Na celebração eucarística a que presidiu, o padre Carlos de Aquino, director do CBESNF, considerou mesmo que a comunidade religiosa das irmãs franciscanas é a “alma” daquela casa fundada em 1930 pelo falecido cónego António Baptista Delgado para acolher meninas em risco, sendo a mais antiga do concelho de Olhão. “As irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição aqui serviram e servem, deram e dão a vida em desgaste generoso e fecundo do amor como verdadeiras mães”, lembrou, recordando o “dinamismo, experiência, dedicação, sacrifício e a vida dada” da irmã Clara de Jesus da Silva. “Esta casa deve-lhe muito”, reconheceu, considerando que em cada uma das religiosas “cumpre-se o desafio do Evangelho”. A propósito, o sacerdote lembrou que “na Igreja e nesta instituição não há chefes que ordenam e súbditos que obedecem, não há gente honrada e respeitada, cheia de privilégios e honras, e pessoas em menor dignidade”. “Na Igreja todos são irmãos e quando não são, não são Igreja”, advertiu, frisando que “servir e dar a vida é que a torna bela, grande e boa”. “Só quando damos a vida é que ganhamos a vida”, alertou. Dirigindo-se directamente às utentes da instituição deixou-lhes algumas interpelações. “Se calhar não somos a família que esperáveis, a casa que quereríeis, mas acreditai que, para vós, somos expressão desta vida dada para que a vossa vida seja grande, bela e boa”, disse. “Tudo isto também é evidente na presença das irmãs, no coração dos técnicos mais recentes, nos seus funcionários, nos benfeitores, nos amigos e em tantas instituições que partilham connosco a aventura maravilhosa da vida aprendida no serviço”, acrescentou. Lançando um “olhar profético sobre a missão e dedicação da direcção”, apresentou algumas “inquietações”. “São gigantescas as interpelações e inquietações que as nossas jovens, e particularmente as suas famílias, a todos nos colocam. Sabemos que, mais importante que a construção do edifício material, os principais pilares da casa são sempre humanos. São jovens que necessitam de colo, afecto, dignidade, promoção das suas necessidades físicas, morais, intelectuais e espirituais. Para cada uma delas somos o pai, o irmão, o amigo e também o rosto da presença viva de Deus. Não podemos, nem pretendemos substituir as famílias, sobrepondo-nos à sua missão. Elas terão sempre o colo, berço e os educadores primeiros, mas, porque educar é amar com lucidez e persistência, cabe-nos a nós, direcção desta casa, questionarmo-nos sobre a qualidade e profundidade dos nossos gestos, actos e palavras”, afirmou. Neste sentido questionou: “como é que temos amado estas meninas e as suas famílias? O que é que queremos realizar?”. “Só corações transformados pelo amor geram vida em abundância e vida plena. Por isso urge convidar a todos ao compromisso”, advertiu, exortando os restantes membro da direcção a uma “vontade livre marcada apenas pelo amor” e a um “coração generoso marcado apenas pela caridade que vem de Cristo”. Lamentando a ausência “de alguma comunidade cristã de Olhão e de Quelfes”, mostrou-se afectado “porque esta casa não foi obra sem os cristãos de Olhão”. “Ver que hoje a comunidade cristã possa estar ausente, entristecesse-me”, afirmou, desejando que Quelfes e Olhão “olhassem com amor e dedicação” para a instituição. “Como é que vamos renovar a casa, a obra e a direcção, se não tivermos almas generosas que sintam que a missão desta casa é a missão cristã e que nem sempre o assumimos?”, interrogou. “Esta casa é expressão do coração de Deus e se as comunidades de Olhão e de Quelfes não sentem isto estão mais pobres”, afirmou. “Se falta força e dinamismo que aconteceu outrora é porque o olhar era outro e estava purificado e porque o coração também era outro”, considerou, apelando a “novos corações e novos olhares”. O projecto da creche, cuja construção deverá arrancar dentro de um mês, foi já aprovado e submetido a concurso e irá ser agora adjudicado. A obra, que custará cerca de 564.000 euros, tem um prazo de execução de 12 meses e será financiada pela Segurança Social, no âmbito do Programa PARES. Procurando responder a uma necessidade evidente da cidade de Olhão e arredores, a nova creche acolherá crianças dos zero aos 3 anos e o seu edifício ficará preparada para a construção futura de um infantário no primeiro andar para crianças dos 3 aos 5 anos. Gilberto Custódio, membro da direcção do CBESNSF, explicou à FOLHA DO DOMINGO, que a nova valência procura oferecer algumas garantias à instituição que acolhe 29 meninas e raparigas dos 3 aos 18 anos. “Não sabemos até quando é que as irmãs cá estão, pois a qualquer momento podem ir embora e, por outro lado, não sabemos também qual o enquadramento que uma instituição com estas características poderá ter futuramente na Segurança Social”, afirma aquele responsável, reconhecendo que a nova valência “vai ajudar a dar outro dinamismo à casa”.