A cicloperegrinação foi programada ao pormenor, e a comitiva integrada por seis ciclistas: Vitorino Mendonça e José Pedro dos Santos de Tavira, Luís Bandarra, Serafim Gonçalves, António José Nunes e Óscar Santos, do Grupo de Cicloturismo Cacelense de Vila Nova de Cacela. Apoiados por um carro da Sociedade Recreativa Cacelense, os cicloperegrinos partiram de Tavira dia 22 de Maio, com tempo bom para a prática do ciclismo, em direcção a Beja, numa distância de 145 quilómetros, passando por Vila Nova de Cacela, Castro Marim, Odeleite e Mértola. Apenas nesta etapa inicial foram acompanhados por outros cinco desportitas de Vila Nova de Cacela. Chegados a Beja por volta das 16 horas, depois do banho retemperador, seguiu-se um almoço convívio. No final do dia ainda houve tempo para visitar a cidade e participar na procissão e Eucaristia do Corpo de Deus. O segundo dia amanheceu com o tempo a ameaçar chuva e bastante frio, com um percurso de 141 quilómetros para chegar a Montemor-o-Novo. Para trás ficou Cuba e Alvito e já em Viana do Alentejo a chuva apareceu com grande intensidade, acompanhada de trovoada, seguindo com os cicloperegrinos, durante 60 quilómetros, até à chegada a Montemor-o-Novo. No dia 24, o último da cicloperegrinação, os ciclistas uniram Montemor-o-Novo a Fátima, num total de 159 quilómetros, passando por Lavre, Coruche e Almeirim, onde novamente a chuva intensa e também granizo apareceram, acompanhando os seis elementos durante quase todo o percurso. Alpiarça, Golegã, Torres Novas e Ourém, foram algumas das localidades por onde passaram até chegarem a Fátima, completamente molhados, mas satisfeitos. Depois das fotografias para a posteridade e de um retemperador banho e jantar, distribuíram-se lembranças alusivas ao evento que teve o apoio das Juntas de freguesia de Santa Maria de Tavira e de Vila Nova de Cacela. Já noite, todos rumaram ao Santuário, e cada um teve oportunidade de participar nas celebrações religiosas. Domingo, dia 25, foi o dia do regresso, após a participação na Eucaristia dominical. Os participantes garantem que “peregrinar não é apenas fazer caminho, deslocar-se de um lado para o outro”. Para estes seis cicloperegrinos “peregrinar, mais que uma deslocação exterior, pressupõe uma deslocação interior”. “È ir à procura de um modelo, à luz de Deus, e um esforço de nos aproximarmos desse modelo. Portanto, peregrinar não é fazer turismo, ou, no nosso caso, cicloturismo”, asseguram. Este grupo, que desde 1997 vem concretizando o objectivo pedalar anualmente de Tavira até Fátima, conciliando a prática do cicloturismo com a dimensão espiritual, espera agora poder voltar a repetir a experiência no próximo ano.