Após a oração da regra feita pelo presidente do Conselho Central, D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve expôs a sua meditação começando por fazer referência a Frederico Ozanam como sendo «uma resposta ao amor Deus nos mais carenciados e modelo de apostolado laical». «Assentava a sua vida em dois pilares: o serviço da verdade e o testemunho da caridade. Tal como Jesus disse-nos que só a verdade liberta sendo Ele próprio o caminho, a verdade e a vida. Cristo está presente na vida do pobre, no carenciado. O serviço aos outros é algo que brota de Deus, está escrito no nosso próprio coração; a humildade é feita por gestos pequeninos, mas gestos que para Deus são muito importantes e quem vive na graciosidade de Deus, vê Deus nos outros», afirmou. Acrescentou ainda que «é importante o serviço realizado por todos os vicentinos, mas sem nunca desligar a fé das obras, pois são estes pequeninos gestos que dão sabor à vida». «A oração, o estudo da palavra, a visita domiciliária, o testemunho da própria fé, o serviço permanente da caridade, do amor junto dos doentes, dos idosos ou das crianças, nas prisões e nos hospitais sem olhar á idade, religião ou estatuto social, ou seja, fazer o bem sem olhar a quem, dá-nos uma dimensão de universalidade do nosso serviço, sentindo-nos irmãos universais, pois o amor não tem fronteiras nem conhece a diferença de religiões, línguas ou culturas é muito mais transcendental, só quando vivermos esta dimensão é que somos cidadãos do mundo», assegurou. Por fim, relembrou-nos também que «estamos no Ano da Eucaristia» e também da importância para todos os cristãos da carta elaborada pelo Papa João Paulo II, intitulada “Fica connosco Senhor”. Seguindo a ordem de trabalhos, pela orientação do presidente do Conselho Central do Algarve, passou-se á apresentação e aprovação do relatório de actividades e contas do ano 2004, os quais foram aprovados por unanimidade e aclamação. Após o almoço retomou-se a reunião com a leitura da mensagem do Santo Padre João Paulo II para a Quaresma 2005, o­nde foi feita uma breve reflexão sobre a missão da Sociedade de São Vicente de Paulo no mundo. Os presidentes das Conferências também intervieram apresentando os relatórios do ano 2004. De salientar que, apesar de um ano difícil que se verificou, muitas destas conferências registaram um aumento significativo tanto a nível de auxílios, como a nível de receitas. Após a apresentação das ofertas de alojamento em Fátima para a peregrinação Nacional Vicentina destinadas a este conselho, o padre Carlos Aquino, assistente diocesano do movimento fez a sua intervenção final baseando-se numa frase retirada do Evangelho do dia “Deus não olha às aparências mas olha ao coração”. Pois, «apesar de haver muitas obras, movimentos, instituições e grupos ao serviço da caridade, existe sempre a dúvida se se dedicam simplesmente pelas aparências ou, antes pelo contrário, pelo coração». «O “vicentino” nunca poderá colocar em dúvida a sua missão, testemunho e vocação», disse. Lembrou-nos ainda que «apesar de sermos um movimento laical, que vai ao encontro dos que mais sofrem, nunca podemos esquecer do sofrimento que muitos dos novos vicentinos passam em completo silêncio, na certeza porém, que só o sofrimento nos leva à conversão, e que não há glória sem a cruz». Concluiu a sua intervenção dizendo: «nós os vicentinos estamos no coração do mistério, vivamos com serenidade e apresentemos o essencial».