O sacerdote aniversariante começou, na sua homilia, por apresentar-se como “um sacerdote simples que tem andado por muitas partes do mundo sempre ao serviço da Igreja”. O cónego monsenhor Cupertino lembrou a esse propósito que “a maior alegria que um sacerdote pode ter é ajudar os outros a encontrarem Jesus Cristo, a terem a consciência, cada vez mais firme, de que todos somos filhos de Deus que nos ama”. Mas a intervenção do presidente da celebração iria centrar-se nas vocações consagradas. “Quando hoje, e durante a minha vida, olho para as vocações sacerdotais penso muitas vezes na dificuldade que existe de certos rapazes dizerem sim à vocação sacerdotal e de certas raparigas dizerem sim à vocação consagrada”, afirmou. Lembrou a propósito o ambiente e o contexto adverso às vocações consagradas existente na sociedade e tantas vezes no seio da própria família do vocacionado. “Quando temos fé e não andamos na Igreja por andar, mas porque amamos o Senhor, e acreditamos que Ele está na Eucaristia e no Espírito Santo, temos uma visão diferente das coisas espirituais. Sabemos que este mundo é transitório”, complementou, advertindo de que “temos de ter os pés no chão e olhar para a vida na sua totalidade e não sermos como as crianças que, na feira, gostam muito dos balões porque os balões têm cor, movem–se, dão nas vistas e sobem acima das cabeças da multidão da feira”. “Mas os balões estão cheios de ar. E muita gente, com a cabeça e a alma cheia de ar, vazios, não são nada e não vêem que qualquer sacerdote, na sua humildade e maneira de ser, é como o trigo que, quando as suas sementes, na espiga, estão cheias, se dobra para a terra em sinal de humildade, porque está pronto a distribuir o pão na farinha, depois de colhido”, ilustrou, acrescentando que “as espigas que se levantam para o ar, muito altaneiras e que, com a brisa se sacodem, são as espigas vazias que não prestam para nada”. “O sacerdote é trigo desfeito, a farinha feita pão para alimento das almas. O sacerdote é aquele que se deve sacrificar em favor dos outros; é aquele que não quer nada para si a não ser o bem-fazer em favor da comunidade; é aquele que está à disposição de quem precisa dele, no momento de sofrimento, da lágrima e do pecado; é aquele que, em nome de Jesus, te diz: ‘eu te perdoo dos teus pecados’; é aquele que se vai consumindo como as velas sobre o altar em adoração a Jesus eucarístico”, definiu. O cónego monsenhor Cupertino considerou então que “esta falta de generosidade é que faz com que não haja hoje rapazes, nem raparigas que queiram dedicar a sua vida a Deus”, manifestando o desejo de que surgissem vocações na Igreja algarvia. A terminar, desejou “que esta acção de graças fosse um louvor de toda a comunidade para que surgissem vocações sacerdotais, religiosas, missionárias”. “É preciso que Portugal acorde e volte a ser cristão autêntico”, afirmou. “Nesta Eucaristia e sempre não rezai apenas por mim, rezai por todos os sacerdotes desta diocese, pelos nossos diáconos, pelos nossos seminaristas, pelo nosso Seminário, pela Igreja e pelo Bispo da diocese, porque é o timoneiro da ‘nau de Pedro’ que vai pelo Algarve singrando”, concluiu. No final da celebração, houve ainda tempo para alguns gestos carregados de simbolismo, alguns que deixaram o homenageado visivelmente comovido, entre os quais a entrega de uma bênção apostólica concedida pelo Papa Bento XVI, uma xilogravura mariana da Basílica de Fátima, onde o homenageado foi ordenado e uma salva de prata. O prior da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, a matriz de Portimão, o cónego José Pedro Martins, dirigiu ainda algumas palavras ao cónego monsenhor Cupertino, colaborador naquela comunidade, bem como o padre Carlos César Chantre, que leu uma mensagem de D. Januário Torgal Ferreira, Bispo da Diocese das Forças Armadas à qual o homenageado serviu durante vários anos, e o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, que apenas compareceu no final da Eucaristia para que pudesse ser o homenageado a presidir à celebração. Seguiu-se um jantar de homenagem num restaurante da cidade portimonense. “A vossa acção de graças é a nossa acção de graças. Unimo-nos à sua alegria que é a nossa alegria, ao seu serviço dedicado que é o nosso bem, à sua felicidade que é também garantia da nossa felicidade”. Cónego José Pedro Martins “Dou graças a Deus por me ter cruzado consigo há cerca de 30 anos. A sua fé inquebrantável em Jesus Cristo e a sua fidelidade à Igreja foram duas características que me ajudaram, e muito, a dar o passo para a vida sacerdotal e quotidiana”. Padre César Chantre “Destaco o testemunho gritante de homem e de sacerdote em geografias e histórias de grande complexidade”. D. Januário Torgal Ferreira “A minha acção de graças pretende salientar, antes de mais, o que monsenhor Cupertino é como pessoa, mas também como sacerdote. Pelo seu testemunho de identidade sacerdotal, pela sua serenidade, a sua presença, discernimento, sabedoria, experiência, ajuda a centrarmo-nos no essencial e isso é uma riqueza para a nossa Igreja diocesana e para mim, como Bispo”. D. Manuel Neto Quintas