Ora vejamos: após três décadas de democracia, temos 50 por cento da população que não dorme bem, mesmo encharcando-se de pílulas; 10 por cento de analfabetos absolutos, não contando com a multidão dos semi-analfabetos; 20 por cento de pobres que sobrevivem com cerca de 300 euros por mês… Os desempregados somam mais de 400 mil, entre os quais cerca de 40 mil licenciados… Todos os dias fecham empresas levando famílias inteiras à miséria… Auto-estradas a pagar, novos postos a aumentar, sem dúvida, para compensar desvios, abusos e despesismos governamentais… Os serviços de saúde a rebentar pelas costuras, por toda a parte, mas principalmente no interior do país se fecham valências hospitalares, obrigando-se populações inteiras a percorrer grandes distâncias para poderem beneficiar de assistência médica e medicamentosa… Nestas circunstâncias são os reformados pobres os mais penalizados… A educação ou melhor a instrução que temos é um autêntico insucesso, embora se sucedam reformas atrás de reformas… Também neste sector é grande a desorientação… A nossa Justiça funciona como todos sabemos, com falta de equipamentos, com falta de magistrados e demais funcionários… As forças de segurança reclamam a satisfação e o cumprimento de condições para melhor poderem desempenhar a sua função… Os funcionários públicos também se sentem injustiçados e por isso, aí os vemos em protestos contínuos, reclamando o cumprimento dos seus direitos… Enfim, existe neste nosso país “à beira mar plantado”, em todos os sectores da nossa sociedade, muita queixa, muito descontentamento… Daí o pensar-se que somos um país a adiar sucessivamente… Pois, a crise que nos atingiu, continua a subsistir e não se vislumbra o seu termos.