“As irmãs salesianas têm um carisma muito próprio e, ao virem para o colégio, tinham de o implementar”, refere com naturalidade o padre Carlos César Chantre, sublinhando que “a marca evidente da orientação salesiana é uma educação preventiva” que, antes dos problemas surgirem “tenta educar para enfrentar as dificuldades que vêm a seguir”, uma orientação fundamentada nas orientações de São João Bosco que caracteriza o projecto educativo daquela congregação especializada no trabalho com crianças e jovens. “Não é por acaso que temos uma das irmãs socióloga, formada por uma das universidades italianas, outra formada em Pedagogia Infantil, outra em Ciências da Educação e outra com grande experiência no trabalho com crianças de creche e infantário”, destacou o director geral da instituição, garantindo que são “quatro senhoras do mais alto nível intelectual e espiritual” que vieram enriquecer o colégio. Juntamente com esta nova comunidade religiosa na gestão da instituição, o padre César Chantre destaca ainda a nomeação da directora pedagógica, Dulcina Botelheiro, para “ajudar a coordenar acções pedagógicas internas”. Embora reconheça que a transição das irmãs franciscanas para a comunidade salesiana foi um processo muito “difícil e delicado”, o padre César Chantre considera que “foi uma solução brilhante”. “O colégio continua a sua vocação de formar os jovens algarvios, conseguindo-se resolver uma preocupação do Bispo da diocese, que sempre defendeu que este colégio da Igreja algarvia deveria manter-se e tanto quanto possível melhorar o seu nível”, justifica o sacerdote, considerando que a “sucessão foi de sucesso”. No entanto, o director geral lembra que “as irmãs franciscanas também tinham o seu carisma e marcaram uma época”. Entendendo que as irmãs salesianas vão agora “marcar outra época”, o padre César Chantre explica que “não se pode dizer que foi melhor ou pior, pois são carismas diferentes”. “Veremos se esta nova fase vai ser digna para merecer o privilégio da fase anterior”, acrescenta. Reconhecendo que a educação preventiva “é um trabalho moroso e difícil porque que vai envolver a formação espiritual dos pais, dos funcionários e dos professores”, aquele responsável adverte que antes de 5 anos não poderão ser feitos comentários sobre o “produto” que vai surgir desta nova fase do colégio. Lembrando que esta preocupação com a totalidade da comunidade educativa era já antes tida em conta, o padre César Chantre sublinha que agora a sua implementação é feita “de uma forma mais sistemática”. Sobre a saída das irmãs franciscanas, o director geral deixa claro que a mesma era inevitável, mercê da redução do número de vocações e de outros trabalhos que aquelas religiosas têm espalhados pelo País. Sobre a complexidade do processo de sucessão, o padre César Chantre lembra que as irmãs franciscanas tinham “história e nome”. O sacerdote explica que o Bispo do Algarve “trabalhou muito até conseguir um acordo com as irmãs salesianas”, “acordo esse em que foi preciso a cedência de alguma das partes”. “Quem teve de ceder foram as paróquias de Paderne, Boliqueime e Ferreiras porque a Província Salesiana também tem dificuldades em termos numéricos dos seus elementos e por isso a comunidade que estava a viver em Paderne passou a viver no Colégio do Alto. Assim é que se conseguiu que as irmãs salesianas pudessem substituir, com êxito, as irmãs franciscanas”, esclareceu, reconhecendo que as três comunidades paroquiais “saíram particularmente prejudicadas” deste processo. “Mas a Igreja é assim”, refere com resignação, destacando que “neste momento é mais necessário a sua presença em Faro”, embora as religiosas ainda colaborem nas catequeses daquelas comunidades. O director geral do Colégio de Nossa Senhora do Alto elucida que veio encontrar um colégio “com história, com fama” e orientado pelas irmãs franciscanas hospitaleiras que “fizeram um trabalho extraordinário durante estes 76 anos” da sua existência. A instituição conta neste momento com 23 funcionários, 43 docentes e cerca de 320 alunos do pré-escolar ao 9º ano de escolaridade, no entanto o padre César Chantre confessa que se fosse duplicado o número de turmas ainda restaria lista de espera. “Há muitos pedidos, não só da cidade de Faro, mas de outras zonas do Algarve e, ultimamente, de