Uma figura marca no nosso tempo este capítulo do amor e do apoio aos infectados por tão terrível mal e cuja obra, ideal e espírito centra, a par do gesto bíblico de Jesus Cristo, ao curar o leproso, a nossa atenção. Trata-se do francês Charles de Foucauld, que gostava da literatura de aventuras, que foi um famoso explorador e que um dia, iluminado pelo Espírito Santo e seguindo as palavras do Redentor «Vem e Segue-Me», decidiu viver no deserto argelino, naquilo que D. Luís Martinez Sisitach, o conhecido Arcebispo Espanhol, definiu como «uma sugestiva aventura cristã, comparticipando a vida com os tuaregues no silêncio e entre os leprosos para dar testemunho de Jesus Cristo». Ali chegou em 1905, mais precisamente a Tamanrasset, marcando a presença eucarística do Senhor no deserto argelino para O levar aqueles que, como define aquele prelado «nem o conheciam nem o buscavam», construindo sacrários de amor, de fraterna solidariedade e de vivência cristã, na concretização do mais puro espírito evangélico. Foi semente lançada porque, depois da sua morte, muitos homens e mulheres, seguindo o seu espírito, acção e pensamento, prosseguiram a sua obra em favor dos leprosos no Mundo, cumprindo aquilo que é definido como «uma missão de Deus, já que nós somos apenas o recipiente e o instrumento por meio do qual o Senhor quer fazer-Se presente». Ao evocarmos nestes dias em que se chama a atenção para esse terrível flagelo que num mundo altamente tecnicalizado marca uma horrível e indesejável presença, a figura santa, humana e testemunho vivo que o foi da Fé Charles Foucaulad, acreditamos que «o mais importante é viver o Evangelho na vida de cada dia».