“Milhões de ucranianos morreram em consequência de uma fome artificialmente provocada pelo regime estalinista, tendo como principal objectivo «castigar» os camponeses – a base social da nação ucraniana – devido à sua resistência à política de colectivização agrícola e ao apego que manifestavam pela cultura e tradições nacionais”, denuncia a Associação dos Ucranianos do Algarve. Segundo a mesma fonte, o regime soviético comunista da altura, “numa evidente demonstração dos seus intentos criminosos”, tomou medidas como a “confiscação das colheitas e das reservas alimentares dos camponeses, recorrendo a todo o tipo de violências e abusos”, deportou populações e deteve as pessoas em campos de concentração e fuzilamento. Para além disto procedeu ao “encerramento das fronteiras da Ucrânia, impedindo os camponeses de procurar alimentos na Rússia e outras regiões”, impediu a livre circulação dos cidadãos e perseguiu a elite cultural e política (como escritores, sacerdotes, políticos, artistas e pensadores) sob a acusação de nacionalismo”, adianta a mesma associação. A sua presidente, Nataliya Dmytruk, que lamentou que o acontecimento tenha sido abafado durante anos pelos sucessivos dirigentes da ex-União Soviética, explicou que o objectivo da homenagem é “não deixar esquecer e dar a conhecer a todos os povos do mundo esta tragédia humanitária, para que se possa reflectir sobre o acontecimento”. “Se um país não reconhece o seu passado não terá futuro”, afirmou-se na cerimónia em que foi lida uma proposta de moção a apresentar a Assembleia Municipal de Faro para condenação da tragédia. Também o Embaixador da Ucrânia em Portugal frisou que a iniciativa “não é contra ninguém, mas apenas para lembrar e homenagear. Para que estes horrores não se repitam no futuro”. O Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, igualmente presente, manifestou “a solidariedade de toda a Igreja do Algarve” em relação aquela celebração e formulou votos de paz para que não voltem a acontecer em todo mundo idênticos atentados contra a humanidade. A cerimónia contou ainda com a chegada a Portugal da “Chama da Memória”, vinda de Espanha, um símbolo associado ao esforço de dar a conhecer a tragédia promovido pela Comissão Internacional do Holodomor, integrada no Congresso Mundial Ucraniano. Depois de ter saído da Austrália no passado dia 1 de Abril, a tocha irá percorrer 33 países prevendo-se a sua chegada à Ucrânia em Novembro próximo, onde será recebida pelo Presidente, Victor Yushchenko. Hoje, dia 29 de Agosto, a “Chama da Memória” está no Porto, marcando passagem amanhã por Fátima e no dia 31 em Lisboa, seguindo depois para Itália. A cerimónia em Faro, que contou ainda com uma pequena exposição sobre o acontecimento, encerrou com uma celebração religiosa presidida pelos padres Nicolai Kutsiuk, da Igreja Ortodoxa, e Oleg Trushko, da Igreja Greco-católica.