funcionários públicos que são transferidos de outras partes do País para o Algarve e que querem ter os seus filhos neste colégio”, complementa, confirmando que a pressão dos ingressos levará no futuro a que a instituição, caso possa, tenha de alargar as vagas. “O futuro dirá se é possível ou não alargar o colégio”, afirma, confessando que já no próximo ano lectivo será acrescentada mais uma turma, o que permitirá a entrada de crianças logo a partir de três anos, ao invés de apenas com quatro como agora acontece. Embora não descartando a forte possibilidade de aumento da capacidade de alunos, o que levaria à realização de obras de alargamento do edifício já existente e ao alargamento do quadro docente, o director geral frisa que “neste momento a intenção do Colégio do Alto é aumentar a qualidade dos que estão”. Essa estratégia passa, por exemplo, pela aposta nas novas tecnologias. “Este ano foi já inaugurada uma sala de informática que me dizem ser das melhores das escolas da cidade”, refere aquele responsável, acrescentando que “há algumas salas de aula já com quadros interactivos e o sistema informático de ponta já está montado com a ajuda de uma professora especializada na matéria que está a conduzir os alunos nessa área”. O director geral considera que o segredo daquele estabelecimento educativo ter tanta procura tem a ver com o facto de ter “uma grande qualidade pedagógica, um bom grupo de professores e o ambiente da própria natureza que o envolve e que ajuda ao crescimento equilibrado das crianças”. “O quadro docente tem algum nível e os professores olham para o colégio com muito amor, sendo por isso que a qualidade pedagógica aumenta”, refere, garantindo que no último ano lectivo, em relação aos exames do 9º ano, houve 100 por cento de aprovações e que na realização das provas de aferição do 4 e 6º anos, o Colégio do Alto foi considerado dos melhores do Algarve em resultados finais. Embora defenda a escola pública e a sua importância, o padre César Chantre entende que uma escola como o Colégio do Alto, “de cariz cristão e com umas irmãs preparadas para isso”, “tem necessariamente um enquadramento diferente, no tempo e no espaço, de uma escola pública”. E dá como exemplos o espaço, os intervalos, os momentos de oração, as tertúlias, os debates ou as reuniões temáticas. “É uma responsabilidade que um colégio deste género esteja em primeiro lugar em relação a escolas com outras características”, afirma, lembrando a “grande confiança” dos pais na instituição. “Ao deixar aqui os filhos sabem que durante o dia todo alguém está a acompanhá-los”, salienta, destacando que esse acompanhamento é feito na área do desporto, do lazer, da observação da natureza e dos jogos educativos, para além das actividades da música, do canto, das artes marciais, do ballet ou da própria informática que ocupa igualmente momentos de áreas extracurriculares. Sobre a tão falada questão elitista subjacente à selecção dos alunos, o director geral do Colégio do Alto explica que “não é desejo da Igreja optar por aqueles que mais podem, mas pelos mais pobres”. No entanto, o sacerdote recorda que, para que isso aconteça, “o Estado teria que dar o mesmo tratamento às escolas privadas que dá às escolas públicas, o que não acontece neste momento”. “E para manter um colégio destes alguém tem de pagar”, observa o padre César Chantre. Pese embora esta realidade, aquele responsável refere que o colégio é frequentado por “alguns alunos, de famílias mais carenciadas, e que são pagos pelos outros pais que mais podem”. “Isto não é muito divulgado porque estas coisas devem fazer-se com a sua reserva”, justifica o sacerdote, acrescentando também haver alunos que são filhos de funcionárias da casa e que “pagam muito menos do que qualquer outro aluno”. “É um processo muito simples, desde que o assunto seja posto, sendo tratado com a devida reserva”, explica. No entanto, o director geral diz que é preciso não ter medo de formar elites. “Uma sociedade que não tem uma elite bem formada é uma sociedade decapitada e acéfala. Temos de assumir que as elites devem ser formadas e, tanto quanto possível, com um Cristianismo esclarecido. É um contributo que a Igreja dá à sociedade, colaborando com neste humanismo que só o Cristianismo pode transmitir”, defende. Em