Contudo conheceria um impulso espiritual muito próprio para com estes «Filhos de Deus» quando no ano 2000, a 8 de Abril, o sempre saudoso João Paulo II concedeu uma audiência a diversas organizações ciganas, pedindo o respeito humano, fraterno e solidário de todos os povos do Mundo para com este povo seu irmão. Em Portugal e por deliberação da Conferência Episcopal Portuguesa o «Dia Nacional do Cigano», que era assinalado no primeiro Domingo de Junho, passou a ser a 24 de Junho (Festividade do Nascimento de São João Baptista), uma data que é sempre objecta de festiva comemoração pelos «nossos» ciganos. Independentemente da discrepância de datas, quanto a nós, importa sim é que com um olhar cristão e tal como o faria na sua infinita bondade, tão grande que deu a própria vida pela nossa Redenção, o faria Jesus Cristo, vendo-os a todos, nómadas ou com residência fixa, respeitando os seus usos e costumes, a sua cultura e identidade, os acolhamos na filial fidelidade que é devida a Deus Pai. Muitos deles já frequentam, hoje as escolas públicas, integram-se na vida das comunidades e são companheiros desta passagem pela Terra, sem olvidarmos tantos milhares de muitos outros, talvez a grande maioria que continua ostracizada, como o reconhecia ainda há dias o IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) a extrema dificuldade das entidades empregadoras em acolherem ciganos. Cristamente e com o pensamento no «Amai-vos uns aos outros» é já muito bom tempo de cumprimos o dever de olharmos para o cigano, como «o meu outro irmão».