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Clero algarvio participou no Simpósio em Fátima

Entre os participantes esteve o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, o cónego José Pedro Martins e os padres António Rocha, Armando Filhó, Augusto Brito, Carlos César Chantre, Carlos de Aquino, Elísio Dias, Firmino Ferro, Joaquim Nunes, José Águas e José António Lopes. Da diocese algarvia participaram ainda, como orador, D. Manuel Madureira Dias, Bispo Emérito, e o padre António Manuel Martins, interveniente num dos paineis. Na primeira manhã de trabalhos, D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) sublinhou que “a comunhão na Igreja não é algo de acidental mas algo de constitutivo da mesma Igreja”. Num mundo caracterizado pela divisão e na “pouca confiança na razão é necessário dar o testemunho”. Os sacerdotes terão de “apostar num testemunho de vida e depois serem solicitadores dessa mesma comunhão dentro da Igreja e nos lugares o­nde estão a trabalhar”, referiu D. Jorge Ortiga, na sessão de abertura do Simpósio. Uma comunhão ligada ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso porque esta “não pode ser um fim para se poder saborear, mas um compromisso para uma vida nova”, frisou. Padres atentos aos mais desprotegidos “A Igreja não é só os sacerdotes, mas é através destes que, predominantemente, o mundo colhe a mensagem de Deus e a identidade da Igreja. Não são os únicos. São os primeiros”, disse o presidente da CEP na abertura do Simpósio, a quem pediu para reforçar o seu apoio aos mais excluídos, nomeadamente nas grandes cidades, o­nde existem maiores problemas de exclusão. “A presença do padre na cidade é como noutro local qualquer”, mas “a realidade das zonas urbanas está estruturada no isolamento”, o que vem prejudicar o trabalho pastoral da Igreja, afirmou o Arcebispo de Braga. “Se a nossa comunhão é universal então deve ser maior com os mais desfavorecidos”, afirmou D. Jorge Ortiga, que apela aos sacerdotes para terem “um cuidado muito grande com aqueles que estão à margem da própria sociedade”. “A opção preferencial da Igreja é para com os mais pobres e mais desfavorecidos” pelo que o papel dos padres não pode ser somente o serviço religioso, considerou o presidente da CEP. Linguagem do anúncio deve ser mais actual O desafio, na era da pós modernidade, é “fazer da verdade companheira de vida”, afirmou D. Rino Fisichella, na conferência inaugural do Simpósio. “A verdade deve atestar o seu lugar, não no organigrama da ciência mas na vida das pessoas para que possa chegar à existência plena de sentido”, salientou. “Temos medo de nos confrontarmos até ao fim com o problema da verdade. E o primeiro a ser atingido é o Cristianismo”, afirmou. Neste período do pós modernismo, em que a “emotividade substitui a razão” e a concepção da vida se define individualista e a técnica assume um papel primordial, D. Rino Fisichella defendeu que, no futuro, homem, natureza e Deus assumem uma mesma importância enquanto que técnica assume maior predominância. O Prelado defendeu a necessidade de reflectir sobre o contexto em que se realiza o anúncio, actualmente. Ou seja, “não reflectir era pensar que a nossa linguagem era compreendida, o que é no mínimo discutível”, reforça. Em jeito de análise, salientou que “se os cristãos são convidados a ser portadores do anúncio de salvação” e, afinal, responder à questão última: o sentido da vida; os sacerdotes, pelas características e ministério que desempenham têm de analisar esta realidade com uma preocupação acrescida. Senão “corremos o risco de usar linguagens que já não são compreensíveis às categorias dos nossos contemporâneos”. Novas formas de comunhão apresentadas ao Clero O prior do Mosteiro de Bose (Itália), Enzo Bianchi, foi uma das figuras em destaque no V Simpósio Clero de Portugal. Aos participantes, este monge italiano veio falar da comunidade monástica de homens e mulheres, provenientes de Igrejas cristãs diversas, que fundou depois do Concílio Vaticano II, recuperando a experiência e a sabedoria dos País do monaquismo cristão. “Esta é uma