relação à orientação futura da instituição, o padre César Chantre entende que esta deverá “consolidar o presente”. “O futuro tem a ver com a orientação do Bispo da diocese, onde se viva o espírito de Jesus Cristo”, observa, acrescentando, no entanto, que a educação deverá ser cada vez mais “integrada” e de forma a “que a pedagogia possa utilizar os métodos tecnologicamente mais avançados”. A aposta nas novas tecnologias será para consolidar e o objectivo é mesmo um pouco mais ambicioso do que o do actual Governo para as escolas públicas. Todas as salas de aula com quadros interactivos e um computador por aluno, devidamente acompanhado é a meta a atingir a curto prazo. A tecnologia deverá ser também alargada a outras dimensões que não a estritamente pedagógica. Por exemplo, o recinto exterior do colégio deverá ser equipado com um sistema de videovigilância para segurança interna. Outra das apostas será a formação para a defesa do ambiente. “Temos neste momento conversações com a Direcção Regional de Agricultura para a remodelação da mata e dos jardins”, informou o padre César Chantre, garantindo que já dezenas de árvores foram podadas e outras dezenas serão plantadas ainda durante este Inverno. Essa reestruturação dos espaços exteriores do colégio será feita, segundo o seu director geral, com espécies autóctones. O medronheiro, a alfarrobeira ou os ciprestes serão algumas das espécies plantadas também com o objectivo de que os alunos ganhem “um amor especial para com a natureza”. “Os espaços exteriores são fundamentais para o equilíbrio harmónico no crescimento da criança e do jovem”, salienta o padre César Chantre. Será ainda construída uma horta pedagógica orientada pelo professor de Ciências e por técnicos com a ajuda dos alunos. A ideia da direcção do Colégio do Alto é que a própria Câmara de Faro colabore nesta reformulação daquele que entendem ser “um pulmão da cidade”. “Infelizmente, nos últimos tempos, a cidade não se tem apercebido que é um pulmão que merece ser acarinhado e defendido”, lamenta o padre César Chantre, apelando a que a Câmara de Faro “olhe para o colégio como património da cidade”, na esperança que a autarquia termine mesmo a intervenção nos espaços exteriores da instituição. “Enquanto os serviços públicos não nos respondem já temos uma empresa privada que está neste momento a fazer algum trabalho”, explica. Os projectos futuros passam ainda pela abertura do colégio à comunidade, “para que a cidade de Faro possa conhecer as potencialidades da instituição”. “A cidade não acarinha devidamente o colégio porque não conhece”, entende o director geral. A abertura à comunidade pretende passar igualmente por “um maior intercâmbio com outras escolas da cidade ao nível das actividades extracurriculares”, explica. Também o esforço por continuar a equilibrar as contas da quinta do colégio, trabalho da anterior direcção, está entre os projectos para o futuro. Neste contexto, o padre César Chantre lembra que “a manutenção do Palácio, da quinta e do colégio é muito alta” e que obriga a “grandes trabalhos de conservação”. “Nos últimos dois anos, com a ajuda ainda das irmãs franciscanas, fizemos trabalhos de restauro e de remodelação de muita coisa que já estava ultrapassada”, recorda. Campanha natalícia de solidariedade reverte a favor do Lar da Mãe A proposta que a direcção do Colégio de Nossa Senhora do Alto fez à comunidade educativa em tempo de Advento, justamente como preparação para uma melhor vivência do Natal, foi a renúncia a favor do Lar da Mãe, a valência da Caritas Diocesana do Algarve que apoia mulheres e crianças em dificuldade. Tendo como pano de fundo este objectivo, o colégio propôs aos alunos que realizassem uma feira de livros e brinquedos usados, cujo produto reverterá a favor da construção da nova sede do Lar da Mãe, respondendo assim a um apelo do Bispo diocesano aquando da recepção da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, no passado dia 13 de Outubro. Estimulados com a iniciativa, os alunos têm adquirido brinquedos e livros uns dos outros e até os pais, contagiados pelo entusiasmo, têm ajudado na venda dos produtos. Paralelamente está também a ser promovida a venda de rifas para sorteio de dois cabazes de Natal, compostos por géneros alimentícios doados pelos alunos.