecto está calculado em 730 mil euros, mas vai ultrapassar muito mais”. A obra teve início a 10 de Março deste ano e conta com o apoio da Câmara Municipal de Lagoa em 405 mil euros, tem uma comparticipação de fundos comunitários no valor de 164 mil e 200 euros e uma comparticipação do Estado no valor de 109 mil e 470 euros.