comunidade que procura viver o espírito monástico do Ocidente de uma forma contemporânea”, assegurou Enzo Bianchi. Essa vivência junta uma maioria católica com ortodoxos e protestantes para viver em conjunto “uma mesma espiritualidade de oração e de trabalho para procurar a unidade da Igreja”. No Simpósio, o Prior de Bose veio falar da necessidade de encontrar “fórmulas novas” para o ministério sacerdotal e a comunhão eclesial, lembrando a crise de vocações e o aumento da idade média dos padres. “Comunhão eclesial: caminhos plurais” foi o tema da última das três conferências que proferiu nesta iniciativa. “É preciso não ter medo, porque o Senhor sempre deu ministros à sua Igreja e vai continuar a dá-los, mesmo que a forma venha a mudar”, aponta. Combater o isolamento para servir melhor O Simpósio aprovou, no último dia, uma proposta de criação de equipas sacerdotais para servir várias paróquias, de modo a combater o isolamento e a falta de vocações religiosas. Estas equipas sacerdotais podem servir “várias paróquias” e permitem uma “maior comunhão” entre os padres, explicou D. António Santos, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios. A proposta prevê que os sacerdotes vivam juntos, articulando o trabalho, embora cada um deles possa continuar responsável por uma ou mais paróquias. “Não é preciso que o padre viva na paróquia”, considerou o prelado, salientando que a “cooperação pastoral” irá também melhorar a qualidade da assistência religiosa aos leigos. Condenação da violência doméstica A presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Manuela Silva, apelou aos sacerdotes para se envolverem mais na condenação dos casos de violência doméstica, nomeadamente através das homilias das missas dominicais. Os sacerdotes “têm um importante papel” no “combate à violência doméstica”, quer através das homilias, quer incentivando as mulheres vítimas de maus-tratos a denunciarem os casos, considerou Manuela Silva, durante uma palestra sobre os “desafios da cultura contemporânea ao sacerdote e à Igreja”, que integrou o Simpósio. Por seu turno, o padre jesuíta Hermínio Rico, docente da Universidade Católica, exortou os sacerdotes a terem um cuidado adicional com as homilias e pregações, já que os leigos estão cada vez habituados a “melhores comunicadores” que conhecem através dos media. Esta “concorrência” veio dificultar a passagem da mensagem cristã, que em muitos casos colide com outros modelos veiculados pela sociedade de hoje, defendeu. “Mais do que preparar o conteúdo temos de preparar melhor a forma”, defendeu o sacerdote. Presbíteros, sinais sacramentais de Cristo Pastor D. Manuel Madureira Dias, Bispo Emérito do Algarve, realizou a última conferência do Simpósio, sobre a temática “O presbítero – um homem dado ao povo de Deus”. O Prelado começou por sublinhar, na introdução da sua intervenção, a expressão “dar-se”. “Identifica-nos a Cristo, na sua dimensão kenótica, isto é no esvaziamento de nós mesmos. Dar-mo-nos por inteiro”, clarificou D. Manuel Madureira Dias, que desenvolveu o tema em 5 pontos distintos. Primeiramente começou por destacar o presbítero como “sinal de Cristo, pastor e servo das ovelhas”, esclarecendo de seguida que “Cristo cuida das ovelhas” e que “o presbítero faz as vezes de Cristo Pastor”. O Bispo Emérito do Algarve complementou que “os presbíteros são sinais ‘sacramentais’ de Cristo Pastor”. Por último, D. Manuel Madureira Dias referiu-se ao sentido do serviço. “Servir é dar a vida”, salientou. A concluir, afirmou que “a vivência do ‘dar-se’ no ministério presbiteral é a caridade pastoral tão sublinhada na exortação apostólica Pastores Dabo Vobis”, do saudoso Papa João Paulo II. D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve: “Faço uma avaliação muito positiva, quer relativamente ao tema, quer aos conferencistas, e também à adesão do clero. O espírito que reinou foi muito positivo. Foi uma iniciativa bem conseguida da parte da Comissão Episcopal. A participação do Algarve foi razoável e aceitável, a nível percentual”.

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