No princípio deste mês, aquele espaço foi enriquecido com um museu, onde assumem relevo central, diversas peças que fizeram parte de uma antiga Sinagoga que existiu em Faro e que funcionava ainda nas primeiras décadas do século vinte. A disposição dessas peças no museu, recria, com o auxílio de fotografias, o ambiente de um casamento hebraico. O cenário é composto pelo púlpito, arco e lamparina originais da antiga Sinagoga de Faro. O conjunto do cemitério e do novo museu passou a constituir o Centro Judaico de Faro, que foi inaugurado em cerimónia que contou com a presença do Embaixador de Israel, do Presidente da Câmara de Faro, dos Presidentes das Comunidades Judaicas de Lisboa e do Algarve e ainda dos descendentes do Benemérito Isaac Bitton, que há cerca de vinte anos tomou a iniciativa de restaurar o cemitério que então se encontrava muito degradado. No museu do Centro Judaico de Faro, encontramos ainda a história da presença judaica em Portugal e uma parte do "Pentateuco", isto é do conjunto dos primeiros cinco livros da Bíblia, Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio, que foi o primeiro livro impresso em Portugal, justamente na cidade de Faro, pelo judeu Samuel Gacon. É com muita alegria que registamos este importante e significativo acontecimento da vida da Comunidade Judaica do Algarve, actualmente presidida por Ralf Pinto, na expectativa de que este novo Centro Judaico de Faro, possa vir a ser local de encontro entre todos os filhos de Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, mas particularmente entre a comunidade judaica do Algarve e os cristãos algarvios. Temos todos ainda bem presente a histórica visita que João Paulo II efectuou em 13 de Abril de 1986 à Sinagoga de Roma, naquela que constituiu a "maior" viagem apostólica do seu pontificado, pois apesar de a Sinagoga distar do Vaticano apenas um escasso quilómetro, foram dois mil anos de história e de separação que o Bispo de Roma teve que percorrer para ir ao encontro dos "nossos irmãos mais velhos" e abraçar o Grande Rabino Elio Toaff. Ainda recentemente, ao recordar esse momento singular, o Cardeal Walter Kasper disse que os fiéis das duas religiões devem "transmitir a memória do Holocausto e a memória da fé em Deus, para que as futuras gerações se possam nutrir delas". È preciso, segundo aquele purpurado, "não só dialogar, mas também cooperar" em actividades sociais, culturais e institucionais, de modo a que judeus e cristãos possam "levantar em conjunto, a chama da esperança, para dar ao mundo confiança e coragem". Nesta ocasião, ao felicitar a Comunidade Judaica do Algarve por esta notável iniciativa, saudamo-la ainda com a recitação do Salmo 125 (124): "Quem confia no Senhor, é como o monte Sião: nada o pode abalar, está firme para sempre. Como Jerusalém cercada de montanhas, assim o Senhor envolve o seu povo, agora e para sempre. Os impíos não dominarão sobre a herança dos justos, para que estes não sejam atraídos à maldade. Fazei bem, Senhor, aos que são bons, aos homens de coração recto. Aos que andam por maus caminhos, o Senhor os leve com os malfeitores. Paz a Israel."